O novo livro de André Vianco, Dartana (Fábrica 231, 2016), é uma surpresa para seus leitores. Sem dúvida este livro é completamente diferente de tudo que ele já publicou, mas sem deixar de lado sua voz narrativa, que conquistou uma legião de fãs.
Dartana é um planeta mergulhado na sombria ignorância. Seus viventes não conseguem adquirir nenhum conhecimento ou ter pensamentos mais complexos; portas são apenas pedaços de madeira que fecham de maneira rudimentar a entrada de suas casas, animais ficam soltos nos campos sem que haja qualquer tipo de cerca para prendê-los. Ali, ninguém parece capaz de sequer inventar a roda e não há qualquer tecnologia, parece uma vida de homem das cavernas. Como se não bastasse, doenças e a falta de uma agropecuária satisfatória pioram ainda mais as coisas no desolado planeta.
Os únicos seres que parecem possuir algum grau de instrução e transmiti-la são as feiticeiras; mulheres capazes de conversar com os deuses e que não estão totalmente inaptas em fixar conhecimento em suas mentes. A única esperança dos dartanas é que um novo deus está prestes a nascer no Hangar – uma espécie de berço celestial – e que irá marchar para o Combatheon, uma terra de guerra, junto dos seus escolhidos. Quem vence no Combatheon tem a chance de tirar o seu planeta de origem da maldição do conhecimento.

Logo de cara, as 780 páginas podem assustar até mesmo os mais incautos, mas cada uma delas é uma surpresa à parte, revelando personagens maravilhosos. É impossível não sofrer com as mazelas do povo dartana e vibrar com suas descobertas. Quando Belenus, o novo deus, surge para a marcha, ficamos angustiados esperando pela vitória. E, quando personagens paulistas são apresentados, ficamos ainda mais intrigados querendo saber qual a relação dos planetas Terra e Dartana.
Dessa vez os vampiros, tão presentes na narrativa do André, são deixados de lado. O livro é fantasia pura. Sua habilidade em prender o leitor, colocando-o na pele de cada personagem cria empatia logo nos primeiros capítulos e as descrições e lugares que somos convidados a conhecer nos tiram o fôlego. A todo momento você sente a atmosfera sombria da trama ao seu redor e se pega pensando como seria viver num mundo assim. Em alguns pontos é impossível respirar, e os parágrafos correm na velocidade do nosso desespero, esperando por uma reviravolta milagrosa. O final da história é coerente, embora melancólico.
A história é muito madura, evidenciando mais uma vez a evolução na escrita do Vianco. Mesmo estando prevista uma trilogia, o livro se encerra num ciclo completo e, ainda que fique a curiosidade para os próximos volumes, aguardamos uma continuação com novos desafios e outros personagens, não uma conclusão.
Dartana é um livro que vale a pena ser lido por amantes de fantasia, amantes do sombrio, amantes de universos paralelos, enfim, amantes de livros no geral.
Camila Servello Aguirre
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