Resenha | Magnus Chase e os Deuses de Asgard – O Martelo de Thor4 min de leitura

Iniciada com A Espada do Verão (Intrínseca, 2015), O Martelo de Thor (Intrínseca, 2016) é a segunda parte da trilogia nórdica de Rick Riordan. A continuação da saga narra as aventuras de Magnus Chase, que agora tem a missão de ajudar o Deus Thor a recuperar seu martelo e evitar uma invasão de gigantes.

Os mesmos personagens do primeiro livro retornam para ajudar Magnus em sua nova empreitada. De seus companheiros da vida nas ruas, o anão Blitz e o elfo surdo Heart, até seus colegas do andar 19 no hotel Valhala, todos se unem mais uma vez para tentar impedir que o roubo martelo antecipe o Ragnarök e cause a destruição dos nove mundos.

A trama acerta ao envolver um plot simples em um grande mistério e mostrar que até mesmo a história mais óbvia pode se revelar muito mais complicada do que aparenta, principalmente quando se trata do deus da trapaça, Loki. A forma como cada inimigo ou aliado demonstra cuidar apenas de seus próprios interesses, ainda que se trate da destruição do mundo, faz a história possuir muito mais camadas do que parece.

Outro acerto na trama é a representatividade. Cada vez mais presente nos livros de Riordan, a diversidade é elevada a outro patamar ao apresentar ao público um personagem com gênero fluído, que se identifica tanto como menino quanto como menina. Alex é uma personagem forte, que faz questão de ser tratada de acordo com o seu gênero naquele momento. A forma como o autor abordou o tema, rendeu a O Martelo de Thor o prêmio Stonewall Book Awards de 2017, concedido pela American Library Association para obras que celebram a diversidade na literatura, abordando a temática LGBT.

Sem tornar a diversidade o assunto principal da trama, mas usando-a para humanizar os personagens com situações críveis sobre os problemas enfrentados, o autor aborda o tópico de forma natural. A muçulmana Samirah, por exemplo, é uma valquíria, responsável por levar as almas dos guerreiros mortos a Valhala; enquanto o personagem principal é um semideus filho de Frey, o deus do sol, da chuva e da colheita, e mesmo assim, ele se vê como ateu. Ambas as situações geram discussões interessantes no livro sobre a visão que eles têm dos deuses, da vida e da fé.

No entanto, conforme conhecemos cada vez mais sobre o universo dos deuses nórdicos, fica evidente a falta de cuidado com a construção de algumas regras. Um exemplo disso é a necessidade dos heróis: na mitologia grega, temos as profecias ou regras sobre os heróis encararem as aventuras em nome dos deuses. Na egípcia, os deuses participam das batalhas normalmente; o empecilho ali são alguns deuses estarem aprisionados, enfraquecidos ou totalmente sem poderes. Já na mitologia nórdica não são apresentadas regras; os deuses, mesmo na iminência do Ragnarök, se mostram alheios a tudo e todos. Seja a falta de uma profecia, o que norteou a jornada dos heróis em A Espada do Verão, seja pela simples falta de comprometimento dos deuses envolvidos, a trama peca por não se dar a devida importância.

Um ponto que agrava ainda mais a abordagem dos deuses é o humor. Usado sem timing algum durante todo o livro e, em praticamente todo parágrafo, ele faz com que a imagem dos deuses soe cartunesca demais. Desde o Deus que passa a eternidade na ponte Bifrost tirando selfies, até o dono do martelo do título que se dedica a peidar e assistir séries de TV, tudo soa como uma desculpa para fazer rir. É um grande trunfo conseguir mesclar aventura, suspense, mistério, cultura e humor em uma mesma história. Torna qualquer trama mais rica, pois reflete a vida de forma fiel. A lição que fica é o equilíbrio, que passa longe do martelo de Thor.

Para quem curtiu A Espada do Verão, é fã dos livros do autor ou de mitologia nórdica em geral, o Martelo de Thor é diversão garantida. Os deuses e semideuses ainda têm mais uma batalha pela frente, então, junte-se a Magnus e seus companheiros nada comuns, mesmo para os níveis de Valhala, e aproveite, pois a aventura chega ao fim em outubro com o lançamento de Navio dos Mortos.

Diego Vieira

Paulistano, formado em Marketing e viciado em séries. Ler é outro vicio que possui. Começou com Agatha Christie, passou por Sidney Sheldon e conheceu a obra de James Patterson, que influencia muitos de seus trabalhos em desenvolvimento. Comprou um kindle, mas não abre mão do livro físico e sempre tem um a mão. Ama contar histórias desde que aprendeu a falar e sonha viver disso. Acredita que qualquer situação pode gerar uma boa história, principalmente com uma dose de mistério e fantasia.

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