Artigo | Aquele 1% de inspiração

Por: Michel Costa

Quando um livro de ficção chega às mãos do leitor, uma pergunta costuma ser inerente à história: de onde surgiu essa ideia? Sem dúvida, uma obra de ficção evoca questões que fogem de simples regras gramaticais ou referências bibliográficas. Existe algo invisível, nascido da imaginação de alguém, e, quanto mais criativo e envolvente, mais cativante se torna aos olhos do público. No entanto, a maioria das pessoas não sabe que esse mesmo texto permeado de inspiração segue uma estrutura muito bem pensada e definida na qual pouca coisa nasce do mero improviso.

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Lista | Top 10 – Adaptações de livros em 2017

Por: Michel Costa

Alguns livros se tornam amados por um público tão grande que suas histórias extrapolam as páginas e invadem as telas do mundo inteiro, arregimentando mais e mais fãs para essas obras. Neste novo ano que inicia, o blog Conte Histórias reuniu as principais adaptações literárias para o cinema e o resultado você acompanha a seguir: Continuar lendo “Lista | Top 10 – Adaptações de livros em 2017”

Crônica | A várzea

Por: Michel Costa

Quando chegamos, só havia mato. Literalmente. O trajeto para o campo era feito através de uma trilha que serpenteava entre os arbustos. Ao final dela, encontrávamos o famoso Campinho da Bananeira. Nunca descobrimos porque ele tinha recebido esse nome, afinal, não se avistava nenhuma bananeira por perto. É provável que ela já tivesse dado seus cachos e sido arrancada por algum desalmado.

O gramado era uma obra de arte. Como não havia dinheiro para um sistema de drenagem, a própria natureza se encarregou de resolver o problema com um declive de, pelo menos, 15 graus. Assim, a chuva logo escoava estrada abaixo, deixando a grama sequinha de novo. Grama esta que não nascia no habitat dos goleiros, como orienta os melhores manuais varzeanos. E, como simetria é coisa de quem sofre de TOC, as linhas de fundo não tinham, necessariamente, o mesmo comprimento. Continuar lendo “Crônica | A várzea”

Resenha | Armada

Por: Michel Costa

Uma viagem pela cultura pop. Esta talvez seja a melhor definição para o estilo do escritor Ernest Cline. Fanático por ficção científica e games, Cline, assim como o diretor Quentin Tarantino, trabalhou em sua juventude como atendente em uma locadora de vídeos e teve acesso a uma infinidade de filmes que ajudou a moldar sua base autoral. Em boa parte, o que vemos nas 432 páginas de Armada (Leya, 2015) é uma compilação de filmes, séries, jogos e músicas que fizeram sucesso dos anos 1960 até os dias atuais.

Em termos narrativos, o autor repete em Armada o ponto de vista adotado em Jogador Nº 1, seu primeiro best-seller. A história é narrada em primeira pessoa e o leitor é levado a mergulhar no interior do protagonista, conhecendo seus sonhos e temores. Contudo, ao contrário de Jogador Nº 1 onde o personagem principal oferece o desfecho da aventura no prólogo e passa a contar como tudo aconteceu, em Armada os acontecimentos seguem uma linha do tempo mais tradicional. Continuar lendo “Resenha | Armada”

Artigo | A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser

Por: Michel Costa

Ao se deparar com as inúmeras críticas recebidas pelo filme Batman vs Superman, o diretor Zack Snyder não teve dúvidas na hora de apontar a razão para o blockbuster baseado nos dois maiores ícones da DC Comics ter ficado aquém das expectativas: “A principal coisa que aprendi foi que as pessoas não gostam de ver seus heróis serem desconstruídos. É difícil porque são personagens com os quais crescemos e com os quais nos acostumamos. Gostamos de vê-los em toda a sua glória”, afirmou durante as filmagens de Liga da Justiça.

Por sua vez, após amargar decepções cinematográficas como a adaptação do anime Speed Racer e, posteriormente, com O Destino de Júpiter, as irmãs Wachowski escolheram o mercado – “a indústria hoje está vivendo da criação de produtos, não de arte.” – e o público – “voltamos a ser crianças que querem a mesma história de ninar todos os dias, de novo e de novo.” – como motivos para os fracassos. Continuar lendo “Artigo | A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”

Resenha | Vocação para o Mal

Por: Michel Costa

J.K. Rowling acertou mais uma vez. Ou melhor, Robert Galbraith, pseudônimo menos famoso por trás da obra. Vocação para o Mal (Rocco, 2016) é a continuação perfeita para as histórias de Cormoran Strike e dá sequência à saga iniciada com O Chamado do Cuco (Rocco, 2014) e sucedida por O Bicho-da-Seda (Rocco, 2015), estabelecendo com mais força o cânone do detetive inglês.

Nesta aventura, Strike se vê diante de um novo e instigante caso quando Robin Ellacott, sua assistente, é destinatária de uma caixa contendo uma perna feminina decepada. Para espanto da dupla de investigadores, o membro solitário vem acompanhado de um bilhete com a estrofe final de uma canção do Blue Öyster Cult, curiosamente, a banda preferida da falecida mãe de Strike, a super groupie Leda. Continuar lendo “Resenha | Vocação para o Mal”

Artigo | Distopias Incríveis

Por: Michel Costa

Antes de iniciar a leitura de um romance fantástico, o leitor estabelece um acordo tácito com o escritor: ele se dispõe a acreditar que quaisquer eventos ou personagens são possíveis desde que o escritor estabeleça regras tornando aquele universo crível dentro do proposto. Trata-se de um pacto que, se quebrado, dificilmente poderá ser restaurado. Continuar lendo “Artigo | Distopias Incríveis”