Conto | O papelão em que me deito

Por: André Diniz

Costuro o aglomerado ambulante de pessoas até meu destino. Sinto o de sempre. Os olhos julgadores. Será que isso nunca vai parar? O Doutor disse que minha paranoia estava melhorando — bem que sempre achei que aquele merda não sabia de nada. Acho que eles não sabem que os percebo, ou, então, devem estar brincando comigo. Noto, como um por sexto sentido, eles dizendo em suas vozes sussurradas, gozadoras e cacofônicas, “lixo” “escoria” “decepção” “olha como é estranho”. Vejo outros olhares, nas frestas de portas e janelas, suas pálpebras cerradas, que me atingem em golpes cirúrgicos de um bisturi. Continuar lendo “Conto | O papelão em que me deito”

Conto | Descendo

Por: Yuri Szirovicza

Carlos correu em direção ao elevador, mas não conseguiria chegar antes dele terminar de se fechar. De repente, uma mão vinda de dentro do elevador segurou a porta. Carlos respirou aliviado e entrou.

“Obrigado ”,  disse Carlos com as mãos sobre o peito, tentando recuperar o fôlego.

“De nada ”, disse o senhor que trajava um impecável terno branco e aparentava estar na casa dos sessenta.

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