Crônica | Pra ser sincero1 min de leitura

Foi numa festa, à meia-luz, que eu a vi pela primeira vez em muito tempo.  

Nossos caminhos não se cruzavam há tempos. Ela com o mesmo sorriso bobo, eu com alguns fios brancos de cabelo a mais.  

Nossa história passa por minha cabeça como um filme sem palavras. Imagens familiares que voltam a ter sentido.  

Sorrisos na praia, brigas na noite. Beijos no cinema, lágrimas na chuva. Trilhas de mãos dadas, gritos ao amanhecer. Paixões na cama, decepções em  manhãs de domingo.

Ela me vê. Caminha em minha direção.  

—  Oi, tudo bem — ela me diz.  

— Tudo, e com você? 

— Tudo — ela responde.  

Respostas protocoladas, conversas que não fluem mais com a harmonia de antes.  

— Ahn, eu preciso voltar ali com o pessoal — ela explica.  

— Tudo bem. Prazer em vê-la! Até mais! 

— Até! 

Ela volta para onde estava, me deixando com o coração cheio de memórias.  

Pra ser sincero, não espero dela mais do que educação. Beijo sem paixão, crime sem castigo e aperto de mãos. Apenas bons amigos.   


*Adaptação da música Pra Ser Sincero, dos Engenheiros do Hawaii 

Cesar Gaglioni

Cinéfilo e nerd, Cesar escreve sobre séries de TV, games e música no Jovem Nerd e escreve sobre todos os outros mundos possíveis em seu tempo livre. Amante do terror e do drama, tem Kerouac como seu ídolo pessoal. Editor do site Oligarquia Pop e um fanático por literatura, está escrevendo “O Fim de Quem eu Fui”, seu primeiro romance.

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