Resenha | Penumbra3 min de leitura

Neste mês de novembro, chega às livrarias, pela Editora Leya, Penumbra, o novo livro de André Vianco. Nesta surpreendente história, acompanhamos a pequena Lana que, ao acordar na Penumbra, um lugar é que é sempre uma alvorada eterna ou um crepúsculo sem fim, precisa deixar a teimosia de lado e esquecer tudo o que mais ama, pois só assim poderá seguir com sua jornada. No entanto, ao se recusar e desafiar a velha e ressequida babá Osso Duro – a guardiã das crianças que vão parar naquele lugar, Lana desperta perigos que só poderá enfrentar ao lado da dita senhora com aspecto de caveira.

Em Penumbra, Vianco nos leva novamente ao gênero que o consagrou. É interessante que este volume tenha um aspecto mais espiritual, como “A Casa” e “Caminho do Poço das Lágrimas”, sem trazer qualquer convenção religiosa para as páginas. Vampiros e outras criaturas são deixados de lado e podemos embarcar numa história de apertar o coração, mais ainda do que os romances citados anteriormente.

Ao iniciar a leitura, nos deparamos com um aviso do próprio André; Penumbra não é uma história com final feliz, pelo menos, não um final terreno. Sabendo da premissa e lendo aqueles conselhos iniciais, acabamos imergindo ainda mais na história, talvez até com um pouco de receio em prosseguir. Poderia um livro sem final feliz — e somos informados disso — não causar decepção no leitor?

A resposta é NÃO.

O romance é lúgubre, como a já conhecida voz do autor. A melancolia está presente e transborda página a página chegando até o leitor de uma maneira muito sutil e terna. Não há decepção alguma em nos depararmos com um final que parece tão triste, mas tão bem acertado e plantado ao longo da narrativa. A protagonista não poderia encerrar sua jornada de outra maneira. Neste momento, os olhos que estiverem correndo pelas páginas irão se encher de lágrimas. Os meus encheram.

É um livro curto, de leitura fluida, sendo possível terminá-la em poucos dias, ou até mesmo horas, se você for um leitor mais afoito. Tudo se desenrola numa sequência linear com capítulos bem amarrados e uma trama que segura o interesse do início ao fim. Em alguns momentos, o ritmo pode até parecer lento, com alguns diálogos que soam repetitivos – com certeza, de maneira proposital. Mesmo assim, isso não desabona a leitura, muito pelo contrário, até porque, nos momentos finais da trama, os diálogos são capazes de chacoalhar alguma coisa dentro da gente, causando momentos de introspecção. A inevitabilidade de certas coisas na vida chega a nós num choque de realidade causado pela leitura. É um livro que nos traz algumas reflexões e, mesmo após fechá-lo; mesmo depois de passados alguns dias do fim, ainda nos pegamos pensando nas lições e personagens que nos foram apresentados.

Para os escritores que, assim como eu, fizeram ou fazem os cursos do André, Penumbra deveria fazer parte da bibliografia obrigatória, pois vemos as técnicas que ele ensina sendo aplicadas de maneira primorosa sem deixar a história engessada.

Já para os leitores que curtem uma história envolvente e que irá deixá-los pensando sobre o que acabaram de ler por dias a fio, Penumbra é um prato cheio.

Em ambos os casos, obviamente, vale a leitura. Penumbra veio para emocionar, roubar algumas lágrimas e o valor de sua leitura transcende o ponto final.

Camila Servello Aguirre

Camila Servello Aguirre

Camila Servello Aguirre é natural de Taquaritinga, interior de São Paulo e, atualmente, mora na capital do estado. Escreve desde a adolescência, porém se formou em Medicina Veterinária. A profissão não impede que siga na carreira de contar histórias. Teve seu primeiro livro, Os Cinco Demônios, publicado em 2015. Já participou das antologias Draculea II (2010) e Sobrenatural (2011), ambas da All Print Editora e, em 2017, teve o conto Perfeita Vampira dentre os selecionados para a antologia Vampiro: Um Livro Colaborativo, que celebra os 120 anos do livro Drácula. Publica periodicamente no Conte Histórias desde a sua fundação, em 2016.
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