Resenha | Daytripper2 min de leitura

Dificilmente você encontrará algo que trate de uma maneira tão sutil e bela temas como vida/morte quanto Daytripper (publicado pela Panini), dos brasileiros e irmãos gêmeos: Fábio Moon e Gabriel Bá.

Brás de Oliveira Domingos é o narrador-personagem que nos leva através de várias linhas temporais diferentes, construindo capítulos com trajetórias e finais recheados de questionamentos. Além disso, como o próprio nome do personagem alude, há uma clara referência ao romance de Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. O diálogo entre as duas obras funciona como atualização dos temas, todavia, há uma leve diferença na abordagem, o que traz novos ares para as discussões.

A quadrinização e a arte dos gêmeos também são impecáveis. Conseguem imprimir um traço marcante e agradável de acompanhar no decorrer da história. Sendo as ilustrações das cidades de São Paulo e Salvador espetaculares, conseguem trazer uma atmosfera tipicamente brasileira. O roteiro funciona muito bem, já que brinca com a linha do tempo de Brás, sem deixar que o leitor fique confuso e se perca no meio.

Além disso, os capítulos são breves crônicas que discutem coisas extremamente mundanas como: infância, o processo de amadurecer, relacionamentos, encontra-se profissionalmente e, por fim, a morte. Logo, os criadores precisam ter muito tato, para não deixar a história dramática demais ou não consegui fazer o leitor se conectar com os personagens, mas, felizmente, os gêmeos conseguem trabalhar perfeitamente com os personagens e as discussões, o que fara você parar a leitura e pensar um pouco em todos os dilemas que vemos Brás enfrentar nas suas diversas linhas do tempo.

Fábio Moon e Gabriel Bá são dois dos quadrinistas brasileiros mais bem falados no mercado de comics do exterior e são ambos muito merecedores dessa fama. Então, caso queira prestigiar um ótimo trabalho de artistas nacionais, fica mais que recomendado a leitura desse trabalho dos gêmeos.

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André Diniz

Nasceu em Anápolis, Goiás, mas viveu um breve tempo na Irlanda do Norte tentando receber uma carta de Hogwarts. No presente, está em Várzea Grande, Mato Grosso, caçando criaturas místicas das florestas. Apaixonado desde sempre por qualquer tipo de história, segue o lema de sempre buscar as boas para contar. Treinador Pokémon de longa data e um completo medroso para filmes de terror.
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