Resenha | Jogador Número Dois2 min de leitura

Escrito por Ernest Cline como continuação direta do primeiro livro, “Jogador Número Dois” (Intrínseca, 2021, com tradução de Giu Alonso e Flora Pinheiro) retoma o ponto em que o protagonista Wade Watts venceu o desafio proposto pelo falecido bilionário James Halliday e se tornou proprietário do mundo virtual conhecido como Oasis.

A pergunta bastante comum que os leitores de “Jogador Número Um” fazem é respondida de forma satisfatória ao longo de 416 páginas: há uma história a ser contada após o desfecho do primeiro romance. O problema é que, infelizmente, essa história não foi bem desenvolvida pelo autor.

Se a obra anterior é um diamante polido, tal a forma perfeita como a narrativa foi desenvolvida, em “Jogador Número Dois” o que se nota é o pouco ritmo e que metade da história se perde em explicações sobre a descoberta de uma nova tecnologia. Logicamente, tanto espaço compromete a ação e faz pensar se novas reescritas não resolveriam um problema que pode fazer um leitor menos disposto abandonar a leitura.

Outro ponto discutível de “Jogador Número Dois” são as passagens engraçadas que não combinam com a urgência da missão em que Wade e seus amigos se envolvem. A única explicação plausível para essas passagens bem-humoradas estarem no livro é a óbvia intenção de adaptá-lo para o cinema pop, uma plataforma que necessita de momentos de alívio cômico.

Uma mudança perceptível em relação a “Jogador Número Um” é a troca da base narrativa dos games, animes e RPGs para os filmes e as músicas dos anos 1980, o que dá um toque diferente à nova quest. Há ainda a inclusão de um conhecido universo fantástico que acaba soando forçado na história, mas que pode funcionar muito bem nas telas. Afinal, parece ser essa a finalidade de “Jogador Número Dois”, o que pode decepcionar bastante os fãs da obra original.

 

Capa: Christopher Brand

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