Crônica | Flores na beira do abismo1 min de leitura

Acordo. Olho o celular, a madrugada ainda está correndo. Apesar do frio lá fora, estou com calor. O susto foi resultado de mais um pesadelo e logo, vejo que irei demorar para conseguir voltar a dormir.

A madrugada sempre é um horário em que eu passo a pensar demais sobre minha vida, minhas escolhas, meus fantasmas. É viver a vida e sentir a dor. Hoje, depois de muita luta interna, já não tento mais domar tanto a dor. Ela é parte de mim. Ela é necessária. Ela é merecida.

A dor se manifesta nas nossas vidas de tantas formas, mas acho que a pior delas é na forma de finais. Há quem diga que eles não existem, somente meios. Discordo. Os finais sempre batem à nossa porta e eu detesto eles. Lembro do dia da morte de um amigo, anos atrás. Foi um baque. Um fim inesperado que trouxe para o meu coração uma dor insuportável.

Lembro de todas as amizades que foram esfriando, as que foram quebradas, as que foram interrompidas, todas doem e disso tudo, só chego à conclusão que talvez o jeito ideal de se dar adeus é falar como se aquele não fosse o fim.

Meu adeus significa: “Espero te encontrar no meio do caminho. Leva contigo tudo aquilo de bom que eu te dei para te alegrar quando tudo parecer perdido”. É como diria o poeta, o Brasil é uma república federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus.

Dou adeus como quem diz “Eu te amo”.

Foto:  Kittiwut Chuamrassamee

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Cesar Gaglioni

Cinéfilo e nerd, Cesar escreve sobre séries de TV, games e música no Jovem Nerd e escreve sobre todos os outros mundos possíveis em seu tempo livre. Amante do terror e do drama, tem Kerouac como seu ídolo pessoal. Editor do site Oligarquia Pop e um fanático por literatura, está escrevendo “O Fim de Quem eu Fui”, seu primeiro romance.
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