— Que roupa é essa, Maria?
— Ué, tem algo de errado com a minha roupa?
— Você está de preto.
— Sim, e daí?
— E daí que não se usa preto no réveillon!
— Ah, tia. Isso é pura superstição.
— Que roupa é essa, Maria?
— Ué, tem algo de errado com a minha roupa?
— Você está de preto.
— Sim, e daí?
— E daí que não se usa preto no réveillon!
— Ah, tia. Isso é pura superstição.
Três da madrugada e eu diante de uma tela em branco do celular. Ditei algumas palavras enquanto o aplicativo transformava minha fala em texto e, quando terminei, vi que o máximo que tinha conseguido eram cinco linhas. Palavras que eu nem ao menos conseguia ler. Apaguei tudo logo em seguida. Não parecia o jeito certo de contar essa história. A minha história.
Na penumbra, Maya não consegue ver o rosto do seu companheiro dessa noite e, portanto, não sabe se é feio ou bonito. Ah, mas ela arriscaria dizer que é bonito. É inegável que o homem impunha sua presença desde que entrara no quarto. Alto, ombros largos, corpo esguio e uma bunda redonda formando um belo contorno na calça social. Ela vê tudo isso na sombra da sua silhueta na parede, em um olhar furtivo. Seu perfume amadeirado e com um toque de tabaco enche o ambiente e ela engole em seco, meio inebriada. Continuar lendo “Conto | Lady Ruby”
Ela caminha pelas ruas da Zona Sul, o vento alvoroçando os cabelos curtos, a saia tremulando ao seu redor e a mala de rodinhas batendo no chão de pedras portuguesas.
A cabeça sempre baixa, encarando os próprios sapatos. Atenção nos buracos. Mas quando levanta o olhar, o preto reluz ao ver o mar. E ela baila pelas ruas arborizadas feito uma pluma no ar salgado.
De vez em quando lembra a si mesma de olhar pra frente, com ares de quem quer capturar as imagens e guardar pra sempre em seu cérebro a bela arquitetura e decoração.
Ela é uma peça bruta num castelo de cristal. Se admira de todos os movimentos, o vai e vem dos pedestres, hóspedes, cachorrinhos… É um mundo tão diferente do seu, mas ela aos poucos vai se chegando, conquistando o seu espaço, levantando os olhos e voltando a face ao céu.
Como chuva de verão, ela chega com um aroma de novidades. Ela é tão inteira que não cabe em qualquer metade. Ela transborda. Extravasa. Ela é só uma garota comum que reinventou a sua realidade.
O dia amanheceu chuvoso mais uma vez, vejo pela pequena janela do quarto. Cinza. Céu encoberto. Frio. Se parece muito com o meu estado de espírito. Uma técnica de enfermagem entra e me deseja “bom dia”, mas eu respondo apenas com um sorriso fraco. Ela se aproxima da cama de Ruy e checa seus sinais vitais, injeta uma medicação no acesso e confere se o soro está correndo. Ela sai em silêncio e eu fico novamente sozinha, como na maior parte do tempo. Continuar lendo “Conto | Crash”
Uma releitura do poema Caso do Vestido,
de Carlos Drummond de Andrade.
Por Nathasha Chrysthie
No dia em que mamãe morreu, disse a mim que no seu baú de costuras havia um vestido de renda, branco e longo, com a bainha a ser acabada. Disse ainda que o fizera sonhando com o dia do meu noivado, com flores campestres nos cabelos e sapato de boneca lustroso. Veio a minha cabeça a imagem perfeita desse dia, vi mamãe e papai concedendo minha mão ao filho do dono da mercearia, mas ambos não cabiam mais na cena. Chorei sob o seu corpo desfalecido e depois chorei sobre a renda enquanto cozia a bainha a minha altura.
Marina andava apressada pela rua enquanto arrumava os sapatos que cismavam em sair dos pés. A meia calça tinha furado bem acima do joelho esquerdo e por isso ela ficava o tempo todo abaixando a saia preta de risca de giz para cobrir o rasgo.
Trazia a bolsa em estilo saco pendurada no ombro com as alças quase sempre escapando, e isso a deixava irritada. Em um braço, carregava uma pasta com o seu currículo, pois não poderia deixá-lo amassar, e na mão, o celular, que não largava por nada.
Conheça o mais novo lançamento da Editora Katzen, da colaboradora do Conte Histórias Nathasha Chrysthie e ainda concorra a três super kits personalizados da obra!

Melissa é uma jovem talentosa, recém-formada em Artes Plásticas e seu maior desejo é mostrar sua arte para o mundo. Ela sonha em conseguir uma bolsa de estudos para cursar o mestrado em uma das escolas de arte mais conceituadas do mundo, em Paris. Porém, seu namorado Rick é um homem ciumento e controlador que nunca permitiria que ela estudasse fora do país. Munida de coragem e insatisfação com o relacionamento abusivo, Melissa decide se afastar de Rick e seguir seu sonho.
Continuar lendo “SORTEIO DE PRÉ-LANÇAMENTO! “Te Prometo o Céu”, por Nathasha Chrysthie”
O dia amanheceu cinzento e chuvoso no Rio de Janeiro naquela sexta-feira de julho. Finalmente, uma temperatura compatível com a estação. Ah, o inverno. Pairava um clima preguiçoso no ar e as pessoas demoraram alguns minutos a mais para levantarem de suas camas. Menos Alice, ela era sempre pontual. Ao primeiro toque do despertador, ela já está de pé e leva um choque ao encostar os pés descalços no chão frio.