Dois olhos me vigiam no escuro.
Eles não se movem, não piscam, não olham para o lado, apenas me observam, famintos, como se fossem o predador e eu a presa.
E eu não consigo me mexer. Continuar lendo “Conto | Dois vigias no escuro”
Dois olhos me vigiam no escuro.
Eles não se movem, não piscam, não olham para o lado, apenas me observam, famintos, como se fossem o predador e eu a presa.
E eu não consigo me mexer. Continuar lendo “Conto | Dois vigias no escuro”
Para onde ir quando não se tem ninguém?
Lisa girou a maçaneta e correu para fora de casa com um único pensamento em mente: fugir. Não sabia aonde devia ir, apenas que precisava fugir. Deixou a porta aberta e pulou o último degrau da escadinha que conduzia ao jardim, caindo em uma poça de lama criada pela chuva e sujando as galochas vermelhas.
Olhou por apenas um segundo para as botas feitas de borracha e decidiu que estar impecavelmente limpa não era tão importante assim. Um pouco de lama lhe caía bem. Outro segundo e já estava com a sombrinha nos ombros, quase tão grande quanto seu corpo miúdo, a cor berrante combinando com as galochas.
Estava pronta. Ou, pelo menos, se sentia pronta.