Conto | O segredo de um bom vilão

Havia uma bomba embaixo da mesa de jantar.

Mas aqueles que estavam sentados à mesa de jantar não sabiam disso.

A única que sabia que algo muito estranho estava acontecendo era Nina, a filha que não gostava de jantares em família e que, por acaso, estava amarrada em um quarto logo acima da sala onde seus desafortunados pais e irmãos comiam.

E, claro, a pessoa que implantou a bomba e pretendia matar todos ali.

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Crônica | As Armadilhas do Feijão Carioca

A primeira coisa que você precisa saber sobre cariocas é que eles não gostam de feijão carioca. Ironicamente, o feijão mais gostoso deste país não é tão apreciado assim na cidade que leva o mesmo nome. No Rio de Janeiro, o feijão mais adorado é aquele preto, usado principalmente na feijoada.

O que, para mim, é uma tristeza sem fim.

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Conto | Através da chuva

Para onde ir quando não se tem ninguém?

Lisa girou a maçaneta e correu para fora de casa com um único pensamento em mente: fugir. Não sabia aonde devia ir, apenas que precisava fugir. Deixou a porta aberta e pulou o último degrau da escadinha que conduzia ao jardim, caindo em uma poça de lama criada pela chuva e sujando as galochas vermelhas.

Olhou por apenas um segundo para as botas feitas de borracha e decidiu que estar impecavelmente limpa não era tão importante assim. Um pouco de lama lhe caía bem. Outro segundo e já estava com a sombrinha nos ombros, quase tão grande quanto seu corpo miúdo, a cor berrante combinando com as galochas.

Estava pronta. Ou, pelo menos, se sentia pronta.

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Crônica | Sussurros na Noite

Acordei no meio da noite com alguém em minha casa.

Eram apenas 2h da manhã quando ouvi um ruído estranho vindo da sala. Parecia um chiado, vozes murmurando algo incompreensível, bem ao lado da porta do quarto.

Congelei na hora.

As vozes cochichavam apressadas, como se estivessem tramando algo. Olhei para meu namorado, que dormia sem muitas preocupações ao lado, e tentei acordá-lo.

— Amor — sussurrei.

Ele roncou em resposta. Cheguei bem perto de seu ouvido e tentei de novo.

— Amor.

Ele virou de costas e roncou mais alto ainda. Não adiantava. Estava sozinha. E o que era pior: precisava ir ao banheiro.

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12 QUADRINHOS COM PROTAGONISMO FEMININO

Por muito tempo acreditou-se que quadrinho era coisa de homem. Não é e nunca foi. Por mais que ainda seja uma mídia (outra) em que as mulheres precisem lutar para ganhar espaço, existem muitas obras incríveis ressaltando o protagonismo feminino. São histórias de aventura, drama, fantasia e ficção científica recheadas de personagens – garotas e mulheres – com bastante personalidade e que vieram nos mostrar que o mundo é nosso também.

Montei uma lista com 12 quadrinhos que nos apresentam personagens femininas como protagonistas. São histórias que li recentemente, apenas um pequeno exemplo de tantas obras incríveis disponíveis por aí, então muita coisa bacana ficou de fora.

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Conto | Quando a noite chega

Isabela bateu a porta atrás de si, os dedos tremendo enquanto buscavam a fechadura. Suor escorria por todo o corpo e as mãos deslizaram no metal frio da chave, sem conseguir girá-la com firmeza e trancar a porta.

As pernas e os braços também começaram a tremer, como se estivessem sofrendo com pequenos espasmos ocasionados por um choque intenso. O tornozelo direito gritava de dor, incapaz de sustentar o corpo ferido por muito mais tempo. Ela se jogou no chão de terra úmida com um gemido quase inaudível, a mão ainda agarrada à maçaneta destrancada.

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Crônica | Tradição de Natal

24 de outubro.

— Amor, me ajuda a montar a árvore de Natal?

— Meu bem, ainda estamos em outubro!

— Pois é, só faltam dois meses para o Natal e quero aproveitar a nossa decoração ao máximo.

— Você quer dizer que AINDA faltam dois meses para o Natal, né?

— Ah, amor, o centro da cidade já está todo decorado.

— É claro, as lojas precisam vender.

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Crônicas de uma corrida (ou minha tentativa frustrada de fazer exercícios)

Acho que vou começar a correr hoje. Sim, me decidi! Hoje é um bom dia para correr.

Mas hoje é sábado, não preciso acordar tão cedo assim, posso dormir mais um pouquinho. Vou programar o despertador para me acordar daqui a uma hora.

Já se passou uma hora? Ainda tenho tanto sono, vou dormir só mais dez minutinhos.

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Entrevista | Julia Romeu

Conheci Julia Romeu no início deste ano, no primeiro encontro do Leia Mulheres Rio de Janeiro de 2017. Nós nos reunimos para falar sobre Hibisco Roxo, livro da nigeriana Chimamanda Adichie, reconhecida mundialmente como uma das melhores escritoras de sua geração.

Participei poucas vezes do encontro, é verdade, mas nunca havia visto tantas pessoas reunidas naquele grupo e interessadas em conversar sobre uma autora antes. Entre os vários rostos que se ergueram para falar sobre a obra, o de Julia logo se destacou. Sentada em um dos cantos da livraria e, a princípio, tímida, não demorou para que a voz de Julia chamasse a atenção de todos ali.

Qual não foi a nossa surpresa, então, quando descobrimos que ela havia traduzido Hibisco Roxo.

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Entrevista | Dame Blanche

Ser escritor no Brasil não é fácil. Ser editor, menos ainda. Mesmo assim, trabalhar em uma editora é um dos trabalhos mais almejados por milhares de leitores espalhados pelo país. Afinal, nada melhor do que unir paixão e emprego dos sonhos, não é mesmo? Considerando a crise em que o mercado editorial está inserido hoje, muitos empreendedores enxergam o momento como uma oportunidade de começar algo novo e abrir a própria editora independente.

Foi o caso da Dame Blanche, editora fundada por Anna Fagundes Martino* e Clara Madrigano, com o apoio do fofíssimo mascote River (conhecido também como o cachorro estagiário responsável por comer manuscritos e aquecer os pés das pessoas em dias frios). A Dame Blanche nasceu do mesmo amor que une todos nós do Conte Histórias: a literatura. Antes de editoras dedicadas, Anna e Clara são leitoras, e sabem muito bem o que desejam encontrar nas estantes das livrarias (virtuais e físicas).

Com dois livros já lançados, as duas empreendedoras agora se preparam para trazer novidades ao mercado literário, não se esquecendo nunca do quão importante é o papel do leitor nesse processo. Leia abaixo nossa entrevista com Anna e Clara, onde elas falam sobre a Dame Blanche, o mercado nacional, os desafios de uma editora independente e o que elas esperam do futuro.

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