Conto | O Despertar de Aurora18 min de leitura

Três da madrugada e eu diante de uma tela em branco do celular. Ditei algumas palavras enquanto o aplicativo transformava minha fala em texto e, quando terminei, vi que o máximo que tinha conseguido eram cinco linhas. Palavras que eu nem ao menos conseguia ler. Apaguei tudo logo em seguida. Não parecia o jeito certo de contar essa história. A minha história.

Quando as editoras me procuraram se oferecendo a publicar qualquer coisa que eu tivesse a dizer sobre o que aconteceu eu nem sequer hesitei. Eu queria falar! Apenas escolhi a que apresentou a melhor proposta (pelo menos foi como Sarah avaliou) e fiquei animada para começar. Eu achava que todos deveriam saber sobre o que eu passei (e ainda passo). Sarah desde o começo achou que isso não me faria bem, que era melhor eu tocar a minha vida para frente e tentar esquecer o passado, mas eu insisti que precisava colocar a angústia para fora. Porém, ao aceitar “escrever” minha autobiografia, não imaginei que seria tão difícil. Afinal, é só falar de mim, não? Viro o último gole de café e encaro o fundo da caneca, em busca da resposta. Não?

A verdade é que boa parte das coisas que aconteceram eu nem ao menos me lembro. Sarah me contou muitas delas, relutante. Eu precisava saber e a fiz falar. Ela esteve lá durante todos aqueles anos. Fecho os olhos e me concentro na sua voz trêmula e carregada:

Estava um breu quando eles vieram, já passava da meia-noite. Todos os outros empregados tinham ido dormir, exceto a minha mãe. Ela lavava a cozinha enquanto eu olhava você brincando no cercado. Você não queria pegar no sono de jeito nenhum, mas era um anjinho, então ela me deixou com você.

A campainha tocou e ela foi atender. Os policiais entraram acompanhando a Dra. Rosa. Eles deram a triste notícia de que seus pais tinham sido assassinados e que a sua guarda passaria imediatamente para a médica, uma prima da sua mãe. Ela tinha olhos sombrios e um sorriso petrificado. Quando te pegou no colo, parecia que observava um diamante valiosíssimo. Isso me veio à cabeça naquela hora, mas só entendi muito depois.

No dia seguinte, ela demitiu todos os empregados, menos a minha mãe, e só por isso eu pude continuar perto de você. Vieram umas pessoas de jaleco branco e fizeram vários exames. Eu chorei junto com você enquanto era furada para colherem o seu sangue. Eu não entendia por que estavam fazendo aquilo com você em casa. Será que estava doente? E se estava, por que não a levavam a um hospital? No final da tarde minha mãe lhe deu banho e te colocou na cadeira alta. Eu mesma dei a sopa na sua boca. Depois, te peguei no colo, quase desequilibrando, porque eu só tinha seis anos e tinha medo de deixar você cair. Lhe dei a chupeta e cantei pra você uma canção que minha mãe também cantava pra eu dormir.

Você batia a chupeta na boca e me olhava com os olhos verdes molhados e muito despertos. Era a bebê mais linda do mundo. O rosto rosado emoldurado por cachos loirinhos. Mas o que eu mais amava em você eram aqueles olhos despertos. Eu senti tanta falta deles, Aurora.

Sarah chorou copiosamente por cerca de dez minutos agarrada ao meu pescoço. Eu a deixei se refazer, mas depois a incentivei a continuar. A minha vida inteira estava no seu relato e eu precisava dele.

Depois de cantar por alguns minutos, a Dra. Rosa apareceu e tirou você dos meus braços, ainda acordada. Ela mandou que eu e minha mãe fôssemos para o nosso quarto e nós fomos, mas algum tempo depois eu disse que estava com sede e que iria na cozinha beber água. Porém, a verdade é que eu tive uma sensação ruim e queria passar no seu quarto para ver se você estava bem.

Quando olhei pela fresta da porta, percebi que tudo estava diferente. Seu berço havia sumido, assim como toda a decoração de coelhinhos que sua mãe e seu pai tinham escolhido com tanto carinho. O quarto mais parecia uma UTI de hospital. No centro tinha uma cama enorme e alta, com estrados laterais. Monitores e fios coloridos se espalhavam pelo cômodo. Um “bip” soava ininterruptamente. Abri um pouco mais a porta e percebi o seu corpinho minúsculo no centro da cama, conectada a diversos aparelhos.

Corri para perto de você e tentei te tocar, mas a cama era muito alta e meu pé bateu em algo que fez barulho. Logo a Dra. Rosa apareceu e me tirou do quarto sob protestos. Ela tentou me acalmar dizendo que ia ficar tudo bem, mas eu sabia que não ia. Eu sentia.

Ela enganou a todos nós, Aurora. A Dra. Rosa dizia a todos que você estava muito doente, mas nunca dizia o que você tinha. Mais de um ano se passou e eu te observava sempre pela fresta da porta. Ela dizia que você estava frágil e não podia ser exposta a nenhum vírus ou bactéria. Só pessoas autorizadas se aproximavam de você.

Eu a observava injetando coisas em você, dizendo ser o medicamento que a mantinha viva, mesmo que ligada a aparelhos. Eu não entendia. Você estava tão bem no meu colo naquele dia, antes de tudo acontecer. Você nunca me pareceu nem um pouco doente. Se alguém tinha trazido a doença para a sua casa tinha sido aquela mulher, por isso eu a odiava. Eu sempre a odiei.

Os anos foram passando e, segundo ela, você não apresentava nenhuma melhora. De tempos em tempos, um pequeno grupo de pessoas vinha te fazer mais exames. Eu e minha mãe tínhamos que preparar lanche para todos. Eles demoravam horas e saíam cheios de anotações embaixo do braço. Eu achava aquilo tão estranho. Uma vez me atrevi a perguntar a Dra. Rosa por que aquelas pessoas faziam tantas anotações sobre você e não chegavam a nenhuma forma de fazer você ficar boa. Ela só respondeu: “Estamos todos tentando, Sarah”.  Mas ninguém estava de verdade.

Ela enxugou mais uma lágrima que deixou escapar. Eu segurei firme sua mão.

Em 2010, minha mãe veio a falecer por causa de um câncer de mama. A Dra. Rosa se prontificou a ajudar, mas já era tarde demais. Eu era muito desconfiada em relação a ela, mas uma segunda opinião médica poderia ajudar minha mãe, então tomei coragem e pedi que ela olhasse os exames. A opinião foi a mesma. Minha mãe só teve mais um mês de vida e depois nos deixou. Eu não tinha nenhuma família, então a Dra. Rosa me deixou ficar, desde que assumisse o serviço da minha mãe. Como já tinha dezesseis anos, achei que era tudo o que eu poderia fazer, afinal não tinha estudo e nem tinha a menor chance de abandonar você.

Eu passei a poder me aproximar mais de você, nem que fosse por poucos minutos, na hora de dar o seu banho no leito, sempre sob o olhar atento da Dra. Rosa. Ela não me deixava mexer em nenhum aparelho sequer. Eu levava pra ela suas sopas e as papas de fruta com os nutrientes que você precisava e ela administrava tudo por uma sonda enteral, como ela me explicou.

Eu tentava chegar a você sem ela estar por perto, mas a megera nunca te deixava! E quando não estava no quarto, te monitorava por câmeras. Eu não podia me arriscar muito, ou seria mandada embora e aí sim ficaria impossível te ajudar.

Nos seus aniversários eu fazia um bolo e cantava parabéns na porta do seu quarto, soprando as velas por você em seguida. Todos os anos o meu pedido era que você acordasse.

Nesse momento eu mesma tinha começado a chorar, pensando em quanta coisa perdi além de bolos de aniversário. Vinte anos da minha vida numa cama…

Como nunca estudei muito sobre nada, não conseguia entender como era possível você continuar crescendo e se desenvolvendo fisicamente estando naquele estado. Eu sei que era bem alimentada e fazia uso de um farnel de vitaminas e medicações, mas parecia algo mágico. Só que não do tipo bom, magia negra, sabe? Parecia que você tinha sido amaldiçoada a dormir e nunca mais acordar. Hoje eu sei que não era nada disso, foi só aquela maldita mulher doente que causou isso tudo a você, Aurora. Como ela pôde?

Eu balançava a cabeça em negativa, sem saber o que lhe responder. É tão estranho nem ao menos conhecer o seu inimigo. Aquela mulher acabou com a minha vida e eu só tenho a recordação de ver seu rosto pela televisão e estampado nos jornais depois que meu caso chegou à mídia. E eu ainda estava no hospital, perdendo mais dias e dias…

Algo dentro de mim mudou após uma daquelas reuniões em que faziam exames e anotações, e mais uma vez ninguém tinha qualquer resposta sobre o avanço da sua “doença”. Depois que todos foram embora, eu me senti exausta. Estava cansada de nunca ter respostas, minha esperança estava minguando… Eu fui até a doutora e explodi. Eu coloquei pra fora tudo o que queria ter dito durante os anos que ela se aproveitou de você. Eu a coloquei contra a parede e disse que se não me desse respostas claras eu iria na polícia, no corpo de bombeiro, ia na televisão, naqueles programas que eles entram na casa pra libertar reféns… Eu vinha me munindo de coragem há tanto tempo.

“Você foi extremamente corajosa, Sarah. Eu devo tudo a você”. Eu lhe disse, deitando a cabeça em seu colo enquanto as lágrimas rolavam. “Continue, por favor. Eu tenho que saber tudo.”

Ela me mostrou seus laudos, vários exames e declarações assinadas por diversos médicos alegando que você tinha incapacidade motora e mental. Eu não conseguia acreditar. Eu não queria acreditar. Quando fui dormir naquela noite, eu não me deixei relaxar. Vi que ela entrou no meu quarto por volta de duas horas da madrugada e pingou umas gotas de alguma coisa na minha jarrinha de água, que fica ao lado da cama. Sempre tive esse hábito e só com a ajuda de alguma força celestial eu suspeitei de que a bruxa tentaria alguma coisa contra mim e não preguei os olhos.

Com o raiar do sol eu me levantei, tomei banho e saí. Voltei com todos que prometi. Ela não esperava por aquilo. Acreditava demais na minha burrice, pensou que eu tinha aceitado suas palavras como verdade absoluta mais uma vez, ou na potência do veneno que tentou me dar, que foi comprovado depois pela perícia policial.

Naquele momento ela teve que dar explicações muito mais sérias. Mesmo que ela apresentasse todos aqueles papéis falsificados, com a presença da imprensa, as autoridades médicas e policiais não podiam negligenciar o seu caso, eles precisavam entender por que você estava sendo tratada em casa, sem o conhecimento de nenhum estabelecimento de saúde, e não em um hospital.

Foi então que tudo aconteceu. Ela tentou desligar seus aparelhos pra acobertar a atrocidade que vinha fazendo com você há tantos anos. Mas eu não deixei. Eu furei a barreira que as autoridades haviam imposto e pulei contra ela, apertando o seu pescoço até quase a morte. Eu não me orgulho de ter perdido o controle e de ter sido retirada do local por policiais, mas eu tinha que impedir que ela saísse impune por te colocar naquele estado, que agora eu sei era um estado vegetativo de semiconsciência.

Ainda bem que eles não me ficharam, já que eu tinha denunciado a mulher, eles encararam como uma defesa, então me liberaram logo. Fui direto te encontrar no hospital e os médicos finalmente me deram explicações plausíveis.

Ao que pareceu a eles, antes de a maldita confessar em tribunal, você estava sendo feita de cobaia para um estudo longo sobre desenvolvimento humano em condições precárias de sobrevivência. Eu sabia que ela estava te usando, mas ter a comprovação era mil vezes mais doloroso. Se eu tivesse denunciado antes…

Eles me explicaram que você ouvia tudo e registrava os acontecimentos ao redor, mas era mantida presa dentro de você mesma, sem conseguir interagir com o mundo exterior. Você era o seu próprio cárcere. Mas agora você está livre, graças a Deus!

Naquele momento eu me levantei do colo de Sarah, como se tivesse um estalo. Assim que os sedativos saíram do meu organismo, ainda no hospital, eu senti como se uma enxurrada de informações tivesse sido despertada em mim. Eu não consegui compreender o que todas aquelas vozes na minha cabeça significavam.

Eram desconexas, às vezes em forma de sussurros, outras altas e graves, como discussões, mas era a voz dela que sobressaía em quase tudo o que rondava meus novos pensamentos. Me lembro agora de ter tentado por vezes responder aos seus chamados, mas não tinha forças, eu não encontrava a minha própria voz.

Sarah olhou dentro dos meus olhos, apreensiva com o meu rompante. Só então percebi que eu estava tremendo. Ela segurou meus ombros e de imediato meu corpo recordou do calor exato da sua mão na minha, tantas e tantas vezes, em momentos em que eu parecia estar completamente sozinha. Eu não estava. Ela sempre esteve lá.

Me afastei, desconfortável. Era muita coisa para assimilar. Eu precisava ficar sozinha.

Sarah se levantou, não antes que eu a visse secar uma outra lágrima com as costas da mão. Ela foi até a cozinha do meu novo apartamento, checou a geladeira e os armários, se certificando de que eu não estava precisando de nada. Depois, voltou para a sala, pegou a bolsa que estava sobre o sofá e me olhou com tamanho carinho que me fez respirar fundo.

Você sabe onde me encontrar. Se estiver precisando de qualquer coisa, é só me ligar e eu venho correndo. Descansa.

Mas eu já havia descansado por tempo demais. Anos inteiros da minha vida jogados fora dormindo.

Desde que tive alta do hospital eu praticamente não prego os olhos. Eu quero aprender de tudo, quero saber o que aconteceu com o mundo enquanto eu estava parada no tempo. Divido meus dias entre estudar em casa, ouvir a maior quantidade de notícias que posso e dar continuidade ao meu tratamento. Foram 8 meses internada na clínica de reabilitação para que eu retomasse o poder sobre as funções do meu corpo, como andar, falar, ter controle sobre as minhas necessidades fisiológicas, fortalecer meus músculos e ossos. Essas não são coisas que se dominam do dia para a noite.

Apesar de todo o mal que me fez, os estudos da Dra. Rosa estavam corretos. Recebendo o mínimo que eu precisava, o meu corpo foi capaz de se desenvolver ao longo dos anos. Eu cresci, todos os meus órgãos funcionavam perfeitamente, eu conseguia responder a estímulos e minha capacidade de aprendizagem não fora nem um pouco afetada.

Depois de muitos testes, fui liberada a continuar o tratamento em casa. Sou acompanhada semanalmente por uma equipe médica e todos os dias recebo a visita de um fisioterapeuta. Os exercícios têm me ajudado muito e já consigo caminhar pela casa sem a ajuda das muletas, apenas escorando nas paredes. Ele diz que em breve eu vou ter uma vida normal, poder sair sozinha, correr no parque e até andar de bicicleta.

Ao sair da clínica, meu advogado, que até então eu nem sabia ter, me procurou para me colocar a par da minha situação financeira. Dra. Rosa havia investido boa parte da fortuna dos meus pais no tal estudo, mas ainda assim tinha me sobrado o suficiente para me manter por um bom tempo, até eu poder tomar pé da minha vida e começar a trabalhar. Além disso, decidi vender a casa, que só me trazia péssimas recordações, e Sarah me ajudou a escolher e comprar um apartamento pequeno.

Todo o tempo em que estive internada, no hospital e depois na clínica de reabilitação, Sarah ia me ver diariamente. Eu lembrava vagamente do seu rosto infantil, mas ela não tinha mudado tanto assim. E sua voz era tão familiar. Mesmo que eu não conseguisse entender exatamente quem ela era para mim, eu sabia que era a única em quem eu podia confiar.

Como a casa havia sido isolada para perícia, Sarah tinha ido morar com uma antiga colega da mãe dela. Aquilo me incomodava, pois eu sentia que a tinha tirado do seu lar. Era a casa dos horrores, como ela mesma diz, mas era a única referência que ela tinha de lar, pois foi onde ela cresceu também.

Depois de ter salvo a minha vida, ela finalmente pôde dar um jeito na sua própria. Ela arrumou um emprego de babá (que não poderia ser mais perfeito, visto que cuidar de pessoas é sua maior habilidade) e começou a fazer supletivo. Ainda assim, ela não deixava de vir me ver um dia sequer.

Respirei fundo e fechei os olhos brevemente, deixando a imagem do seu rosto preencher a minha mente. Sarah é o meu anjo da guarda. Foi então que uma certeza inabalável me invadiu. Eu a amo. E eu sei que ela também me ama.

Peguei o celular novamente e busquei por seu contato no WhatsApp, do jeito que ela me ensinou. Apertei o botão do microfone e lhe enviei uma mensagem de voz. Eram quatro horas da madrugada, ela só veria de manhã. Decidi, então, me deitar um pouco.

Passei as horas seguintes pensando em tudo o que ainda gostaria de aprender, tudo o que ainda queria fazer, todos os lugares que queria ir, e Sarah estava ao meu lado em cada uma dessas imagens.

Às seis horas da manhã ouvi a chave girando na fechadura e a porta da sala sendo aberta. Seus passos apressados denunciavam que estava pensando que era alguma emergência e eu me condenei por tê-la feito se preocupar à toa. Eu devia ter dito que estava tudo bem.

— Aurora, o que aconteceu? Você está bem? — Ela entrou no quarto esbaforida, largando a bolsa na cama e se ajoelhando ao meu lado.

— Sim, tá tudo bem. Me desculpa. Pode ficar calma, tá? Eu só precisava muito te dizer uma coisa.

— Nossa, você me assustou. Eu vou precisar de um copo de água com açúcar.

Ela fez menção a se levantar e sair do quarto, mas segurei sua mão e ela ficou imóvel.

— Espera, me ouve primeiro, por favor.

Eu continuei puxando-a enquanto olhava dentro dos seus olhos negros. Me ajeitei na cama e indiquei para que ela se deitasse comigo, bem de frente pra mim. Percebi que sua respiração ficara acelerada, no mesmo ritmo da minha. Ela apoiou a cabeça no meu travesseiro e ficamos alguns minutos assim, apenas nos olhando, enquanto eu esperava que a coragem voltasse.

— O que foi, Aurora? Está sentindo algo?

— Estou.

— Acho que é melhor chamarmos o médico.

— Não, não é disso que eu preciso. Eu tenho que te dizer uma coisa e isso é muito importante.

— Então me diga.

Ainda um pouco hesitante, levei minha mão até o seu peito, bem em cima do seu coração, e a deixei ali, sentindo o subir e descer da sua respiração.

— Eu sinto o mesmo — disse num fio de voz.

Seus olhos aumentaram de tamanho e ganharam um brilho intenso com as lágrimas brotando.

— Eu sei que não me lembro de quase nada, mas tudo o que me lembro é da sua presença. Você esteve aqui por mim o tempo todo. Você salvou a minha vida. E você está certa. Não quero ficar presa ao passado, eu quero viver o presente e pensar no futuro. Tudo com você do meu lado. Eu amo você, Sarah.

— Ah, Aurora. Eu também te amo mais do que tudo.

Ela encostou a testa na minha e fechamos os olhos juntas, deixando que nossas bocas se encontrassem por instinto.

 

Nesse conto de fadas é uma princesa que salva a outra.

E elas foram felizes para sempre.

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