Resenha | Em Águas Sombrias

Segundo romance de Paula Hawkins, “Em Águas Sombrias” (Record, 2017) apresenta o drama vivido pelos habitantes da pequena Beckford, cidade situada no norte da Inglaterra conhecida pelos diversos afogamentos de mulheres ao longo dos séculos. Essa trágica sina começa a mudar quando Jules Abbot recebe em Londres a notícia de que Nel, sua irmã mais velha, também foi encontrada sem vida no local conhecido como “Poço dos Afogamentos”. Obrigada a retornar ao lugar que a traumatizou na adolescência, Jules se vê diante de um mistério que envolve não só a morte da irmã como seus próprios fantasmas do passado.

Continuar lendo “Resenha | Em Águas Sombrias”

Artigo | Por que os brasileiros leem poucos livros?

Apesar de recorrente em qualquer debate sobre literatura, a máxima de que o brasileiro lê pouco não é inteiramente verdadeira. Com a internet e as redes sociais, o que mais vemos são pessoas consumindo informação escrita. Seja através de mensagens curtas, passando pelos “textões” de Facebook até chegarmos ao conteúdo jornalístico impresso e digital, vemos muitos leitores em ação.

Todavia, no que diz respeito a livros, o Brasil realmente sofre com um número de leitores abaixo do desejável para um país que busca se desenvolver. Segundo ranking elaborado pela agência Nop World, ocupamos a 27ª posição entre trinta países quando o assunto são horas semanais dedicadas à leitura. Paralelamente, figuramos no Top 10 no que diz respeito à televisão, rádio e internet.

Continuar lendo “Artigo | Por que os brasileiros leem poucos livros?”

Artigo | Aquele 1% de inspiração

Quando um livro de ficção chega às mãos do leitor, uma pergunta costuma ser inerente à história: de onde surgiu essa ideia? Sem dúvida, uma obra de ficção evoca questões que fogem de simples regras gramaticais ou referências bibliográficas. Existe algo invisível, nascido da imaginação de alguém, e, quanto mais criativo e envolvente, mais cativante se torna aos olhos do público. No entanto, a maioria das pessoas não sabe que esse mesmo texto permeado de inspiração segue uma estrutura muito bem pensada e definida na qual pouca coisa nasce do mero improviso.

Continuar lendo “Artigo | Aquele 1% de inspiração”

Lista | Top 10 – Adaptações de livros em 2017

Alguns livros se tornam amados por um público tão grande que suas histórias extrapolam as páginas e invadem as telas do mundo inteiro, arregimentando mais e mais fãs para essas obras. Neste novo ano que inicia, o blog Conte Histórias reuniu as principais adaptações literárias para o cinema e o resultado você acompanha a seguir: Continuar lendo “Lista | Top 10 – Adaptações de livros em 2017”

Crônica | A várzea

Quando chegamos, só havia mato. Literalmente. O trajeto para o campo era feito através de uma trilha que serpenteava entre os arbustos. Ao final dela, encontrávamos o famoso Campinho da Bananeira. Nunca descobrimos porque ele tinha recebido esse nome, afinal, não se avistava nenhuma bananeira por perto. É provável que ela já tivesse dado seus cachos e sido arrancada por algum desalmado.

O gramado era uma obra de arte. Como não havia dinheiro para um sistema de drenagem, a própria natureza se encarregou de resolver o problema com um declive de, pelo menos, 15 graus. Assim, a chuva logo escoava estrada abaixo, deixando a grama sequinha de novo. Grama esta que não nascia no habitat dos goleiros, como orienta os melhores manuais varzeanos. E, como simetria é coisa de quem sofre de TOC, as linhas de fundo não tinham, necessariamente, o mesmo comprimento. Continuar lendo “Crônica | A várzea”

Resenha | Armada

Uma viagem pela cultura pop. Esta talvez seja a melhor definição para o estilo do escritor Ernest Cline. Fanático por ficção científica e games, Cline, assim como o diretor Quentin Tarantino, trabalhou em sua juventude como atendente em uma locadora de vídeos e teve acesso a uma infinidade de filmes que ajudou a moldar sua base autoral. Em boa parte, o que vemos nas 432 páginas de Armada (Leya, 2015) é uma compilação de filmes, séries, jogos e músicas que fizeram sucesso dos anos 1960 até os dias atuais.

Em termos narrativos, o autor repete em Armada o ponto de vista adotado em Jogador Nº 1, seu primeiro best-seller. A história é narrada em primeira pessoa e o leitor é levado a mergulhar no interior do protagonista, conhecendo seus sonhos e temores. Contudo, ao contrário de Jogador Nº 1 onde o personagem principal oferece o desfecho da aventura no prólogo e passa a contar como tudo aconteceu, em Armada os acontecimentos seguem uma linha do tempo mais tradicional. Continuar lendo “Resenha | Armada”

Artigo | A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser

Ao se deparar com as inúmeras críticas recebidas pelo filme Batman vs Superman, o diretor Zack Snyder não teve dúvidas na hora de apontar a razão para o blockbuster baseado nos dois maiores ícones da DC Comics ter ficado aquém das expectativas: “A principal coisa que aprendi foi que as pessoas não gostam de ver seus heróis serem desconstruídos. É difícil porque são personagens com os quais crescemos e com os quais nos acostumamos. Gostamos de vê-los em toda a sua glória”, afirmou durante as filmagens de Liga da Justiça.

Por sua vez, após amargar decepções cinematográficas como a adaptação do anime Speed Racer e, posteriormente, com O Destino de Júpiter, as irmãs Wachowski escolheram o mercado – “a indústria hoje está vivendo da criação de produtos, não de arte.” – e o público – “voltamos a ser crianças que querem a mesma história de ninar todos os dias, de novo e de novo.” – como motivos para os fracassos. Continuar lendo “Artigo | A culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”