Conto | Cada Gota do Seu Sangue

Por: Dyego Maas

Larissa perdeu outro dente naquela manhã. Era quase surreal a forma como uma tarefa tão banal como escovar os dentes, assumia mais a cada dia que passava um aspecto de auto-tortura e flagelo.

O dente, o incisivo central superior que ainda vinha resistindo em sua boca e que assumira um aspecto amarelado ao longo da última semana, como um reflexo doentio do estado físico decadente que se apossara dela, repousava inerte na pia do banheiro, e por pouco não fora engolido pelo ralo. Um pouco de sangue tingia de vermelho a espuma do creme dental que decorava o dente perdido.

Era o sexto que ela perdia em duas semanas. Larissa fechou os olhos lacrimejantes e inspirou fundo, segurando o ar em seus pulmões. Sentiu o fraco sabor do creme dental sendo ofuscado pelo gosto forte e ferroso do sangue que ainda escorria em pequena quantidade da sua gengiva. Era uma sensação nova e inesperada.

Ao longo dos últimos dias, quase todo alimento que ela gostava foi perdendo seu sabor, substituído por um cruel gosto de comida putrefata que a fazia vomitar quase tudo. A cada dia, o risco de inanição aumentava, mas o problema mais urgente era a deficiência de ferro em seu sangue e a anemia crônica que se desenvolvia.

Para uma mulher orgulhosamente vegetariana, Larissa se sentia colocada contra a parede. Toda sua dieta estava ruindo, seus alimentos preferidos tornando-se intragáveis, todos ao mesmo tempo, a ponto de lhe causarem ânsia de vômito simplesmente por estarem por perto, fazendo desabar não somente sua força, mas também seu ânimo.

No começo ela pensou que a causa estava relacionada apenas ao gosto e ao odor da comida, mas agora começava a desconfiar que algo muito pior poderia estar acontecendo com ela. E aquela sensação nascera daquela estranha mistura de espuma de creme dental e sangue que permeava sua boca.

Praticamente todo creme dental tem em sua composição algum agente surfactante que diminui a tensão na superfície da água, permitindo que o creme espume e se espalhe mais facilmente pela boca. Como efeito adicional, e puramente psicológico, ele gera a sensação de que está surtindo algum efeito, e também é o responsável por estragar o gosto do suco de laranja após escovar os dentes.

Mas suco de laranja já não era uma opção para Larissa, que passava mal só de pensar em beber suco. Nesse instante, enquanto ela está de olhos fechados, pensando em como seu sorriso acabara de ficar um pouco mais estragado e patético, ela notou algo diferente das outras vezes. A espuma do creme dental tinha perdido tanto do seu sabor que ela mal conseguia percebê-lo, pois o sangue, esse sim, estava diferente, amplificado de alguma forma. E ele era gostoso.

Ela reprimiu esse pensamento imediatamente, expirando o ar que trancara em seus pulmões, cuspindo apressada o resto da espuma e principalmente do sangue na sua boca, enxaguando-a quatro ou cinco vezes, até que todo o gosto tivesse saído.

Seus olhos repousaram sobre a caixinha do creme dental. O rosto feminino que a encarava tinha um sorriso perfeito e radiante. A embalagem prometia algo que o conteúdo era incapaz de cumprir, pois para conseguir aquele sorriso, ela teve de passar por quatro sessões de clareamento dental em um consultório odontológico usando gel de peróxido de hidrogênio concentrado.

Com muita determinação ela foi subindo o olhar lentamente. Até então, evitara o espelho a todo custo, mas a perda de mais um dente gerara nela um impulso incontrolável de encarar a realidade. Precisava saber o quanto do lindo rosto propaganda ainda restava na sua cara.

Ela encarou a mulher no espelho. O choque foi grande. O coração parou, a garganta apertou e ela segurou uma vontade quase incontrolável de chorar, porque o que via era uma piada de mal gosto. Um mero esboço do que fora no passado. Não. Um esboço serviria para acertar os traços. O que ela via era pior do que um esboço. As maçãs do rosto haviam implodido, gerando covinhas pálidas onde antes se encontravam bochechas coradas. Os olhos afundados em suas órbitas, a pele amarelada entregava seu estado de espírito. O mero ensaio de um sorriso era como um soco no estômago, porque aquilo não era um sorriso. Aquilo era uma aberração, um insulto ao espectador.

Larissa cerrou os punhos com toda a força que encontrou. Suas mãos tremiam. Era raiva aquilo que estava sentindo? Sim, ela sentia raiva, e se Deus existia, ele que não ousasse chegar perto dela.

Sua atenção voltou para o creme dental, para os dentes perfeitos de uma mentira que agora parecia tão distante. Atirou-o no lixo. Estava cansada daquilo. Agarrou a primeira coisa sólida o suficiente que tinha à mão, e atirou-a contra o espelho, num ato de fúria desesperada que não era do seu feitio.

Ao sair do banheiro, encarou seu reflexo na centena de cacos de vidro espelhados pelo piso. Fragmentos distorcidos de algo maior. Esse, pelo menos, é um reflexo sincero, pensou.

A porta bateu com um estrondo, quebrando o silêncio da manhã.

#

O feijão fervia na panela, enchendo a cozinha de um aroma que se tornara costumeiro nos últimos dias. Charles preparava o café da manhã com uma pitada injusta de tristeza e ressentimento.

Desde a semana passada, ele preparava uma porção para duas pessoas, na esperança de que a esposa conseguisse comer sua parte, mas sabendo, no fundo, que não seria assim.

A primeira semana fora de longe a pior. A descoberta da súbita aversão da esposa a praticamente todo tipo de frutas e verduras foi um golpe quase mais poderoso nele do que nela. Vê-la vomitar a cada nova tentativa de ingerir um de seus alimentos preferidos, assistir a expressão involuntária de quem se esforça para comer algo de que sente um nojo genuíno. Nenhum marido deveria precisar ver a isso.

Mas ele estava determinado a não desistir dela. Não era uma doença qualquer que arrancaria o que lhe era mais caro. Na saúde ou na doença, não era assim? Ele acreditava nessas palavras como em poucas coisas na vida. Deus talvez não existisse, e a igreja talvez estivesse toda errada e só espalhasse coisas mais erradas ainda, mas o seu casamento era sagrado, e Larissa, a constante dos seus dias, o pilar que sustentara quase uma década da sua vida.

Não fosse pelo suporte insistente da esposa, teria desistido da faculdade de odontologia lá pelo oitavo período, e hoje não seria proprietário de um bem sucedido consultório odontológico no centro de São Paulo. Quem sabe, não tivesse uma profissão que realmente amasse. Pois ele amava ser dentista e se orgulhava de ter em suas mãos o poder de trazer de volta o sorriso ao rosto das pessoas, pois é disso que o mundo precisa pra ser um lugar melhor.

Mas os seus dias vinham se tornando mais escuros e tristes, e ele sabia que precisava ter o sorriso da esposa de volta, preenchendo suas manhãs de uma alegria irradiante que o fazia sentir-se capaz de mudar o mundo. Se esse era o combustível dos seus dias, o tanque estava quase no fim.

Além disso, como sorrir quando o sol se recusa a brilhar para você e a sua esposa está sofrendo e definhando aos poucos e os seus esforços parecem apenas adiar o inevitável? Como sorrir de verdade nessas circunstâncias cruéis?

Mas ele precisava seguir em frente e fazer o que estivesse ao seu alcance. Por ora, isso significava preparar o café. Era bem verdade que arroz e feijão não eram a opção mais adequada àquela hora do dia, mas era uma das poucas que ainda restavam. Quase todos os outros alimentos haviam se tornado um espécie de veneno para ela, e mesmo o feijão rumava aos poucos para mesmo destino.

Ele queria um sorriso, e hoje ele teria seu sorriso. A estratégia para isso era simples: uma surpresa. Shitake saindo do forno para acompanhar o sem graça feijão com arroz que invadira o cotidiano dos dois. Eles ainda não tinham testado cogumelos, e ela precisava de uma fonte alternativa de ferro. A essa altura, qualquer descoberta seria motivo de alegria.

Enquanto Charles cortava os cogumelos com a habilidade de quem se forçara a aprender a cozinhar apenas alguns dias atrás, ela quebrou o espelho do banheiro com uma violência que pôde ser sentida no ar, quebrando o silêncio da manhã calma e reforçando o pacote com o estrondo da porta batendo com força no caixilho de madeira.

No susto, na loucura do momento, ele cortou o dedo. Um corte profundo e dolorido. Droga! Acho que cortou até osso, pensou, num momento de raiva e insanidade que segue toda dor inesperada, o que raios está acontecendo?

Ela entrou na cozinha chorando, cabisbaixa, as lágrimas decorando a palidez amarelada da sua pele anêmica. Vê-la daquela forma desarmou qualquer sentimento de raiva ou nervosismo. Ficou sem palavras.

— Ah, Meu Deus! O que aconteceu aqui? — disse ela desesperada ao ver o sangue escorrendo da mão do marido.

— Não foi nada. Me cortei, só isso. Pode deixar que dou um jeito. — respondeu, buscando evitar que ela se preocupasse desnecessariamente.

Mas ele a conhecia bem demais para saber que que ela não desistiria, e mesmo fraca ela arranjava forças para voltar correndo até o banheiro para pegar uma bandagem para o curativo.

Demorou um pouco para voltar, provavelmente evitando os cacos de vidro espalhados pelo chão. Nas circunstâncias atuais, um corte, por menor que fosse, oferecia um grande risco de morte por infecção, e já bastava Charles com o dedo cortado. Que droga! Mas ela não demorou tanto tempo assim, e logo estava de volta com os curativos.

— Deixa eu ver. — pediu ela, esticando a mão delicadamente, ensaiando um sorriso que nunca chegaria a nascer, a palma da mão como um convite para o alívio da dor, e os olhos, que fitavam fixamente o corte, ensaiavam uma ternura que parecia, de alguma forma, deslocada.

A pequenina mão da atriz pousou sobre a mão pesada do dentista, e de alguma forma quase inexplicável, elas encaixavam perfeitamente, como se tivessem sido feitas uma para a outra. Um filete de sangue escorreu para a mão dela num fluxo contínuo que não dava sinais de querer parar. Num curto intervalo de confusão, ele demorou a notar o que havia de errado, mas então, como uma epifania, ele soube que era a mão da esposa, pequena e tão gelada, que contrastava o calor do seu sangue numa intensidade preocupante.

Ela não estava bem, meu Deus do céu, pensou Charles desesperado. Ele ia puxar a mão de volta, pois o corte não era tão urgente quanto aquilo, o que quer que fosse, quando percebeu a maneira como ela encarava sua mão, num olhar quase hipnotizado, como se estivesse em transe. Não, era o corte que ela observava tão fixamente, o pequeno córrego de sangue quente e escuro que fluía quase gentilmente para a mão dela. Impossível saber o que ela estava pensando quando lambeu os lábios pálidos, de um lado a outro, bem devagar.

Instintivamente, puxou a mão, ávido por terminar com aquilo, com aquela sensação de impotência frente ao desconhecido, mas a mão dela apertou a sua, não com força, mas com uma delicadeza que o deixou sem ação. Ela foi puxando a sua mão de leve, nunca desviando o olhar do sangue.

— Querida? O que você está…

Mas ela não respondeu. Ao invés disso, beijou a sua mão. Um beijo leve e singelo, seguido de outro e mais outro, o tempo quase parando, congelado no aspecto surreal da cena que se desenrolava em frente aos seus olhos. A rápida sucessão de beijos curtos levou os lábios dela ao corte.

O que antes era um temor da parte dele, foi aos poucos se transformando em curiosidade meio doentia, talvez, mas quem poderia julgá-lo? E num raro momento de condescendência silenciosa, ele apenas assistiu, sem saber o que esperar.

Os lábios magros e pálidos tocaram gentilmente o dedo cortado do marido, num beijo leve que não se importou nem um pouco em manchar-se com o sangue escuro que escorria do corte. Era cálido e reconfortante, como a lembrança acalorada de uma bebida quente num dia frio de um inverno longo, e os lábios meio frios, quase gelados, não puderam manter para si o privilégio daquela companhia.

Ela lambeu com uma timidez meio charmosa e bebeu as primeiras gotas como quem saboreia o mais fino dos vinhos, os olhos levemente fechados, a língua lambendo os lábios manchados de vermelho. Uma expressão satisfeita emanou daquele rosto que parecia recuperar, quase de forma sobrenatural, a cor saudável de outrora, de antes do vírus.

Ele não sabia o que estava acontecendo, não em um nível consciente, pelo menos, mas de alguma forma entendeu que ela precisava daquilo, e cedeu, deixando de lado qualquer resistência, doando-se, oferecendo sua mão e seu sangue para a pessoa que mais amava. Se o seu sangue podia de alguma forma salvá-la, que bebesse o quanto quisesse.

E foi isso que ela fez, deleitando-se com cada gota. Percebendo o consentimento do marido, ela perdeu o pouco medo que a restringia, e num instante, o dedo cortado estava dentro da boca dela. E ela sugava com vontade e com um ímpeto inesperado.

#

A sensação era de completo êxtase, difícil de expressar em palavras, mas a graça com que seus lábios deram espaço à língua seca, que deslizou áspera e gentil por sobre o corte, devia causar estranheza aos olhos do marido. Mas toda e qualquer preocupação diluiu-se num instante de êxtase. Aquele sangue delicioso elevou o espírito dela às alturas, cada sentido ampliado e aguçado, como os de uma águia que se prepara para mergulhar sobre sua presa. Enfim, saciara uma fome dolorosa que a consumia há semanas. E foi como nascer de novo.

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No último Natal, a mesinha de centro abrigara um lindo presépio, construída por uma talentosa artesã do sul do país. Do lado de fora do curral feito de gravetos, os três reis magos, que chegaram ali guiados pela estrela de Belém no topo da árvore no canto da sala, observavam o nascimento de Jesus. De onde estavam, podiam ver a TV, e bem é possível que se estivessem vivos, teriam derrubado seus presentes, caído de joelhos, incapazes de fechar os olhos de gesso, chocados pela notícia que alarmava o mundo naquela noite que devia trazer apenas felicidade. Da terrível doença que se espalhava, incontrolável, e enfraquecia até o mais merecedor da salvação. Por todo o mundo, os bancos de sangue estavam vazios, exauridos na maior crise de saúde da nossa história.

Duas semanas depois, a árvore de Natal estava de volta na sua caixa, esquecida por mais um ano, e o presépio fora substituído por um inusitado copo de sangue. O líquido absorvia voraz a luz branca das várias lâmpadas da sala, mas rejeitava com vigor a parcela vermelha do espectro luminoso, decorando a toalha de centro feita de crochê branco, com um tom avermelhado e hipnótico. Ali ao lado, sentados no sofá e absortos na visão surreal daquele copo de sangue, Larissa e o marido encararam o copo por um longo momento de silêncio.

— Esse sangue, foi roubado, não é?

— Sim, mas é por uma boa causa. É por nós.

— E quer mesmo que eu beba isso?

— Sim, eu quero. É o único jeito de sabermos se funciona.

Ela fechou os olhos e respirou fundo, duas, três vezes. A fila de espera para uma transfusão de sangue era gigantesca e mesmo esse procedimento parecia dar uma mera sobrevida a pessoas em quadros mais graves, mas muitas simplesmente continuavam a adoecer indefinidamente. Se Charles tivesse razão, se beber o sangue de alguém pudesse salvá-la, então talvez ela devesse tentar. Mas a perspectiva de uma vida dessas tenha começou a assombrá-la, e quando voltou a encarar o marido, seus olhos lacrimejavam.

— O que foi, querida? Você já tinha concordado.

— Sim, mas… o que isso faz de mim? Uma vampira, que sai por aí bebendo o sangue dos outros? Você sabe que os bancos de sangue estão praticamente vazios.

— Não importa, desde que você fique bem! A gente vai dar um jeito.

— Mas…

— Você precisa tentar. Eu não quero perder vocês duas! — disse ele, desatando a chorar, abraçando a esposa em busca de conforto.

Com um braço envolto no pescoço do marido, levou a outra mão de encontro ao ventre, com a leveza de uma pena. Ela sabia que ele estava certo. A escolha não era dela para tomar. A vida que crescia em seu útero, por menores que fossem as chances de vir a nascer, merecia uma chance. Ela tinha o dever de fazer o possível e o impossível para manter-se viva até lá. Ela entendeu que a escolha já estava tomada.

Ergueu a cabeça, e esboçou um sorriso leve que não mostrava os dentes mas desenhava curvas agradáveis em seu rosto magro. Em seu olhar, pura confiança.

— Certo, mas se funcionar, se eu ficar melhor, você vai fazer uma coisa para mim.

— Qualquer coisa, querida. É só dizer.

— Um presente!

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Um homem velho e grisalho bebia num bar durante a madrugada. A calvície avançara a passos largos e lhe poupara somente uns poucos chumaços de cabelo aqui e ali. Seus olhos infelizes encaravam a garrafa de pinga, com a qual mantivera um longo diálogo sobre as injustiças a que era submetido no trabalho, sobre suas dificuldades e sobre como todos de que gostava tinham partido, até não sobrar ninguém, isso tudo enquanto fazia descer um copo atrás do outro. Foi quando notou de soslaio a presença de uma moça. Mesmo com a visão meio embaralhada ele pôde ver que ela era bonita.

Ela não respondeu quando ele a cumprimentou, meio desajeitado. Então ele se aproximou, cambaleante, para olhar mais de perto. Afinal, era perigoso para uma moça bonita ficar desacompanhada a essas horas. Quando chegou perto o suficiente, custou a acreditar em seus próprios olhos, pois o que ele viu não era uma puta como essas que ele via por aí, mas um anjo com o sorriso mais bonito que ele já vira. Ele pensou, por um momento, já ter visto aquele rosto estampado em algum lugar, mas não conseguiu lembrar onde. Dizem que bêbado tem sorte, e ele achou que fosse verdade. Ele não viu o golpe chegando por trás.

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No início, havia o suspense e a dúvida. Como seria beber o sangue quente de um estranho? O que a sua consciência diria daqui a uma hora? Daqui a uma semana? Só tinha uma forma de saber.

Quando seus dentes atravessaram o primeiro milímetro de pele, a explosão de adrenalina nas suas veias fez o tempo desacelerar, cada segundo multiplicado, cada batida do seu coração marretando seu peito por dentro. Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum. O peso da expectativa ficou insuportável. Ela não conseguia respirar. Era tarde demais para voltar atrás. Precisava saber. Então ela foi em frente e não se conteve mais e contraiu os músculos do maxilar, com confiança crescente, fazendo descer mais fundo aqueles seus dentes lindos e afiados feitos de resina termoplástica, que atravessaram e rasgaram o pescoço daquele senhor triste, abrindo seu caminho por entre a carne, rumo à artéria carótida e ao sangue vermelho e quente por que tanto ansiava.

Por toda uma vida, o sangue daquele homem estivera confinado em suas veias e artérias, bombeado e empurrado de lá para cá à mercê de um coração incansável. Assim, quando uma nova via se abriu, ele não hesitou por um instante sequer e explorou contente esse novo caminho. E no instante que ele o fez, ficou claro para ela que, quando bebido em sua fonte, esse líquido, quente, fresco e vital era melhor do que qualquer copo de sangue deste mundo.

Toda dúvida e qualquer indício de crise de consciência perderam a força naquele instante mágico de redescoberta. O rejúbilo foi completo e tudo fez sentido, cada incerteza perdendo a razão de ser. Ela estava em paz consigo mesma.


Card alaranjado com a foto e a mini bio do escritor Dyego Alekssander Maas. A foto dele está do lado esquerdo, com o nome logo embaixo. Ao lado da foto, do lado direito do card, está escrito a mini bio do escritor.

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