“Papai?”, perguntou a menina que avançava com dificuldade na neve que subia até os joelhos, segurando o ursinho de pelúcia numa das mãos, e a mão do pai na outra.
“Sim?”, respondeu o pai por baixo da grossa balaclava de lã que cobria seu rosto, quase gritando para vencer o ruído ensurdecedor da nevasca.
“O titio vai ficar bem?”
Era uma pergunta difícil. Lucas apertou a mãozinha da filha, e mesmo através das luvas grossas, sentiu na mão da menina o mesmo tremor irregular da sua voz. O tremor, ele conhecia a filha afinal, não era do frio, mas de uma preocupação mais profunda, uma desconfiança ou prenúncio do que estava por vir.
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