Reprodução do poema da Origem da História, como encontrada na Cidadela Branca, recitado a primeira vez nos salões do Farol de Meketh, pelo Alto Vigia O’wabu Malawawi, no ano 387 da Terceira Era dos Mellesteros. Continuar lendo “Poema | A Criação da História”
Categoria: Poemas
Poema | Garota Reinventada
Ela caminha pelas ruas da Zona Sul, o vento alvoroçando os cabelos curtos, a saia tremulando ao seu redor e a mala de rodinhas batendo no chão de pedras portuguesas.
A cabeça sempre baixa, encarando os próprios sapatos. Atenção nos buracos. Mas quando levanta o olhar, o preto reluz ao ver o mar. E ela baila pelas ruas arborizadas feito uma pluma no ar salgado.
De vez em quando lembra a si mesma de olhar pra frente, com ares de quem quer capturar as imagens e guardar pra sempre em seu cérebro a bela arquitetura e decoração.
Ela é uma peça bruta num castelo de cristal. Se admira de todos os movimentos, o vai e vem dos pedestres, hóspedes, cachorrinhos… É um mundo tão diferente do seu, mas ela aos poucos vai se chegando, conquistando o seu espaço, levantando os olhos e voltando a face ao céu.
Como chuva de verão, ela chega com um aroma de novidades. Ela é tão inteira que não cabe em qualquer metade. Ela transborda. Extravasa. Ela é só uma garota comum que reinventou a sua realidade.
Prosa poética | Última demanda
Vê?
Quão bela é a vista daqui de cima?
O panorama do infinito que a mirada superior proporciona?
Ouve?
O assobio de Zéfiro que me emudece?
A quietude, a serenidade, a calmaria?
Prosa poética | Habitat natural
Cada um habita o espaço que lhe convém.
Alguns habitam uma casa, um emprego, uma ideia.
Outros moram na vaidade, ególatras que são.
Hoje eu moro no vazio.
Habito o nada.
Já fui desses que tem uma razão, um motivo, um porquê.
Já vivi na certeza, já fui inteiro.
Agora trago comigo o oco, o vago, a lacuna, o hiato.
Hoje eu moro no vazio.
Simplesmente não pertenço.
Poema | Manhã cinzenta
Mesmo depois do final fatídico e aguardado
Restaram tantas lágrimas
Eles vagaram como família
Buscaram por sua nova casa
Não precisa correr
Para curar aquela dor
Apenas acene adeus
A escuridão já passou
Quando ela voltar,
Temos esse fósforo
Segure com sua mão
Deixe que essa chama derreta
O gelo em seus olhos
Quando flamejar, esquentará seu coração.
Tantos inacreditáveis acontecimentos
Puderam ouvir trepidar no fogo
E no farfalhar das folhas de orvalho
Mesmo depois de tantos anos
As memórias se transformaram em histórias
Os gritos em música
A dança em força
Deve fazer parte de seu encanto
Mas, ainda naqueles dias, lembraram-se todos:
“O amanhã já está chegando, mamãe.”
Disse a menininha daquele povo
Poema | Florescer
Ontem não dormi
Hoje com sorte
Posso ver o sorrir
Sorrir do céu
O azul do véu
Que voa no vento
Lindo, em perfume lento. Continuar lendo “Poema | Florescer”
Poema | Amarelo Pôr do Sol
Não há mais
Nunca houve
Palavras a altura
Que descrevam
O amor
A ternura
O beijo
E o que isso configura.
Poema | Alto-mar
E esta terra tão distante
Para além mar
Me chama
São terras, eu sei, intermitentes
Faz barulho
E continua sendo canção
Fui seguindo, seguindo
Me deparei com essa ilusão
Tão lúcida, que tocou o céu prússia
Me abriu o portão Continuar lendo “Poema | Alto-mar”
Poema | Vazia
Vazia
dá vazão à escura bruma
espalha-se toda em bacia
tal que a alma gruma
Valia
virar vácuo
treva insonora
insípida
insólita
densa
profunda
Vazia
não doía
não chorava
não sentia Continuar lendo “Poema | Vazia”
Poema | Abrir de asas
Às vezes
De vezes em sempre
De quando em quando
Eu quero tudo
Eu tenho meus planos
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