Resenha | Como encontrar seu estilo de escrever

Por: Camila Servello Aguirre

Da série Livros para Escritores

Todo escritor quer ser lido. No entanto, mais do que levar a nossa obra até os leitores, também queremos ser reconhecidos pelo que colocamos no papel. Encontrar a nossa voz é quase a procura pelo Graal e o motivo para buscar nossa evolução. Ao rascunhar as primeiras palavras e ideias, ainda naqueles rabiscos iniciais, quando começamos a brincar de escrever, é natural que imitemos nossos autores preferidos. Com o tempo, vamos percebendo a necessidade de deixar o texto com um toque pessoal, como uma assinatura. Foi com o intuito de melhorar minha escrita e encontrar a minha voz que me engajei na leitura do livro do Francisco CastroComo encontrar seu Estilo de escrever.

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Conto | Maldita Noite de Oktoberfest

Por: Dyego Alekssander Maas

DESABAFO – 10 de Julho de 2015

Recusaram outro conto meu. Já faz dois anos que escrevo e ainda não tenho um conto sequer selecionado para uma antologia. Talvez seja a minha insistência em escrever contos de terror. Já me disseram que tenho uma mania de inventar moda e tentar inovar demais. Quer saber? Que se fodam as antologias, e que se foda o que os outros pensam.

FIM – 11 de Julho de 2015

Este é provavelmente meu último post. Escrever talvez não seja para mim, e o meu ego já não suporta mais os golpes cruéis e desproporcionados da crítica, sempre dura e às vezes injusta. Assim sendo, não espere por novidades tão cedo.

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Entrevista | Dame Blanche

Por: Adele Lazarin

Ser escritor no Brasil não é fácil. Ser editor, menos ainda. Mesmo assim, trabalhar em uma editora é um dos trabalhos mais almejados por milhares de leitores espalhados pelo país. Afinal, nada melhor do que unir paixão e emprego dos sonhos, não é mesmo? Considerando a crise em que o mercado editorial está inserido hoje, muitos empreendedores enxergam o momento como uma oportunidade de começar algo novo e abrir a própria editora independente.

Foi o caso da Dame Blanche, editora fundada por Anna Fagundes Martino* e Clara Madrigano, com o apoio do fofíssimo mascote River (conhecido também como o cachorro estagiário responsável por comer manuscritos e aquecer os pés das pessoas em dias frios). A Dame Blanche nasceu do mesmo amor que une todos nós do Conte Histórias: a literatura. Antes de editoras dedicadas, Anna e Clara são leitoras, e sabem muito bem o que desejam encontrar nas estantes das livrarias (virtuais e físicas).

Com dois livros já lançados, as duas empreendedoras agora se preparam para trazer novidades ao mercado literário, não se esquecendo nunca do quão importante é o papel do leitor nesse processo. Leia abaixo nossa entrevista com Anna e Clara, onde elas falam sobre a Dame Blanche, o mercado nacional, os desafios de uma editora independente e o que elas esperam do futuro.

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Resenha | Daytripper

Por: André Diniz

Dificilmente você encontrará algo que trate de uma maneira tão sutil e bela temas como vida/morte quanto Daytripper (publicado pela Panini), dos brasileiros e irmãos gêmeos: Fábio Moon e Gabriel Bá.

Brás de Oliveira Domingos é o narrador-personagem que nos leva através de várias linhas temporais diferentes, construindo capítulos com trajetórias e finais recheados de questionamentos. Além disso, como o próprio nome do personagem alude, há uma clara referência ao romance de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. O diálogo entre as duas obras funciona como atualização dos temas, todavia, há uma leve diferença na abordagem, o que traz novos ares para as discussões.

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Resenha | Os 13 Porquês

Por: Diego Vieira

Os 13 Porquês (Ática, 2009) foi o livro de estreia do autor Jay Asher e está às vésperas de ganhar uma adaptação para a TV pela Netflix. A história acompanha Clay Jensen, um adolescente que recebe pelo correio uma caixa de sapatos com sete fitas cassete, onde Hanna Baker, seu primeiro amor, descreve as 13 razões que a levaram a acabar com a própria vida.

A ideia para o livro surgiu da história de uma parente próxima, que tentara o suicídio anos antes. O autor afirma que ela nunca conseguira estabelecer uma situação em especifica sem contar o que precedera ou o que se seguira a sua decisão, dando a ideia de que tudo afeta tudo.

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Resenha | A menina que Roubava Livros

Por: Adele Lazarin

Em 2007, há exatos dez anos, o mundo foi apresentado à emocionante história de Liesel Meminger em A Menina que Roubava Livros, escrito por Markus Zusak e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. A obra – que mescla ficção com um período assustador da história mundial – já é considerada um clássico juvenil desta geração e ganhou, inclusive, uma adaptação cinematográfica lançada em 2014.

A Menina que Roubava Livros é narrado pela personificação da Morte. Vemos tudo através dos olhos dela. No livro, Liesel Meminger é uma menina alemã que vive o auge do Regime Nazista e do domínio de Hitler. Ela é lançada nos braços de uma estranha família sem saber o motivo, enquanto a mãe biológica desaparece de sua vida e o irmão mais novo é levado pela Morte, deixando-a completamente sozinha. Pelo menos, no começo. Ao mesmo tempo, Liesel descobre aquilo que a definiria pelo resto da vida: o prazer em roubar livros.

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Conto | Um Levante na Noite

Por: Tiara Gonçalves

Havia uma goteira no abrigo. Uma goteira insistente que, mesmo após a tempestade ter se dissipado, persistia. Itta contava as gotas que caíam e agradecia internamente por aquela ser a única goteira. Nas últimas chuvas, o teto quase cedera e tiveram que passar muito tempo substituindo a madeira velha, que cobria o local abafado sem janelas e com portas reforçadas. Seu abrigo e prisão nos últimos três anos.

Ela rolou no chão de terra batida, procurando uma posição menos desconfortável. O dia fora longo. Os capatazes os fizeram trabalhar além do horário, pareciam ter pressa em extrair os minérios. Muita pressa.

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