Resenha | Os 13 Porquês3 min de leitura

Os 13 Porquês (Ática, 2009) foi o livro de estreia do autor Jay Asher e está às vésperas de ganhar uma adaptação para a TV pela Netflix. A história acompanha Clay Jensen, um adolescente que recebe pelo correio uma caixa de sapatos com sete fitas cassete, onde Hanna Baker, seu primeiro amor, descreve as 13 razões que a levaram a acabar com a própria vida.

A ideia para o livro surgiu da história de uma parente próxima, que tentara o suicídio anos antes. O autor afirma que ela nunca conseguira estabelecer uma situação em especifica sem contar o que precedera ou o que se seguira a sua decisão, dando a ideia de que tudo afeta tudo.

É com esse “efeito bola de neve” que Hanna conduz sua história. Cada lado das fitas faz menção a uma pessoa diferente da escola que teve influência em sua decisão. De situações simples como o primeiro beijo até estupro, cada situação tem um impacto diferente e a narradora das fitas explica como cada caso se conecta para aumentar sua frustração com a vida.

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A narrativa ganha ainda mais força com os pensamentos de Clay conforme ele ouve as fitas. A trama não se limita a narrar fatos; os comentários do adolescente fazem um contraponto interessante as convicções de Hanna, já que são uma perspectiva externa. Clay representa o leitor no trabalho de tentar entender o que se passa na mente de alguém que tem ideias suicidas de forma competente por não aceitar ou entender o que acontece com a garota.

Se precisarmos definir a obra de Jay Asher em uma palavra, esta será empatia. Não se trata de aceitação ou justificativa. As fitas entregues pela personagem principal têm a função de contar o que aconteceu, entregar uma redenção que a adolescente não alcançou em vida, mas gritam algo muito maior do que simplesmente o conhecimento das razões que a levaram ao suicídio.

Assim como cada experiência é individual, assim são as razões de Hanna. Muito do que ela descreveu poderia ser encarado de forma totalmente diferente se vivido por qualquer outro personagem da trama. O papel da empatia aqui é procurar não entender, mas aceitar que cada pessoa influencia a vida de outra de forma específica e que cada experiência é única.

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O livro atinge picos de tensão ao mostrar os momentos exatos onde, em desespero, Clay começa a entender como Hanna realmente estava. Da garota que ele sempre sonhara em conhecer melhor, até a frustrada e decidida a dar um fim a própria vida, ele encara o fato de que, por mais que as ações dela o frustrem, que a forma como ela encarou as pessoas e a forma como ela gritou por ajuda, eram o seu jeito particular de reagir ao mundo.

Fica aqui o convite. Acompanhe Clay nessa jornada enquanto ele ouve cada uma das 13 fitas e compreende cada um dos porquês que levaram ao fim, ou ao início, dessa história. Ao final, não entenda, não contraponha; feche os olhos, reflita e aceite. Você não vai se arrepender.

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Diego Vieira

Paulistano, formado em Marketing e viciado em séries. Ler é outro vicio que possui. Começou com Agatha Christie, passou por Sidney Sheldon e conheceu a obra de James Patterson, que influencia muitos de seus trabalhos em desenvolvimento. Comprou um kindle, mas não abre mão do livro físico e sempre tem um a mão. Ama contar histórias desde que aprendeu a falar e sonha viver disso. Acredita que qualquer situação pode gerar uma boa história, principalmente com uma dose de mistério e fantasia.
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