O elevador abriu as portas.
Ela estava ali, diante dele, talvez o mais perfeito anjo que tivesse cruzado seu caminho. Nunca a tinha visto no prédio.
– Esse é o elevador mais antigo da cidade inteira – disse a ela (mas queria dizer “Oi, tudo bem?”).
Ela lançou um olhar meio esquisito pra ele, mas ao fim sorriu.
- Sério? Ele parece ser bem antigo mesmo! (Tudo bem, e com você?).
– Sim! Por isso ele é tão devagar! (Qual é o seu nome?).
– Aaah! Entendi! (Letícia, e o seu?).
Um silêncio de alguns segundos pairou no ar.
– Esse também foi o primeiro prédio com mais de quarenta andares da cidade. (Cacete, Matheus, o que você tá falando?).
– Essa eu sabia! (Não, você não sabia. Não precisa tentar impressionar ele, Letícia).
– Então você gosta de arquitetura? (Você é completamente linda).
– Adoro! (Não, eu não adoro! E meu, que olhos lindos ele tem. Tou ficando boba).
– Difícil encontrar alguém que goste! (Você ainda tá falando de arquitetura, chama ela pra tomar um café!).
– É…. (Por que ele não me chama pra sair? Devo eu chamar? Seja moderna, mulher!).
Mais um silêncio se instaurou e lentamente o elevador foi parando. Era o andar dele.
– Bem, te vejo por ai! (Quero te encontrar hoje mesmo!).
– Também te vejo! (Também quero te ver!).
Ele saiu, as portas fecharam. Deixando pra trás um grande amor que jamais foi vivido.
Cesar Gaglioni
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