Já dizia o velho ditado “nunca julgue um livro pela capa”. Devo confessar que foi exatamente o que fiz quando me deparei com “Um Martini com o Diabo”. Na verdade, não foi a capa que chamou tanto a minha atenção, mas sim o título. Pensei “este é o meu tipo de livro”. E contrariando o ditado, acertei em minha escolha.
Nessa história, Claudia Lemes nos apresenta o jovem Charlie Walsh e sua busca por vingança contra o próprio pai. Embarcamos com o protagonista para Las Vegas e com ele nos infiltramos na máfia italiana. Embora o plano dele seja simples: entrar para a famiglia Conicci e matar Don Tony, o pai que nunca conheceu; vemos que esta não será uma tarefa fácil. Quanto mais próximo do objetivo, mais fascinado Charlie se sente pela vida do crime. Conseguir dinheiro fácil através de pequenos trabalhos violentos, a prostituição e o prestígio de mafioso corrompem o protagonista, mas mesmo assim não julgamos suas ações. O fato do jovem conviver com a figura paterna que nunca conheceu também o seduz e o afasta de tudo que planejou.
Ao longo da leitura fica evidente a influência de grandes clássicos do gênero como “O Poderoso Chefão”, de Mario Puzzo; um prato cheio para quem gosta de histórias de máfia e romance noir.
Acompanhamos o dilema do protagonista com expectativa. Entendemos cada uma de suas escolhas. Vemos sua mudança ao longo da passagem do tempo. Esperamos pelo desfecho da obra com ansiedade. E somos brindados com um final acertado e plantado desde a primeira página.
Mais uma vez, Claudia Lemes nos traz um trabalho de pesquisa primoroso e um entendimento dos questionamentos humanos que deixa a história verossímil, tal qual vimos em “Eu Vejo Kate” (resenha aqui). Os personagens são densos e bem trabalhados, o que fica evidente nos diálogos bem escritos. Por toda leitura estamos dentro da cabeça de Charlie e entendemos todas suas sensações, pensamentos, tudo que lhe causa sofrimento.
A descrição das cenas e ambientação são tão bem feitas que ao correr os olhos pelos parágrafos era como se estivesse assistindo a um filme. Cenas de violência, estupro, drogas, são coerentes ao tema. A escrita de Claudia é tão ágil e objetiva que não encontramos barriga em seu texto e tudo é narrado como tem que ser.
Vale muito a pena sentar e tomar um Martini com o Diabo.
Camila Servello Aguirre
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