Ela caminha pelas ruas da Zona Sul, o vento alvoroçando os cabelos curtos, a saia tremulando ao seu redor e a mala de rodinhas batendo no chão de pedras portuguesas.
A cabeça sempre baixa, encarando os próprios sapatos. Atenção nos buracos. Mas quando levanta o olhar, o preto reluz ao ver o mar. E ela baila pelas ruas arborizadas feito uma pluma no ar salgado.
De vez em quando lembra a si mesma de olhar pra frente, com ares de quem quer capturar as imagens e guardar pra sempre em seu cérebro a bela arquitetura e decoração.
Ela é uma peça bruta num castelo de cristal. Se admira de todos os movimentos, o vai e vem dos pedestres, hóspedes, cachorrinhos… É um mundo tão diferente do seu, mas ela aos poucos vai se chegando, conquistando o seu espaço, levantando os olhos e voltando a face ao céu.
Como chuva de verão, ela chega com um aroma de novidades. Ela é tão inteira que não cabe em qualquer metade. Ela transborda. Extravasa. Ela é só uma garota comum que reinventou a sua realidade.
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