Minas Que Escrevem

Arte do projeto Minas Que Escrevem. O nome está escrito em letras corridas e minúsculas sobre um fundo branco. Em volta, várias flores coloridas.
Ilustração: Naíma Saleh.

Escrever é um ato de resistência. Acreditamos que toda mulher pode estar onde bem quiser. Inclusive na literatura! Mas pense bem: quantas autoras você leu no último ano? Dos seus livros preferidos, quantos foram escritos por mulheres? Quantas dessas mulheres eram autoras contemporâneas ou iniciantes? Quantas escreviam fantasia ou terror ou ficção científica? Difícil? São poucas ou quase nenhuma?

Mulheres não escrevem menos ou pior, mas talvez sejam menos lidas ou menos publicadas. Porque não são levadas a sério. Ao menos não como deveriam ser.

Escrever pode ser difícil, mas é muito mais difícil quando não temos apoio.

Isso pode e deve mudar. Se você é mulher e escrever é importante para você, nós queremos te ouvir e registrar o seu depoimento. Porque acreditamos que quanto mais mulheres perceberem que existem outras mulheres produzindo — e produzindo com qualidade — mais encorajadas se sentirão a produzir, a escrever e a criar a própria realidade.

Porque não devemos ter medo de escrever, nem devemos nos esconder atrás de pseudônimos. Escrever deve ser libertador! É nisso que acreditamos e se você também acredita, seja bem-vinda.

Deixe seu depoimento e mostre que as Minas Escrevem, sim! Mande seu relato e uma foto, vídeo ou imagem que te represente para o e-mail blogcontehistorias@gmail.com. Depois, compartilhe esta página usando #minasqueescrevem para que mais e mais minas possam se inspirar e também contar a própria história!

Esperamos por você 😉

#minasqueescrevem

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Sybylla

Capitã da Frota Estelar, geógrafa, escritora e blogueira do Momentum Saga.

“Escrever começou na escola, nas aulas de redação. Nosso professor nos desafiava com temas pertinentes, relatos do cotidiano, descrições. Eram aulas adicionais, além das aulas de língua portuguesa. E me identifiquei rapidamente com elas.

Eu escrevo porque não me basto. Porque a realidade não me basta. Eu preciso dos universos ficcionais, preciso discutir problemas que a realidade tem, preciso conversar com os personagens para fazer perguntas e ouvir as respostas. O escritor é um acumulador: ideias, palavras, frases, substantivos, verbos, histórias. Ele espia as pessoas, avalia frases e comentários. Tudo isso com o propósito, muitas vezes, de escapar da realidade e dar forma a mundos só seus. A escrita também foi uma forma de ler as coisas que sempre quis ler e que eu não via em outros livros, séries e filmes. Se escrevo como mulher? Claro que sim, porque não posso tirar a mim mesma dos meus mundos.”

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Janaina Strunzak

“No principio era alegria. Infantil, inocente, ignorante.

Bem rapidinho chegou a dor: comecei a trabalhar aos seis anos, como bóia-fria. Naquele então, minha irmã Salete nos contava histórias fantásticas, ela era assídua na biblioteca municipal, e eu me perdia naqueles mundos e aventuras, fugindo da realidade miserável comum ao povo pobre latino-americano.

Quando crescesse, pensava eu, queria ser a leitora do rei e passaria o dia inteiro lendo. Felizmente descobri que não temos reis no Brasil (pelo menos, não no sentido de regime político, porque o que temos de políticos que pensam que têm o rei na barriga…).

Que bom que com minha família entramos no MST. Largo caminho desde 1984. Criei muitas histórias, mas escrevi pouco, nunca chegando ao final. A Clara Madrigano tem uma boa reflexão sobre isso, pessoas que trabalham muito e em trabalhos pesados e suas dificuldades para ler e escrever. Até que meu filho e o Neil Gaiman me disseram que devia terminar alguma história, e nasceu ‘O Ano em que Morri pela Primeira Vez’ (título provisório que uma hora destas sai do prelo).

Mas isso só foi possível porque eu já tinha escrito duas monografias e duas dissertações, e apliquei o mesmo método de criação acadêmica na criação de uma novela. Também só foi possível porque vivi muito, pertencendo a um coletivo de gente lutadora que me anima, e algumas conquistas sociais de nosso povo, como o Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária. E meu companheiro cuida de nosso filho para que eu escreva, vejam como o extraordinário pode se tornar cotidiano!

Agora pesquiso e escrevo uma tese sobre soberania alimentar. E bem devagarinho vou juntando as palavras para o romance ‘Aurora Vermelha’, que sairá à luz depois da tese.

Como historiadora devo dizer: ou nós contamos nossas histórias, ou continuará existindo só a versão do opressor.”

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Larissa Mundim

Jornalista, escritora e editora, coordenadora editorial da Nega Lilu Editora. Fundadora do Coletivo e/ou. Diretora da Casa da Cultura Digital.

“A leitura me conduziu até a escrita. Leio sempre. Quando o mundo está desabando, leio. Comecei a escrever na adolescência, quando mantive contato com Literatura que me tocava intimamente, que me provocava a descoberta de quem eu era, de quem eu poderia me tornar. Produzi textos juvenis, em prosa e poesia também, mas sem encontrar uma determinada qualidade. A admiração por escritoras e escritores manteve acesa uma centelha esperançosa de publicar, quando eu estivesse pronta.

A determinação de dialogar com leitores de todo o mundo sobre as relações afetivas no nosso tempo, me estimulou a escrever o romance de ficção ‘Sem Palavras’, que tem coautoria de Valentina Prado. Um livro de poder, corajoso e valente, que moveu montanhas, derreteu geleiras, provocou voos de gaivota, deixou marcas na epiderme e plantou calêndulas em clima inapropriado. Foi ele que motivou a criação da Nega Lilu Editora, provavelmente um legado maior do que a minha literatura. De lá pra cá, já publiquei outros três livros (‘Agora eu te amo’, ‘Operação Kamikaze’ e ‘faz rs’), além de um experimento gráfico-literário, ‘Prepiscianas – vol. 1’, que tem coautoria de Carol Schmid. No momento, as possibilidades ilimitadas do zine me seduzem e me guiam sem rumo. Recomendo.”

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Anna Fagundes Martino

Autora e editora da Dame Blanche.

“Escrevo porque do contrário explodiria em centenas de milhões de átomos em frustração e cólera. Porque é minha missão de vida. Escrevo porque posso — e escrevo para mostrar que se eu posso, outras podem. Porque outras tantas antes de mim lutaram para que eu tivesse essa liberdade — seria desperdício e desrespeito não aproveitar. Nunca tive tempo para pensar se a atividade era “coisa de mulher” ou “coisa de homem”. Até porque eu faço um monte de outras coisas que são ou foram consideradas “coisas de homem” — tais como votar, discutir política, ter diploma universitário e conta no banco sem autorização do marido, usar calças compridas, falar palavrão se me der na telha, sair de casa sozinha se me der na telha, acompanhar campeonato de rúgbi e discutir motor de carro de F1. Isso não veio de graça. Isso ainda não vem de graça. E por isso escrevo.”

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Ana Lúcia Merege

Navegadora do Grande Mar de Histórias.Autora das séries de fantasia ‘Athelgard’ e ‘Contos da Clepsidra’. Decifra manuscritos na Biblioteca Nacional, pesquisa folclore e mitologia e é a mãe orgulhosa de uma adolescente.

“Eu sempre gostei de contar histórias. Vem lá de dentro. Minha família se lembra de quando eu, pequenininha — uns quatro anos talvez — inventava longas histórias com personagens próprios que contracenavam com outros tão inusitados quanto Mogli, Emília e os deuses da mitologia grega. (Sim, eu tive a sorte de também ter quem me contasse e lesse histórias). Da palavra falada para a escrita foi uma transição natural, e eu venho escrevendo desde que aprendi a fazê-lo. Mais de quarenta anos. Continuei contando também. No início acho que era apenas uma forma de extravasar pensamentos e inquietude, depois foi um jeito de afugentar demônios, hoje é tudo isso e também uma forma de eu me expressar e deixar minha mensagem para o mundo — alguma coisa que fique e se perpetue depois que eu voltar a ser poeira de estrelas. Você, mulher que conta e escreve histórias, saiba que é herdeira de uma longa linhagem, que vem desde as avós da Pré-História, passou pelas mães e avós, camponesas, parteiras e fiandeiras. Uma linhagem que sobreviveu às fogueiras e aos espartilhos. Uma linhagem que se fez ouvir, ainda que em boa parte do tempo permanecesse invisível. Eu conto histórias pelo prazer da partilha. Eu escrevo pelo anseio de eternidade.”

Claudia Fusco

Cláudia Fusco

Autora e pesquisadora de fantasia e ficção científica.

“Escrevo histórias de mulheres que contam histórias. Rainhas, plebeias, jovens e idosas. Meu amor é a fantasia, o espaço imaginário, por saber o quanto ele é real e necessário no dia a dia, no feijão com arroz. Conto histórias que espero que, um dia, confortem outras gerações de contadoras de histórias. Conto a história da contadora que quero ser. ❤”

Camila Fernandes

Camila Fernandes

Escreve uns contos e traduz livros de outras pessoas. Quando pode, viaja ou desenha.

“O que as histórias te contam? Contar histórias, mais que entretenimento, é um modo de compartilhar uma visão de mundo — ou várias visões. As histórias que contamos — e as que os outros contam para nós — refletem quem somos, o que queremos, o que tememos. Refletem nossas verdades internas: aquelas que assumimos e aquelas das quais não temos consciência. Por isso escolhi escrever sobre mulheres. Não só, mas principalmente. No começo não foi uma escolha consciente, mas uma consequência do que eu sentia. Desde criança os papéis das mulheres na maioria das histórias me incomodavam. Ao ver um desenho animado ou ler um gibi, muitas vezes eu me pegava reconstruindo minhas histórias preferidas com os protagonistas — quase sempre homens — substituídos por mulheres. Não havia nada errado no fato de eles serem homens. Mas o fato de quase nunca serem mulheres me perturbava a esse ponto. Na minha cabeça, as mulheres podiam viver as mesmas aventuras que os homens, ter ideias geniais, vencer o adversário, enfim, fazer de tudo. E elas podem mesmo! Porém, quando as histórias não nos mostram mulheres fazendo de tudo, elas refletem uma visão de mundo em que isso não existe. As histórias dizem: não há mulheres capazes de fazer essas coisas. Só os homens podem ser o centro de grandes aventuras. Às mulheres restam papéis na vida desses homens, mas não papéis centrais. Quando a mulher é criadora e protagonista de uma história, muitas vezes esta é encarada como uma história para mulher. Não é um livro que os homens querem ler; não é um filme que deveriam ver.

Enquanto isso, a história criada e protagonizada pelo homem é vista como universal. É a história padrão; a da mulher é desvio. Ouvimos falar em “literatura feminina” como um gênero à parte, mas não se fala em “literatura masculina”, pois a literatura feita por homens, sobre homens, é para todos os seres humanos. Por que, então, a literatura das mulheres deveria ser um nicho? Então decidi explorar meu incômodo. Contar as histórias que eu queria ler. Mais que refletir o que somos, as histórias nos ensinam quem somos. Por isso, quero cada vez mais histórias que mostrem às meninas que as mulheres podem fazer tudo o que quiserem. Que mostrem aos meninos que essas histórias também são para eles — porque é importante que aprendam esta verdade desde cedo: as mulheres são criaturas capazes.

Espero que minhas histórias sobre mulheres sejam lidas como histórias de seres humanos. E que cada vez mais mulheres possam se ler, se ver nas histórias, e escrever as suas próprias, na vida real e na ficção.”

Mariana Camara

Mariana Camara

Escritora, autora de ‘Orleans’.

“Quando comecei a criar histórias era vista apenas como uma menina insegura que escutava todo o tipo de bobagens sobre escrita. As pessoas costumavam me perguntar se eu havia copiado meus textos de algum lugar ou de algum autor famoso (porque não de uma autora?), e não compreendia porque não acreditavam que eu era capaz de ter feito algo bom o bastante para surpreender ou encantar alguém, principalmente quando escrevia algo que não se tratava de algum romance açucarado. Para as pessoas, “mulher só sabe escrever romance” e conseguir provar o contrário sempre foi um objetivo. Escrever para mim é um ato de libertação, é mostrar e provar que sou uma mina capaz e que não preciso que ninguém me diga o que posso ou não escrever. É um ato de se livrar dos rótulos e ter a mesma naturalidade para falar sobre zumbis ou princesas. E porque não misturar os dois? Eu posso, eu vou e qualquer mulher pode.”

Mel Duarte

Mel Duarte

Poeta, slammer e produtora cultural. Descobriu nas palavras um refúgio do chicote vida e desde então as mantém como fortaleza.

“Comecei a escrever poemas aos oito anos de idade porque me encantei com a poesia. As vezes me achava uma criança estranha porque não conhecia outras que gostavam nem de ler, quem dirá de escrever poemas. Fui crescendo e a escrita sempre me serviu de refugio, de válvula de escape para as infinitas inquietações que passavam pela minha mente. Hoje percebo que a escrita além de libertar é uma das ferramentas mais simples e eficazes que temos literalmente em nossas mãos. Percebo que meus poemas alcançam pessoas e as transformam de dentro pra fora e isso é incrível, eu nunca pensei em escrever para atingir outras pessoas eu só precisava dar vazão a tudo que ecoava na minha mente e agora percebo como a palavra é potente e pode transformar uma geração.”

Maira M. Moura

Maira M. Moura

Autora de ‘O jardim animado’ e diversos contos.

“Um escritor cujos livros não gosto muito, Daniel Galera, disse que a ideia de uma literatura feminina é errada, sempre foi, e eu comecei a gostar um pouco dele. Quando me perguntaram por que escrevo, qual é a importância da escrita para mim, e ainda, o que dizer para outras escritoras, tudo isso sob a luz da pergunta-mãe “o que é ser mulher e escrever?”, eu não soube como o meu gênero poderia afetar as minhas respostas. A não ser que a matéria seja “ser mulher” (então, sim, não há outro que não ela para tomar a caneta), não vejo, e não pretendo ver, o tal do traço feminino no texto. O que quero dizer é que me sinto, quando escrevo, parte de uma literatura universal. Não estou limitada a escrever sobre mulheres, ou através delas. É por isso que escrevo, porque, diferente de muitas coisas na vida, não tenho limites na escrita. Escrever me é importante quando alcanço um leitor. E, para as mulheres que escrevem, digo que sejam universais, que encontrem uma voz que fale a todos e todas, porque é essa a atitude de quem buscar ser igual.”

Thais Lopes

Thais Lopes

Autora de ‘Crônicas de Táiran’ e ‘Filhos do Acordo’.

“Sempre fui viciada em literatura fantástica, desde bem nova. E sempre me procurei nos livros, sem nunca consegui me achar. Todas as histórias que lia tinham homens como protagonistas, homens fazendo as coisas, homens sendo importantes. E eu era uma garota querendo me ver ali, mas sempre me sentindo de fora. Minha escrita reflete isso: quero mulheres acontecendo. Sendo importantes, salvando o mundo, ou simplesmente indo atrás do que querem. Quero mulheres vendo que não precisam abaixar a cabeça e aceitar tudo o que falam para elas, que podem lutar, cada uma ao seu modo e com o que têm ao seu alcance. Minha luta é para que nenhuma outra garota passe anos tentando se ver nos livros que gosta, sem nunca conseguir se achar neles. Para que nenhuma mulher pense que não tem um lugar ali, também, e se contente com o papel de coadjuvante. Para que outras mulheres vejam que podem ser mulheres, da forma como são ou escolheram ser, e fazer a diferença.”

Camila Guerra

Camila Guerra

Tradutora, escritora e buscadora de absurdos nesta e em outras vidas, neste e em outros mundos, tocando sempre o universo das possibilidades infinitas.

“Para mim, a escrita é um caminho de terra poeirento, um tanto turvo, que vou aos poucos pavimentando com as minhas experiências de vida, minhas percepções do mundo, meus próprios pedaços. Na escrita me organizo, me preparo e me esvazio para tocar o coração de quem sonha sonhos parecidos com os meus. Leio porque quero somar e escrevo porque quero dividir.”

Nana Less

Nana Lees

Blogueira no Eu Insisto, Podcaster de livros, Booktuber e Youtuber.

“Eu escrevo para gritar meus sentimentos, minhas vivências, coisas que calo em um mundo que me oprime. Ainda que eu ache que tenho mais sorte do que muita mulher nesse mundo, quero fazer da minha escrita uma porta de entrada para outras garotas sonhadoras como eu. Quero que todas sintam que podem se expressar e correr atrás de seus sonhos, que batalhem, como todas nós, por um mundo com menos divisões. Onde não seremos classificadas como autoras que atingem apenas o público feminino, mas a população em geral. Que nos vejam como escritoras não segmentadas, como ser humano que somos, fadadas a mudar, a inventar e reinventar. Quero lutar por um mundo onde romance não seja banalizado como algo apenas feminino, ou o suspense seja dedicado ao público masculino. Um mundo onde autores sejam visto como o que são: autores. Não como homem ou mulher. Que o crédito vá para a nossa habilidade e criatividade, jamais para o nosso gênero.”

Erica Bombardi

Erica Bombardi

Autora de ‘Além do Deserto’, ‘A Caçadora de Dragões d’Água’ e ‘Canto do Uirapuru’.

“Quando eu era jovem, em um curso de inglês, uma mulher mais velha sentou-se a meu lado e conversou comigo. Disse-me que ia desistir do curso, pra que continuar? Tinha filhos pequenos, pra que lhe serviria falar inglês se as fraldas são trocadas em silêncio? Os recursos da família, os seus, eram para os filhos, o que ela queria e o que ela não queria eram lados da mesma moeda. Eu não consegui dissuadi-la. Ela largou o curso. Mas essa memória não saiu de mim. Hoje eu sou aquela mulher. Eu tenho filhos pequenos. Abri e abro mão de muito para a educação deles. Quase desisti, como ela, de meus sonhos. O círculo da vida das pessoas é parecido. A vida de cada um e uma de nós é a maré, são as ondas, em um vai-e-vem contínuo. Escrevo para me lembrar de que eu sou como a maré, eu encho, eu recolho, mas sou grande, quase infinita e tenho vastidões de profundidades abissais. Para cada onda que se quebra outra se levanta. Eu sou assim e você também. Nós somos o que é contínuo e insistente e forte e resiliente. Cada um e cada uma de nós importa. Cada sonho importa. Eu escrevo em honra das memórias que moram em mim. Eu escrevo para avivar sonhos.”

Camila S. Aguirre

Camila S. Aguirre

Escritora, veterinária, leitora voraz e mãe da Picanha.

“Eu escrevo porque sim, porque gosto, porque alguma coisa dentro de mim me impele a isso. Posso falar do que você quiser, meu bem. Nunca duvide do talento de uma mulher com caneta e papel na mão e uma ideia na cabeça. Podemos brincar com as palavras e gerar uma história fantástica e envolvente. Conhecemos o amor, o carinho, a esperança, e também a raiva, a angústia, a frustração. Numa página descrevo um beijo apaixonado; na outra, um assassinato à sangue frio. Se você nos julga e condena porque somos mulheres é porque tem medo do que somos capazes.”

Jana Bianchi

Jana Bianchi

Autora de ‘Lobo de Rua‘ e passeadora de lobisomens.

“Eu sou uma mina que escreve todo o tipo de coisa. Escrevo sobre amores, dor, sangue, sexo, violência, família, fantasia, paixão. Escrevo como uma pessoa qualquer, e não ‘como homem’ ou ‘como mulher’. Escrevo pra quem quiser ler, e não ‘para homem’ ou ‘pra mulher’. Conto o que me dá vontade de contar, independente de qualquer gênero. Luto pra que eu e nenhuma outra menina jamais precise assinar uma obra com um nome que disfarce o fato de ser mulher, como Mary Shelley precisou fazer antes de ser reconhecida como a primeira autora de ficção científica do mundo. Luto para que qualquer menina possa sonhar alcançar qualquer posição e qualquer patamar, desafiando as estatísticas que tentam nos dizer onde as mulheres podem chegar.”

Tiara Gonçalves

Tiara Gonçalves

Escritora, mãe, mulher.

“Eu escrevo porque disseram que eu não podia. Menina não pode escrever fantasia nem ficção científica, não pode escrever palavrão, nem sobre zumbis, violência, porque “não entende dessas coisas” e também não pode ter opinião própria. Tudo isso já me disseram! Então, eu escrevo. Porque posso. Porque sou capaz, tanto quanto qualquer outra pessoa, porque não importa se você é homem ou mulher, o seu gênero não influencia a sua capacidade, se você gosta de alguma coisa, e se estuda e se prepara e se entrega de coração, pode fazer qualquer coisa. Inclusive escrever sobre o que quiser. Criar mundos fantásticos não é para qualquer um. Não mesmo. É para aqueles que se atrevem. E isso não depende do seu gênero! Depende, principalmente, se você acredita no que os outros dizem que você pode fazer ou se acredita si mesma.”

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Adele Lazarin

Jornalista, leitora e escritora.

“Comecei a escrever quando criança, pouco depois de aprender a ler. Sempre fui apaixonada por livros, até hoje só saio de casa levando algum na mochila. Por isso, meu sonho sempre foi me tornar uma escritora. No começo, escrevia apenas para mim. Escrevia sobre universos fantásticos onde eu poderia viver aventuras incríveis e ser reconhecida como a grande heroína no final. Depois, aprendi a contar a história de outras pessoas, e também para outras pessoas. Ao entrar na faculdade de jornalismo, descobri que todos têm uma história para contar, não importa qual seja, e como é bom poder mostrar essas histórias para o resto do mundo. Com o tempo, percebi que minha escrita também era uma forma de lutar contra diversos tipos de opressão. Por meio das letras, poderia criar personagens femininas fortes, capazes de ser e fazer o que quisessem. Representatividade e empoderamento importam, e a literatura tem um papel essencial ao mostrar que o lugar da mulher é onde ela bem desejar. Meu maior desejo, hoje, é escrever personagens nas quais meninas e mulheres possam se inspirar.”

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