Uma grata surpresa. É assim que definiria minha experiência de leitura de Livrinho da Silva, do autor Aldenor Pimentel. A obra, publicada pela Editora Catarse, em 2017, é uma coletânea com mais de vinte contos em torno do universo da leitura, da figura do escritor e da experiência da escrita. O título faz uma brincadeira com aquele que lê o livro e se sente livre, além do fato de ser um livro pequeno, que cabe no bolso - uma forma carinhosa de se referir a ele. Continuar lendo “Resenha | Livrinho da Silva”
Autor: Camila Servello Aguirre
Resenha | Um Martini com o Diabo
Já dizia o velho ditado “nunca julgue um livro pela capa”. Devo confessar que foi exatamente o que fiz quando me deparei com “Um Martini com o Diabo”. Na verdade, não foi a capa que chamou tanto a minha atenção, mas sim o título. Pensei “este é o meu tipo de livro”. E contrariando o ditado, acertei em minha escolha.
Resenha | Eu Vejo Kate: O Despertar de um Serial Killer
“Eu Vejo Kate: O Despertar de um Serial Killer” é um thriller psicológico, da autora Claudia Lemes, publicado pela Editora Empíreo, e uma leitura surpreendente.
Na história, a protagonista que dá nome ao livro, Kate, é uma escritora determinada, com um comportamento autodestrutivo, que decide escrever a biografia sobre o serial killer do momento: Nathan Bardel. Nascido na mesma cidade que ela, o assassino foi preso, condenado e executado por seus doze crimes. E, mesmo após um ano da morte de Nathan, Kate quer entendê-lo e se torna obcecada por ele. Ela conhece suas vítimas, seus métodos e tem um acervo de pistas digno de uma investigadora profissional.
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Resenha | Penumbra
Neste mês de novembro, chega às livrarias, pela Editora Leya, Penumbra, o novo livro de André Vianco. Nesta surpreendente história, acompanhamos a pequena Lana que, ao acordar na Penumbra, um lugar é que é sempre uma alvorada eterna ou um crepúsculo sem fim, precisa deixar a teimosia de lado e esquecer tudo o que mais ama, pois só assim poderá seguir com sua jornada. No entanto, ao se recusar e desafiar a velha e ressequida babá Osso Duro – a guardiã das crianças que vão parar naquele lugar, Lana desperta perigos que só poderá enfrentar ao lado da dita senhora com aspecto de caveira.
Conto | Isabele
— Brinca comigo, mamãe.
Ela vinha com passos incertos e curtos para perto de mim. Os braços eram esticados ao máximo, oferecendo-me o ursinho de pelúcia. Eu me apertava contra a parede, rezando para que pudesse atravessar o concreto e sumir dali.
Conto | CHUPA-CABRA
— Se amanhã tu ainda estiver aqui, vai queimar junto da casa.
A cada latejar do olho lembrava-se daquelas palavras. Estava sentado no canto mais escuro do bar, longe da luz matinal e de curiosos. A sombra escondia providencialmente sua vergonha. Com a cabeça baixa não via muito além do balcão à sua frente e parte da movimentação do Seu Chico, o dono da birosca. Alguém sentou ao seu lado e, pelo estardalhaço, já sabia quem era.
Resenha | Como Melhorar um Texto Literário
Os livros da série “Guias do Escritor” (editora Gutenberg) têm se mostrado uma surpresa à parte. Já apresentamos aqui três volumes da série: “Os Segredos da Criatividade”, “Como Narrar uma História” e “Como Escrever Diálogos”. Agora é hora de trazer a resenha do livro “Como Melhorar um Texto Literário”, dos autores Lola Sabarich e Felipe Dintel.
A linguagem leve, capítulos bem escritos e explicativos, e a leitura fluida tão presente nos volumes anteriores se repete, mostrando que são tópicos obrigatórios nos livros da série. Tudo isso contribui para que o livro fique com aquela cara de manual para ser consultado sempre que houver necessidade.
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Conto | Noiva Insana
As pálpebras foram as primeiras partes que ela arrancou. Não houve dor, eu estava sedado. Tudo voltou num borrão e as engrenagens dentro da minha cabeça ora rodavam demais, ora de menos. Eu me esforçava para piscar e poder limpar a visão, mas não havia membrana alguma que cobrisse meus olhos.Uma gota gelada em cada olho e tudo pareceu melhorar. Pude me ver enfim, estirado na cama, como da última vez, nu, refletido no imenso espelho instalado no teto, com uma estrutura presa à cabeceira da mesa. Não sabia o que era, mas não estava ali quando apaguei.
Resenha | Como Encontrar Seu Estilo de Escrever
Da série Livros para Escritores
Todo escritor quer ser lido. No entanto, mais do que levar a nossa obra até os leitores, também queremos ser reconhecidos pelo que colocamos no papel. Encontrar a nossa voz é quase a procura pelo Graal e o motivo para buscar nossa evolução. Ao rascunhar as primeiras palavras e ideias, ainda naqueles rabiscos iniciais, quando começamos a brincar de escrever, é natural que imitemos nossos autores preferidos. Com o tempo, vamos percebendo a necessidade de deixar o texto com um toque pessoal, como uma assinatura. Foi com o intuito de melhorar minha escrita e encontrar a minha voz que me engajei na leitura do livro do Francisco Castro, Como encontrar seu Estilo de escrever.
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Conto | Mas é pavê ou pá…
Precisei abrir o primeiro botão da calça. Naquele ritmo, terminaria a noite mais obeso do que o leitão que devoramos. Largado para trás, começava a achar a cadeira o local mais confortável do mundo. O calor, tão comum em dezembro, era ainda pior com o estômago cheio. Meus movimentos eram letárgicos e suor escorria em grossas gotas. Seria culpa do vinho ou daquela lerdeza após uma refeição farta?
Não dispensava atenção a mais nada. Não que não quisesse, mas era simplesmente impossível. Estava curtindo aquele momento único de contemplação, perdido em pensamentos, sentido a barriga cheia e hipnotizado pelas luzes que piscavam coloridas do lado de fora da janela. Não dava para responder à tia que perguntava sobre “as namoradinhas”, ou ao pai pedindo que fosse buscar mais uma cerveja, nem ajudar a avó que trazia mais uma pesada travessa de alguma guloseima. Pelo amor de Deus, não cabe mais nada aqui dentro! Dava tapinhas pouco acima do umbigo esperando que houvesse algum alívio. Os primos menores, correndo e gritando pela casa, me perguntavam alguma coisa com insistência. Eles, eu fazia questão de ignorar. Continuar lendo “Conto | Mas é pavê ou pá…”



