Resenha | A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil

Embora o título da obra automaticamente remeta ao clássico “A Jornada do Escritor” de Christopher Vogler, não espere encontrar mais um manual de escrita criativa com estruturas prontas. E nem era essa a intenção de Kátia Regina Souza. Nas 173 páginas de “A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil”, a autora gaúcha busca desvendar o cenário da literatura fantástica brasileira desde o processo criativo, passando pelas angústias do ofício, até chegar à publicação.

A autora, autografando um livro.
Kátia Regina Souza

O caminho encontrado por Kátia para traçar o mapa dessa jornada foi dar voz a personagens que fizeram e fazem o percurso: os próprios autores. Em 52 entrevistas, podemos conhecer mais sobre o início da carreira e as experiências vividas por escritores de diferentes lugares e diversas faixas etárias de forma a construir o caminho das pedras para quem sonha seguir pelo mesmo o trajeto. Usando um velho clichê literário, o livro funciona como um mentor. E dos bons.

Entre os escolhidos para vestir o manto da mentoria estão figuras conhecidas como Ana Lúcia Merege, André Vianco, Carlos Orsi, Eduardo Spohr, Eric Novello, Fábio M. Barreto, FML Pepper e Rubens Lucchetti, provando ser possível viver da escrita desde que, como bem definiu Raphael Draccon, o autor viva a escrita. Parece óbvio, mas é sempre bom reforçar para quem desanima diante do primeiro obstáculo.

A realidade é que não faltam provações nessa jornada e a autora faz questão de deixar isso claro. Além do grilo falante azucrinando a cabeça do escritor até que ele coloque para fora todas as histórias da sua mente, existem vários percalços como o mercado enxuto, as armadilhas de algumas “editoras” que cobram fortunas para publicar, e a própria vida, muitas vezes nos obrigando a trabalhar onde não temos prazer enquanto batalhamos pela profissão amada. Para os que não desistem, “A Fantástica Jornada do Escritor no Brasil” já nasce como leitura obrigatória.

Resenha | Em Águas Sombrias

Segundo romance de Paula Hawkins, “Em Águas Sombrias” (Record, 2017) apresenta o drama vivido pelos habitantes da pequena Beckford, cidade situada no norte da Inglaterra conhecida pelos diversos afogamentos de mulheres ao longo dos séculos. Essa trágica sina começa a mudar quando Jules Abbot recebe em Londres a notícia de que Nel, sua irmã mais velha, também foi encontrada sem vida no local conhecido como “Poço dos Afogamentos”. Obrigada a retornar ao lugar que a traumatizou na adolescência, Jules se vê diante de um mistério que envolve não só a morte da irmã como seus próprios fantasmas do passado.

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Resenha | Saga

(O texto abaixo não contém spoilers)

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A história de amor de Romeu e Julieta teve um fim trágico, mas como teria sido a vida de ambos, caso continuassem vivos? Será que o amor deles venceria tudo? Saga, de Brian K. Vaughan (obrigado por ter feito “Fugitivos”) e Fiona Staples é um Romeu e Julieta no qual os personagens decidem continuar seu amor e viajar por um universo “parecido” com o de Star Wars. OK, esse é um jeito muito raso para definir “Saga”, mas fica comigo que já explico porquê esse quadrinho é uma das melhores e mais apaixonantes obras dos últimos anos.

No quadrinho, acompanhamos a história de Marko e Alana, dois soldados em lados opostos de uma guerra que já dura tanto tempo que nenhum dos lados lembra o real motivo dela ter começado, porém, ambos os lados compartilham um ódio mútuo. Apesar da baixa probabilidade, Marko e Alana se apaixonam, fogem juntos e tem uma filha. Atrás deles, a fúria de dois exércitos que temem o que a união do casal e o fruto desse relacionamento representa para a guerra.

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Resenha | Como Melhorar um Texto Literário

Os livros da série “Guias do Escritor” (editora Gutenberg) têm se mostrado uma surpresa à parte. Já apresentamos aqui três volumes da série: “Os Segredos da Criatividade”, “Como Narrar uma História” e “Como Escrever Diálogos”. Agora é hora de trazer a resenha do livro “Como Melhorar um Texto Literário”, dos autores Lola Sabarich e Felipe Dintel.

A linguagem leve, capítulos bem escritos e explicativos, e a leitura fluida tão presente nos volumes anteriores se repete, mostrando que são tópicos obrigatórios nos livros da série. Tudo isso contribui para que o livro fique com aquela cara de manual para ser consultado sempre que houver necessidade.

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Resenha | Como Encontrar Seu Estilo de Escrever

Da série Livros para Escritores

Todo escritor quer ser lido. No entanto, mais do que levar a nossa obra até os leitores, também queremos ser reconhecidos pelo que colocamos no papel. Encontrar a nossa voz é quase a procura pelo Graal e o motivo para buscar nossa evolução. Ao rascunhar as primeiras palavras e ideias, ainda naqueles rabiscos iniciais, quando começamos a brincar de escrever, é natural que imitemos nossos autores preferidos. Com o tempo, vamos percebendo a necessidade de deixar o texto com um toque pessoal, como uma assinatura. Foi com o intuito de melhorar minha escrita e encontrar a minha voz que me engajei na leitura do livro do Francisco CastroComo encontrar seu Estilo de escrever.

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Resenha | Daytripper

Dificilmente você encontrará algo que trate de uma maneira tão sutil e bela temas como vida/morte quanto Daytripper (publicado pela Panini), dos brasileiros e irmãos gêmeos: Fábio Moon e Gabriel Bá.

Brás de Oliveira Domingos é o narrador-personagem que nos leva através de várias linhas temporais diferentes, construindo capítulos com trajetórias e finais recheados de questionamentos. Além disso, como o próprio nome do personagem alude, há uma clara referência ao romance de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. O diálogo entre as duas obras funciona como atualização dos temas, todavia, há uma leve diferença na abordagem, o que traz novos ares para as discussões.

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Resenha | Os 13 Porquês

Os 13 Porquês (Ática, 2009) foi o livro de estreia do autor Jay Asher e está às vésperas de ganhar uma adaptação para a TV pela Netflix. A história acompanha Clay Jensen, um adolescente que recebe pelo correio uma caixa de sapatos com sete fitas cassete, onde Hanna Baker, seu primeiro amor, descreve as 13 razões que a levaram a acabar com a própria vida.

A ideia para o livro surgiu da história de uma parente próxima, que tentara o suicídio anos antes. O autor afirma que ela nunca conseguira estabelecer uma situação em especifica sem contar o que precedera ou o que se seguira a sua decisão, dando a ideia de que tudo afeta tudo.

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