Resenha | Jogador Número Dois

Escrito por Ernest Cline como continuação direta do primeiro livro, “Jogador Número Dois” (Intrínseca, 2021, com tradução de Giu Alonso e Flora Pinheiro) retoma o ponto em que o protagonista Wade Watts venceu o desafio proposto pelo falecido bilionário James Halliday e se tornou proprietário do mundo virtual conhecido como Oasis.

A pergunta bastante comum que os leitores de “Jogador Número Um” fazem é respondida de forma satisfatória ao longo de 416 páginas: há uma história a ser contada após o desfecho do primeiro romance. O problema é que, infelizmente, essa história não foi bem desenvolvida pelo autor.

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Artigo | Jornada Literária - Personagem Principal

Nesta série exclusiva do Conte Histórias, percorremos todos os caminhos que compõem a criação literária, da ideia à edição, passando pela criação de universos e personagens. Um espaço ideal para quem deseja conhecer as técnicas de contar histórias ou mesmo descobrir a matéria-prima que compõe a ficção.

Personagem Principal

O primeiro parágrafo de Armada, romance escrito por Ernest Cline, é um dos melhores exemplos recentes de como apresentar o personagem principal logo no início da história:

Eu estava olhando pela janela da sala de aula, sonhando com aventuras, quando avistei o disco voador.

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Resenha | Jogador Nº1

Adaptado para o cinema por ninguém menos que Steven Spielberg, “Jogador Nº1” (Editora Leya, 2015, com tradução de Carolina Caires Coelho) não é uma história convencional. Para começar, poucas obras foram capazes de reunir tantas referências à cultura pop de maneira tão orgânica quanto o romance de Ernest Cline. Em 464 páginas, o autor estadunidense conduz o leitor através de uma jornada pelo imaginário nerd com foco especial nos anos 1980.

Outro aspecto que chama a atenção é que, ainda no prólogo, Cline estabelece para o público que o protagonista, o jovem Wade Watts, alcançou parte de seu objetivo. E não é difícil para o leitor mais atento perceber que o herói teve êxito em sua missão. No entanto, apesar dessa revelação, a narrativa fisga o leitor com uma questão simples: como diabos ele conseguiu?

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Resenha | Armada

Uma viagem pela cultura pop. Esta talvez seja a melhor definição para o estilo do escritor Ernest Cline. Fanático por ficção científica e games, Cline, assim como o diretor Quentin Tarantino, trabalhou em sua juventude como atendente em uma locadora de vídeos e teve acesso a uma infinidade de filmes que ajudou a moldar sua base autoral. Em boa parte, o que vemos nas 432 páginas de Armada (Leya, 2015) é uma compilação de filmes, séries, jogos e músicas que fizeram sucesso dos anos 1960 até os dias atuais.

Em termos narrativos, o autor repete em Armada o ponto de vista adotado em Jogador Nº 1, seu primeiro best-seller. A história é narrada em primeira pessoa e o leitor é levado a mergulhar no interior do protagonista, conhecendo seus sonhos e temores. Contudo, ao contrário de Jogador Nº 1 onde o personagem principal oferece o desfecho da aventura no prólogo e passa a contar como tudo aconteceu, em Armada os acontecimentos seguem uma linha do tempo mais tradicional. Continuar lendo “Resenha | Armada”