Conto | Maldita Noite de Oktoberfest

Por: Dyego Alekssander Maas

DESABAFO – 10 de Julho de 2015

Recusaram outro conto meu. Já faz dois anos que escrevo e ainda não tenho um conto sequer selecionado para uma antologia. Talvez seja a minha insistência em escrever contos de terror. Já me disseram que tenho uma mania de inventar moda e tentar inovar demais. Quer saber? Que se fodam as antologias, e que se foda o que os outros pensam.

FIM – 11 de Julho de 2015

Este é provavelmente meu último post. Escrever talvez não seja para mim, e o meu ego já não suporta mais os golpes cruéis e desproporcionados da crítica, sempre dura e às vezes injusta. Assim sendo, não espere por novidades tão cedo.

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Entrevista | Dame Blanche

Por: Adele Lazarin

Ser escritor no Brasil não é fácil. Ser editor, menos ainda. Mesmo assim, trabalhar em uma editora é um dos trabalhos mais almejados por milhares de leitores espalhados pelo país. Afinal, nada melhor do que unir paixão e emprego dos sonhos, não é mesmo? Considerando a crise em que o mercado editorial está inserido hoje, muitos empreendedores enxergam o momento como uma oportunidade de começar algo novo e abrir a própria editora independente.

Foi o caso da Dame Blanche, editora fundada por Anna Fagundes Martino* e Clara Madrigano, com o apoio do fofíssimo mascote River (conhecido também como o cachorro estagiário responsável por comer manuscritos e aquecer os pés das pessoas em dias frios). A Dame Blanche nasceu do mesmo amor que une todos nós do Conte Histórias: a literatura. Antes de editoras dedicadas, Anna e Clara são leitoras, e sabem muito bem o que desejam encontrar nas estantes das livrarias (virtuais e físicas).

Com dois livros já lançados, as duas empreendedoras agora se preparam para trazer novidades ao mercado literário, não se esquecendo nunca do quão importante é o papel do leitor nesse processo. Leia abaixo nossa entrevista com Anna e Clara, onde elas falam sobre a Dame Blanche, o mercado nacional, os desafios de uma editora independente e o que elas esperam do futuro.

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Resenha | Daytripper

Por: André Diniz

Dificilmente você encontrará algo que trate de uma maneira tão sutil e bela temas como vida/morte quanto Daytripper (publicado pela Panini), dos brasileiros e irmãos gêmeos: Fábio Moon e Gabriel Bá.

Brás de Oliveira Domingos é o narrador-personagem que nos leva através de várias linhas temporais diferentes, construindo capítulos com trajetórias e finais recheados de questionamentos. Além disso, como o próprio nome do personagem alude, há uma clara referência ao romance de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. O diálogo entre as duas obras funciona como atualização dos temas, todavia, há uma leve diferença na abordagem, o que traz novos ares para as discussões.

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Resenha | Os 13 Porquês

Por: Diego Vieira

Os 13 Porquês (Ática, 2009) foi o livro de estreia do autor Jay Asher e está às vésperas de ganhar uma adaptação para a TV pela Netflix. A história acompanha Clay Jensen, um adolescente que recebe pelo correio uma caixa de sapatos com sete fitas cassete, onde Hanna Baker, seu primeiro amor, descreve as 13 razões que a levaram a acabar com a própria vida.

A ideia para o livro surgiu da história de uma parente próxima, que tentara o suicídio anos antes. O autor afirma que ela nunca conseguira estabelecer uma situação em especifica sem contar o que precedera ou o que se seguira a sua decisão, dando a ideia de que tudo afeta tudo.

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Resenha | A menina que Roubava Livros

Por: Adele Lazarin

Em 2007, há exatos dez anos, o mundo foi apresentado à emocionante história de Liesel Meminger em A Menina que Roubava Livros, escrito por Markus Zusak e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. A obra – que mescla ficção com um período assustador da história mundial – já é considerada um clássico juvenil desta geração e ganhou, inclusive, uma adaptação cinematográfica lançada em 2014.

A Menina que Roubava Livros é narrado pela personificação da Morte. Vemos tudo através dos olhos dela. No livro, Liesel Meminger é uma menina alemã que vive o auge do Regime Nazista e do domínio de Hitler. Ela é lançada nos braços de uma estranha família sem saber o motivo, enquanto a mãe biológica desaparece de sua vida e o irmão mais novo é levado pela Morte, deixando-a completamente sozinha. Pelo menos, no começo. Ao mesmo tempo, Liesel descobre aquilo que a definiria pelo resto da vida: o prazer em roubar livros.

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Conto | Um Levante na Noite

Por: Tiara Gonçalves

Havia uma goteira no abrigo. Uma goteira insistente que, mesmo após a tempestade ter se dissipado, persistia. Itta contava as gotas que caíam e agradecia internamente por aquela ser a única goteira. Nas últimas chuvas, o teto quase cedera e tiveram que passar muito tempo substituindo a madeira velha, que cobria o local abafado sem janelas e com portas reforçadas. Seu abrigo e prisão nos últimos três anos.

Ela rolou no chão de terra batida, procurando uma posição menos desconfortável. O dia fora longo. Os capatazes os fizeram trabalhar além do horário, pareciam ter pressa em extrair os minérios. Muita pressa.

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Artigo | Aquele 1% de inspiração

Por: Michel Costa

Quando um livro de ficção chega às mãos do leitor, uma pergunta costuma ser inerente à história: de onde surgiu essa ideia? Sem dúvida, uma obra de ficção evoca questões que fogem de simples regras gramaticais ou referências bibliográficas. Existe algo invisível, nascido da imaginação de alguém, e, quanto mais criativo e envolvente, mais cativante se torna aos olhos do público. No entanto, a maioria das pessoas não sabe que esse mesmo texto permeado de inspiração segue uma estrutura muito bem pensada e definida na qual pouca coisa nasce do mero improviso.

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