Crônica | Insegurança elevatória1 min de leitura

O elevador abriu as portas.

Ela estava ali, diante dele, talvez o mais perfeito anjo que tivesse cruzado seu caminho. Nunca a tinha visto no prédio.

– Esse é o elevador mais antigo da cidade inteira – disse a ela (mas queria dizer “Oi, tudo bem?”).

Ela lançou um olhar meio esquisito pra ele, mas ao fim sorriu.

  • Sério? Ele parece ser bem antigo mesmo! (Tudo bem, e com você?).

– Sim! Por isso ele é tão devagar! (Qual é o seu nome?).

– Aaah! Entendi! (Letícia, e o seu?).

Um silêncio de alguns segundos pairou no ar.

– Esse também foi o primeiro prédio com mais de quarenta andares da cidade. (Cacete, Matheus, o que você tá falando?).

– Essa eu sabia! (Não, você não sabia. Não precisa tentar impressionar ele, Letícia).

– Então você gosta de arquitetura? (Você é completamente linda).

– Adoro! (Não, eu não adoro! E meu, que olhos lindos ele tem. Tou ficando boba).

– Difícil encontrar alguém que goste! (Você ainda tá falando de arquitetura, chama ela pra tomar um café!).

– É…. (Por que ele não me chama pra sair? Devo eu chamar? Seja moderna, mulher!).

Mais um silêncio se instaurou e lentamente o elevador foi parando. Era o andar dele.

– Bem, te vejo por ai! (Quero te encontrar hoje mesmo!).

– Também te vejo! (Também quero te ver!).

Ele saiu, as portas fecharam. Deixando pra trás um grande amor que jamais foi vivido.

Cesar Gaglioni

Cinéfilo e nerd, Cesar escreve sobre séries de TV, games e música no Jovem Nerd e escreve sobre todos os outros mundos possíveis em seu tempo livre. Amante do terror e do drama, tem Kerouac como seu ídolo pessoal. Editor do site Oligarquia Pop e um fanático por literatura, está escrevendo “O Fim de Quem eu Fui”, seu primeiro romance.

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