Conto | CHUPA-CABRA

— Se amanhã tu ainda estiver aqui, vai queimar junto da casa.

A cada latejar do olho lembrava-se daquelas palavras. Estava sentado no canto mais escuro do bar, longe da luz matinal e de curiosos. A sombra escondia providencialmente sua vergonha. Com a cabeça baixa não via muito além do balcão à sua frente e parte da movimentação do Seu Chico, o dono da birosca. Alguém sentou ao seu lado e, pelo estardalhaço, já sabia quem era.

— Vi Kiara saindo da casa cheia de malas e pacotes. Dona Quitéria e seu Adenor tão lá ajudando. – havia uma pergunta não feita nas palavras de Davi.

Não olhou para ele. Sua explicação, justificativa ou desculpa esfarrapada ficaram presas na garganta, num bolo indissolúvel. Não havia o que dizer. Suas palavras não mudariam a situação. Em menos de 24 horas seria um sem-teto, no entanto, a desgraça vinha mais cedo, com o abandono da esposa.

— Você é um bunda-mole, Tonho! – foi o que ela lhe disse tão carinhosamente após a ordem não oficial de despejo.

— Deixa ela ir… – foi o que respondeu ao amigo.

Davi conhecia bem a apatia do camarada. No entanto, sua indisposição para a luta havia atingido a indiferença. Virou-se no banco para que pudesse encará-lo de frente. Tonho continuava com o olhar baixo e, ao perceber a encarada do amigo, olhou para o outro lado, evitando contato visual, tentando disfarçar a deformidade roxa que era sua face esquerda.

— Olha pra mim, rapá. – Davi foi ríspido. Já sabia que, às vezes, precisava ser um pouco mais grosso com o amigo. – Vâmo, vira logo!

Tonho virou, embora, uma tartaruga teria virado mais rápido. Não era timidez que o fazia continuar com o nariz apontado para baixo. Ergueu o olhar apenas o suficiente para fitar o amigo por dois segundos e, depois, concentrou-se no balançar de seus sapatos, incapaz de suportar o julgamento que ele lhe fazia.

— Puta merda! Foi o Tyson, né? Cacete. Tonho… – não conseguia nem articular bem as frases.

Na infância, Tonho era sempre o alvo predileto dos valentões do bairro, mas nunca ganhou um olho roxo daqueles. Davi estava sempre por perto para impedir que o bullying não passasse de alguns pescotapas. Dessa vez não foi capaz de impedir mais uma covardia contra o amigo. Via-o, seus quase dois metros encolhidos numa figura patética, com cara de choro, com o olho direito sufocado pelo edema e roxidão. Era capaz de sentir dor por ele. Alguma coisa devia ter quebrado por ali. E também sentia pena.

— Ô seu Chico, traz uma branquinha da boa aqui pra nóis. – falou com algum bom humor, tentando levantar o moral de Tonho, e disfarçar sua preocupação. – E também um pouco de gelo num saquinho.

— Eu tenho até amanhã às oito em ponto pra entregar o terreno pra ele. – falou baixinho, aproveitando que o velho fuxiqueiro se afastou.

— Mas não pode,Tonho. Seu pai comprou aquele terreno com dinheiro suado dele. É seu. De papel passado e tudo.

A cachaça e o gelo chegaram. Davi entregou o copo a ele e já se apoderava da bolsa de gelo.

— Toma.

Tonho virou o líquido e a queimação desceu pela garganta. Deu uma tossidinha contida ao tentar esconder o descostume em beber.

— Vou fazer o que? Ai! – o gelo entrou em contato com a pele ferida de uma vez em seu rosto e Davi fez questão de pressionar bem.

— Segura aí. Ô seu Chico, traz mais uma pra gente.

Tonho manteve a bolsa gelada junto ao rosto, embora a ardência contribuísse mais para a dor do que para o alívio. Ainda assim, era do seu feitio não reclamar.

— Quando o Tyson quer; ele consegue. Não é à toa que é o dono da favela. – ponderou.

— Não é assim que funciona, cara. Você tem que defender o que é seu. Vai pra polícia, sei lá. Sua mulher tá lá te deixando. E você aqui sentado. Vai perder tudo assim? Toma.  – empurrou a nova dose, mas Tonho nem a pegou.

O homem choroso preferiu ignorar a bebida, ignorar os conselhos. Colocou o saco de gelo no balcão e saiu sem mais explicações.

 

Sinceramente, desejava ter um par de óculos de sol bem forte. O sol estava lhe matando mais do que os olhares que encontrava pelo caminho. Queria logo chegar em casa e se fechar no quarto escuro. A falta de luz e pessoas lhe fazia bem. Precisava concatenar um pouco as ideias.

— Ei. Você é o Tonho, filho do seu João? – ouviu perguntarem às suas costas enquanto abria o portão.

Pronto. Agora viria um olhar de surpresa com nojo e mais a maldita pergunta: “o que aconteceu com você?” Embora quisesse muito evitar aquela situação, era educado demais para deixar quem quer que fosse falando sozinho.

— Sou sim. – falou ao se virar.

Não encontrou nada do que esperava. O espanto foi seu. Parado à sua frente um senhor negro sorria-lhe de maneira gentil, apesar dos os dentes amarelados e até a falta de alguns, fosse uma visão grotesca. Mas o que lhe causou um frio na espinha foram aqueles olhos brancos a lhe encarar tão profundamente. O homem era cego. Então, como sabia quem ele era?

— O senhor… – estava pronto para lhe pedir uma explicação, mas foi interrompido.

— Que bom que te encontrei, meu filho. Eu vinha muito aqui. Você era um bebê de colo. – Tonho queria interrompê-lo, mas o homem parecia uma metralhadora de palavras. – A mata aqui perto tá sendo devastada. O que a Mineradora tá fazendo vai trazer a desgraça pra cá. Tem coisa ruim morando na mata. Sai daqui, meu filho… Antes que seja tarde.

Um aviso tão dramático quanto aquele acabou pontuado por um barulho de explosão. A Mineradora abria caminho, bem ali por perto. Barulhos como aquele eram frequentes.

Refeito do susto, voltou-se para o velho e agora teve que lidar com uma súbita taquicardia. Ele simplesmente havia sumido.

 

Acordou e já era noite. O olho ainda doía, mas também as costas, ombros e principalmente o pescoço. O sofá puído, sem dúvida, não era o local mais indicado para uma soneca. Bem, soneca não era a melhor palavra.

Até que para alguém que havia tomado um porre estava muito bem. Não demorou para se lembrar de onde estava e do que havia acontecido. Depois que saiu do bar e foi para casa matutar. Algo havia sido plantado dentro dele. Encontrou a velha carabina do pai e enquanto conferia as engrenagens envelhecidas inflava o peito. As coisas precisavam mudar. Defenderia o que é seu e ainda teria a mulher de volta. Isto se conseguisse puxar o gatilho, pois seu corpo inteiro tremia só de imaginar. Era isso, ou morreria. Chegou à conclusão de que lhe restava a morte certa. Foi por esse motivo que passou as primeiras horas da tarde bebendo todas as bebidas da casa até que adormecesse.

O silêncio era sufocante, mas não tanto quanto a expectativa. Pela calmaria da vizinhança já deveria ter passado da meia noite. Isso queria dizer que faltava menos de oito horas para que Tyson chegasse. Menos de oito horas e um dos dois encontraria seu fim. Os pelos da sua nuca se arrepiaram. Respirou fundo e buscou calma em si mesmo. Ao menos aquilo acabaria.

— Diacho de cachorro. – pulou do sofá quando ouviu o ladrar de Oscar. Parecia vir de todos os cantos e de lugar nenhum. Será que ele veio mais cedo?

Engoliu em seco e o sentimento de mudança ficou entalado na garganta. Os joelhos chocavam-se um no outro e suas pernas não pareciam responder aos seus comandos. Cada passo em direção à porta foi mais difícil que o outro. A carabina, então, pesava uma tonelada. Mas ele chegou à porta da frente e a abriu lentamente. O cano da arma foi o primeiro a espiar para fora. Depois, espichou o olhar para fora e não viu nada além da luz amarela da varanda.

A rua de terra batida era um breu total, mas não havia sinal de Tyson. Menos mal. Mesmo assim, o cachorro continuava a latir.

— Oscar, vem cá. – falou bravo, mas não elevou a voz. Não queria ser ouvido por ninguém. O latido estava cada vez mais longe e vinha dos fundos da casa. Precisou correr para buscar uma lanterna. Pouco tempo depois já estava nos fundos do terreno, varrendo-o com a luz fraca. Depois da cerca baixa feita de sobras de madeira usada havia uma área de grama alta e, em seguida, um resquício de Mata Atlântica. Não era a primeira vez que Oscar se perdia ali.

Dessa vez era diferente. Havia algo no ar, um frio inexplicável que o fazia se arrepender de não ter pegado um casaco. Quando entrou na mata, não percebeu que era abraçado por um nevoeiro rasteiro que não passava das suas canelas. A lanterna ajudava, mas não vencia mais do que dois metros da escuridão à frente. Guiava-se pelos latidos e grunhidos do cão. Não percebia que aquele era o único som que havia. Nada de balançar de galhos ou cricrilar dos grilos. A carabina dava a confiança que precisava e ouvir o choro sofrido de seu amigo canino fazia com que esquecesse de qualquer temor.

Chegou a uma clareira cortada por um fino córrego. O som vinha dali. O cachorro estava lá, desfalecido, mole, morto. Era segurado por um par de mãos esverdeadas, com três dedos cada. A lanterna caiu da sua mão, mas o facho continuava apostando para lá. O que quer que fosse aquilo não tinha mais que um metro. Parecia uma espécie de símio, os braços mais longos que as pernas, olhos ovais e amarelos, o corpo com alguma penugem. A boca ou tromba estava ligada ao pescoço de Oscar e parecia sugá-lo como um canudo. Encarou o intruso com raiva, num aviso para não se aproximar, enquanto seguia firme se fartando com o sangue do pobre Oscar.

O sapato de Tonho estava colado ao chão e o grito engasgava-o. Ainda bem que respirar era uma tarefa automática. Lembrou-se das histórias que seu pai lhe contava e do aviso do velho cego. Ali não era o interior e não havia cabras, nem mais florestas, muito menos outros animais para que aquela criatura pudesse se alimentar. E o chupador estava com fome. Tanta fome que largou a carcaça e deu um grito agudo em direção ao seu expectador.

Tonho viu a bocarra cheia de pequenos dentinhos e coberta de sangue. Ele sabia, era o próximo. Mas o instinto de sobrevivência se sobressaiu. Não iria morrer assim, não daria esse gosto ao Tyson. Precisou vencer a inércia para levantar a carabina numa mira desesperada e imperfeita. O tiro não acertou. O bicho desgraçado continuou gritando e avançando rapidamente. A tremedeira e descoordenação impediam que ele recarregasse a arma. A criatura chegou até ele, agarrando-lhe a perna. A tromba se espichou e se fixou em sua canela.

Eram dezenas de pregos perfurando a pele. A arma caiu enquanto seu corpo esmorecia. A eletricidade percorreu cada fibra do seu ser. E, de alguma forma, sua visão se encheu de estrelas. Ele fechou os olhos e elas continuaram lá. Seus pensamentos estavam presos em sua cabeça. Todos os músculos se contraiam e não executavam as ordens que disparavam do seu cérebro. Cada sugada e cada gota de sangue que se esvaia era sentida. Era como tentar empurrar a parede com o pé. Inútil.

A vontade de sair venceu a paralisia. Ele conseguiu dar um coice curto, mas eficiente, acertando a cara do bicho. Precisou controlar a respiração e buscar forças sabe Deus de onde. Levantou. A perna machucada não dava apoio. Quase caiu. A besta ainda estava no chão, grunhindo, mas iria levantar. Aos tropeços ele deu um novo chute. A perna ferida não estava tão inútil afinal. E conseguiu alguns segundos de vantagem.

Perdeu o equilíbrio e parte das forças. De joelhos estava perigosamente perto do monstrengo. Seus dedos se agarram em algo. Para sua sorte, havia alguma providência divina pronta a lhe ajudar. O bicho veio com tudo, apoiado nas quatro patas e com a bocarra escancarada. Só precisou de força o suficiente para posicionar a carabina o melhor que pôde. Ele estava perigosamente perto. Não precisou caprichar muito dessa vez, felizmente. O gatilho pareceu emperrado, duro, e precisou de toda vontade que nunca foi capaz de ter em toda sua vida para puxá-lo. A besta deu seu último grito de ameaça.

Ele empapou-se de sangue, miolos e suor. Soltou um longo suspiro e uma lágrima escorreu. Então riu. Um riso alto e libertador. Deixou-se cair de cara no chão, sentindo a dureza da terra pedregosa, cheia de musgo e folhas. A chuva veio de uma vez para lavar sua alma.

Adormeceu. As poucas horas que restavam para a manhã passaram. Apesar do cansaço, ele acordou numa pontualidade de dar inveja a qualquer despertador. Dez para as oito ele estava de pé. O sol quente da manhã era o seu relógio. Esticou as costas num alongamento preguiçoso. Parecia que havia tido uma excelente noite de sono. Pegou a carabina com carinho e encarou a fera que ainda jazia morta bem próximo a si. A caminhada não seria tão longa de volta à sua casa e a faria com prazer. Havia livrado a floresta de um monstro, enfim, se livraria de seu próprio monstro. Tonho, ou Tonhão como seria conhecido dali para frente, estava pronto para fazer o Tyson comer chumbo.

Resenha | Como Melhorar um Texto Literário

Os livros da série “Guias do Escritor” (editora Gutenberg) têm se mostrado uma surpresa à parte. Já apresentamos aqui três volumes da série: “Os Segredos da Criatividade”, “Como Narrar uma História” e “Como Escrever Diálogos”. Agora é hora de trazer a resenha do livro “Como Melhorar um Texto Literário”, dos autores Lola Sabarich e Felipe Dintel.

A linguagem leve, capítulos bem escritos e explicativos, e a leitura fluida tão presente nos volumes anteriores se repete, mostrando que são tópicos obrigatórios nos livros da série. Tudo isso contribui para que o livro fique com aquela cara de manual para ser consultado sempre que houver necessidade.

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Conto | Noiva Insana

As pálpebras foram as primeiras partes que ela arrancou. Não houve dor, eu estava sedado. Tudo voltou num borrão e as engrenagens dentro da minha cabeça ora rodavam demais, ora de menos. Eu me esforçava para piscar e poder limpar a visão, mas não havia membrana alguma que cobrisse meus olhos.Uma gota gelada em cada olho e tudo pareceu melhorar. Pude me ver enfim, estirado na cama, como da última vez, nu, refletido no imenso espelho instalado no teto, com uma estrutura presa à cabeceira da mesa. Não sabia o que era, mas não estava ali quando apaguei.

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Resenha | Como Encontrar Seu Estilo de Escrever

Da série Livros para Escritores

Todo escritor quer ser lido. No entanto, mais do que levar a nossa obra até os leitores, também queremos ser reconhecidos pelo que colocamos no papel. Encontrar a nossa voz é quase a procura pelo Graal e o motivo para buscar nossa evolução. Ao rascunhar as primeiras palavras e ideias, ainda naqueles rabiscos iniciais, quando começamos a brincar de escrever, é natural que imitemos nossos autores preferidos. Com o tempo, vamos percebendo a necessidade de deixar o texto com um toque pessoal, como uma assinatura. Foi com o intuito de melhorar minha escrita e encontrar a minha voz que me engajei na leitura do livro do Francisco CastroComo encontrar seu Estilo de escrever.

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Conto | Mas é pavê ou pá…

Precisei abrir o primeiro botão da calça. Naquele ritmo, terminaria a noite mais obeso do que o leitão que devoramos. Largado para trás, começava a achar a cadeira o local mais confortável do mundo. O calor, tão comum em dezembro, era ainda pior com o estômago cheio. Meus movimentos eram letárgicos e suor escorria em grossas gotas. Seria culpa do vinho ou daquela lerdeza após uma refeição farta?

Não dispensava atenção a mais nada. Não que não quisesse, mas era simplesmente impossível. Estava curtindo aquele momento único de contemplação, perdido em pensamentos, sentido a barriga cheia e hipnotizado pelas luzes que piscavam coloridas do lado de fora da janela. Não dava para responder à tia que perguntava sobre “as namoradinhas”, ou ao pai pedindo que fosse buscar mais uma cerveja, nem ajudar a avó que trazia mais uma pesada travessa de alguma guloseima. Pelo amor de Deus, não cabe mais nada aqui dentro! Dava tapinhas pouco acima do umbigo esperando que houvesse algum alívio. Os primos menores, correndo e gritando pela casa, me perguntavam alguma coisa com insistência. Eles, eu fazia questão de ignorar. Continuar lendo “Conto | Mas é pavê ou pá…”

Entrevista | André Vianco

Não é todo dia que você tem a oportunidade de tomar um cafezinho com um dos mais emblemáticos escritores nacionais da atualidade. Morar em Osasco tem as suas vantagens. André Vianco, o homem que trouxe os vampiros para o Brasil, disponibilizou um tempo na agenda para esta entrevista interessante e esclarecedora.

Quando André Vianco resolveu colocar vampiros nas ruas de Osasco as coisas mudaram. A cidade se tornou palco de uma contenda nunca antes concebida e a literatura nacional atual acabava de ganhar um dos seus maiores nomes. Dezesseis anos depois, Vianco é referência quando o assunto é escrever sobre o que é nosso. Sem dúvida ele foi um dos pioneiros em trazer toda a mudança que a literatura sofreu nos últimos. Ele abriu portas e possibilidades que até então eram pouco cogitadas pelos escritores. Seus livros com vendas expressivas arrebataram milhares de fãs por todo esse Brasil e influenciaram uma nova geração de contadores de histórias. Continuar lendo “Entrevista | André Vianco”

Resenha | Dartana

O novo livro de André Vianco, Dartana (Fábrica 231, 2016), é uma surpresa para seus leitores. Sem dúvida este livro é completamente diferente de tudo que ele já publicou, mas sem deixar de lado sua voz narrativa, que conquistou uma legião de fãs.

Dartana é um planeta mergulhado na sombria ignorância. Seus viventes não conseguem adquirir nenhum conhecimento ou ter pensamentos mais complexos; portas são apenas pedaços de madeira que fecham de maneira rudimentar a entrada de suas casas, animais ficam soltos nos campos sem que haja qualquer tipo de cerca para prendê-los. Ali, ninguém parece capaz de sequer inventar a roda e não há qualquer tecnologia, parece uma vida de homem das cavernas. Como se não bastasse, doenças e a falta de uma agropecuária satisfatória pioram ainda mais as coisas no desolado planeta. Continuar lendo “Resenha | Dartana”