Entrevista | André Vianco19 min de leitura

Não é todo dia que você tem a oportunidade de tomar um cafezinho com um dos mais emblemáticos escritores nacionais da atualidade. Morar em Osasco tem as suas vantagens. André Vianco, o homem que trouxe os vampiros para o Brasil, disponibilizou um tempo na agenda para esta entrevista interessante e esclarecedora.

Quando André Vianco resolveu colocar vampiros nas ruas de Osasco as coisas mudaram. A cidade se tornou palco de uma contenda nunca antes concebida e a literatura nacional atual acabava de ganhar um dos seus maiores nomes. Dezesseis anos depois, Vianco é referência quando o assunto é escrever sobre o que é nosso. Sem dúvida ele foi um dos pioneiros em trazer toda a mudança que a literatura sofreu nos últimos. Ele abriu portas e possibilidades que até então eram pouco cogitadas pelos escritores. Seus livros com vendas expressivas arrebataram milhares de fãs por todo esse Brasil e influenciaram uma nova geração de contadores de histórias.

Aqui abro parênteses para contar um “causo” acontecido recentemente entre mim e este meu ídolo. Satisfeita e feliz, havia conseguido gravar a entrevista com ele no meio de novembro. Estava ansiosa para compartilhá-la com vocês, leitores do Conte Histórias. Mas nem tudo são flores e eu tenho uma certa sina com a tecnologia. De vez em quando meus aparelhos eletrônicos gostam de me sacanear. Lógico que no momento em que peguei o celular para transcrever a entrevista o áudio estaria corrompido. Naquele dia havia acabado de perder a entrevista com o Vianco, a entrevista com a Renata Ventura (ainda bem que já estava publicada) e milhares de arquivos pessoais. Não teve técnico, reza ou promessa que resolvesse o problema. Envergonhada e chorosa fui falar com o Vianco novamente. Contei o acontecido sem saber muito bem onde enfiaria a cara. “Não tem problema. Gravamos outra. Mas dessa vez, levarei o meu gravador.” – essa foi a resposta que eu tive. Percalços na vida acontecem e pude contar com a gentileza e humildade daquele que considero um dos maiores escritores do Brasil. Agora mais ainda. Gravamos outra entrevista e fiz questão de lhe pagar o café.

Então, sem mais delongas, e já avisando que quem quiser conferir a resenha do recente romance do André basta clicar aqui, segue a entrevista maravilhosa e cheia de dicas preciosas – versão 2 – que ele nos concedeu. Enjoy.

Conte Histórias – Sua carreira de escritor começou numa, digamos, infelicidade, afinal você perdeu o emprego e acabou usando seu FGTS para bancar a publicação de Os Sete. O que você acha que estaria fazendo se isso não tivesse acontecido?

André Vianco – Olha, é difícil prever, mas uma coisa que eu tenho certeza é que eu continuaria contando histórias; continuaria escritor, inventando histórias. Para mim, na verdade, nesse momento é difícil avaliar, mas o que aconteceu foi uma solução. Não foi uma infelicidade porque quando chegou o Fundo de Garantia eu vi que poderia publicar o meu livro e aí começou a minha carreira nesse campo de ser um autor publicado, independente, autopublicado. Foi aí que começou.

CH – A sua biografia do Facebook diz “Pai, marido, escritor, amigo, roteirista, palestrante. Trago seu amor de volta em cinco dias.” Parece que você tenta abraçar o mundo. Como você consegue conciliar tantas coisas? Qual a sua rotina na hora de escrever?

AV – Eu sofro de ansiedade. Se tem uma coisa que me consome é essa vontade de realizar os sonhos que eu tenho, de pôr em prática o que eu imagino, contar histórias, então tem dia que é uma avalanche de coisas na minha cabeça mesmo, mas a rotina é simples. Precisou virar rotina; disciplina. Eu acordo, de manhã, oito ou nove horas é a hora que eu gosto de escrever, depois eu leio um pouco; à tarde trabalho com as redes sociais, também a Vivendo de Inventar, que é a Newsletter que eu criei, junto com os cursos, onde tento transmitir um pouco do que eu aprendi nesses dezesseis anos publicando livros de ficção, fantasia, terror, o que não mudou de 1999 pra cá. O acesso à informação qualificada é difícil ainda para área de literatura de entretenimento. E os meus olhos vão para todos esses lugares. Eu tento me organizar como eu posso para atender.

CH – Em 2012, ao lado de Eduardo Spohr, Raphael Draccon, Carolina Munhoz, entre outros, participou de um projeto chamado Geração Subzero, um livro de contos que reunia escritores adorados pelo público, mas ignorados pela crítica. Não cair nas graças da mídia te incomoda? Você consegue pensar por que vocês são “desprezados” por esses meios?

AV – Eu não vejo com tanto problema. Eu acho que ser escritor é diferente de ser popstar. As pessoas precisam querer ler. Então eu acho que sou bem-sucedido nesse aspecto de estar nos veículos; as críticas em sites são boas. Tive uma recepção muito boa. Sempre. Então eu não me vejo tão discriminado assim, mas o que é uma bobeira é essa coisa que existe de separar de um lado literatura de entretenimento e a chamada alta literatura, literatura erudita. Todo mundo que faz alguém ler é herói ou heroína nesse mundo. A única coisa que me chateia, às vezes, é isso; essas picuinhas em torno de qual literatura vale mais. Eu acho que toda literatura vale.

CH – Recentemente, você publicou Dartana, um livro de fantasia diferente do que você já produziu. Como está sendo a opinião dos leitores? Quais as suas expectativas?

AV – São 16 romances publicados. Dartana é o décimo sexto. Sem brincadeira, eu fiquei bem ansioso na época quando estava saindo, porque é muito diferente dos outros que eu já escrevi. Claro, não foi aquela coisa de fazer drama “Ai meu Deus, será que os leitores vão gostar?”. Realmente eu não sabia o que os leitores iriam achar. Mas as respostas têm sido encantadoras. Eles vibraram com o livro e estão gostando demais. Dos meus livros foi o que teve mais retorno em tão pouco tempo, de mensagens e pessoas falando, comentando “gostei desse personagem”, “gostei desse trecho”.

CH – Então, esse deu trabalho?

AV – Deu mais trabalho que os outros. É um livro complexo. Eu tive que criar muitas raças, muitos povos, então foi bem difícil.

CH – Com Dartana, você se aventurou na alta fantasia, gênero diferente do que está habituado. Tem algum outro gênero que você gostaria de escrever?

AV – Eu gosto de tudo que é drama. Se a ideia me pega. Nosso tempo aqui na Terra é tão ralo. Eu escrevo o que me vem na telha. No começo existe uma preocupação. No começo é mais indicado que um autor iniciante preserve algo do gênero para você solidificar a carreira. Mas quando você tem um tempo de estrada e bastante leitor, isso não preocupa tanto.

André Vianco sentado sobre uma pilha de livros escritos por ele.

CH – Como você enxerga o mercado literário hoje? O que mudou desde que escreveu o seu primeiro livro?

AV – Hoje está mais fácil pra você começar a montar sua rede de leitores. As portas estão aí, abertas. Tem as redes sociais e as plataformas digitais, onde você pode tanto publicar gratuitamente, quanto colocar o seu livro já a venda nas lojas digitais como a Amazon que é uma das mais fáceis de publicar. Eu sempre apoio os leitores a publicar na Amazon. E o talento fará a sua reputação. Então é fácil você começar hoje. Por outro lado está mais difícil de você pôr numa livraria física, por exemplo. Você chegar com o seu livro impresso e colocar à venda numa livraria física é difícil.

CH – Um estudo revelou que o mercado literário de terror nos EUA é um pouco menor do que o de outros gêneros mais badalados. E você se tornou best-seller no Brasil justamente por se tornar um mestre do terror. Como você vê o mercado atual desse gênero em nosso país?

AV – É um mercado que está aberto. Tanto o gênero de terror quanto a ficção de gênero estão pedindo autores novos para fantasia, ficção cientifica, ficção especulativa, cyberpunk, todos os outros desdobramentos de cada gênero. Está clamando por autores mais acabados que narrem as histórias de um jeito mais organizado. Por mais estranho que isso soe, parece que é querendo colocar as histórias num padrão, mas o leitor tem uma expectativa de ter uma fluidez dentro da história, se surpreender com aquele conteúdo, se conectar com aquele também. É onde pecam a maioria dos autores novos, que não sabem fazer esse contato entre o que escreve e o leitor. É uma das coisas que eu defendo na Vivendo de Inventar; conhecer as ferramentas do drama, porque as pessoas se conectam com histórias. Esse é um dos segredos – apesar de não gostar muito desse termo. Eu diria mais, esse é um dos caminhos para você se tornar um escritor(a) bem sucedido(a) nesse meio; saber conectar o seu texto com o leitor.

CH – Por que você nunca investiu no mercado americano? Foi opção sua ou da editora, ou nunca houve oportunidade?

AV – Eu não sei. Existe uma dificuldade do autor de ficção entrar nesses mercados – no norte-americano, no europeu – porque eles são muito bem preenchidos já. E aí a tradição da narrativa brasileira não penetra nesses leitores. Então, tem um pouco a ver com a sua última pergunta; o jeito que a gente entrega a história não se conecta com esses leitores, que cresceram lendo de outro jeito. É o nosso dever se adaptar a eles? Não sei. É nosso dever buscar cada vez contar mais histórias e mais imaginação. Uma hora isso vai acontecer. Eu tenho uma obra longa, então é provável que algum livro um dia seja adaptado, traduzido. Uma hora acontece.

CH – Sem querer entrar em muitos detalhes, uma das suas obras vai para o cinema. Você pode nos contar um pouco como está sendo essa adaptação e quais as suas expectativas?

AV – As expectativas são as melhores. É uma grande história e está sendo adaptada por uma produtora poderosa, com um diretor bem experiente, então eu só posso pensar que virá o melhor. Mas audiovisual – cinema – no Brasil é bem lento. As coisas começaram a se mexer neste ano e eu não sei quando fica pronto.

CH – Recentemente você começou uma agência, a Wolfpack, com a promessa de preparar seus “afilhados” para o mercado literário e audiovisual. Como está sendo essa experiência e o que podemos esperar?

AV – A experiência está sendo ótima. E é uma via de mão dupla. Eu estou aprendendo também. Comandar um time de escritores, comandar esses talentos, e tentar ajudar cada um dentro da sua própria voz a encontrar o caminho para se conectar com os leitores – que é o que eu faço – é um grande desafio. E acho que quem está participando está gostando. Agora é um período de aprendizado. Ela está funcionando numa fase beta. Eu estou descobrindo como ajudar esses autores. Dar treinamento para elevar a qualidade narrativa e iluminar um pouco do caminho, mostrar todas as possibilidades para quem conta histórias hoje, cada vez mais ligado ao audiovisual. Acredito cada vez mais nisso. A nossa vida está cada vez mais audiovisual. Então, bons contadores de histórias precisam se ligar no que a dramaturgia, o drama no audiovisual, pode trazer, tanto para a escrita quanto para o roteiro. Tudo mudou tão rápido nessa década; streaming, banda larga, os costumes do consumo de entretenimento, estão se transformando ano a ano, semestre a semestre. A gente tem que estar atualizado.

CH – Seus webnários têm atraído cada vez mais escritores que querem aprender com você. O que você pensa e sente em relação a esse público?

AV – É uma audiência nova pra mim, algo bem diferente. Eu uso os webnários para divulgar os meus cursos da Vivendo de Inventar, que é um conteúdo que eu acredito demais e serve sim para abrir a mente do escritor novo que tem essa vontade de contar história, colocar tudo no papel, impulsionado por esse calor, pela intuição. Mas é preciso conhecer algumas técnicas para conseguir, nesse mar de originais que chegam até as editoras, se destacar um pouco e esse pouquinho que se destaca faz o editor virar para a página dois, para a três, e ele acaba colocando o seu original numa pilha dos que serão considerados e não dos que serão descartados. Então, a minha missão é essa. E é bem desafiador. É um público novo e eu estou adorando.

CH – Quais os seus planos literários e audiovisuais para os próximos anos?

AV – Eu estou com trabalhos com as editoras Aleph e Rocco, que são a continuação de Dartana, tem o livro Penumbra, que estou no final já, para a Aleph. Eu quero ano que vem repetir a façanha deste ano. Eu tive quatro livros lançados esse ano. Tudo bem que dois foram relançamentos, mas saiu Estrela da Manhã, depois Os Sete, depois Dartana, e agora o Sétimo chegando. Quero que a Aleph mantenha essa republicação dos meus livros e que eu consiga entregar histórias novas para os leitores que já estão pedindo.

Escritor André Vianco segurando o livro "Os Sete", escrito por ele

CH – A gente sabe que hoje em dia o escritor nacional é mais intuição do que técnica. A que você atribui esse fato?

AV – Escritor brasileiro tem muita imaginação, muita vontade de contar e essas transformações que eu disse que a banda larga está trazendo, põe as pessoas cada vez mais em contato com os textos, ideias, com imagens, com vídeos, com assuntos, com temas que eles querem transmitir. Acho que contar histórias é uma coisa tão livre. Então, você começa mesmo nessa coisa da completa intuição. É assim que eu escrevi. A nossa memória tem gravada centenas, milhares de histórias que já ouvimos; na nossa infância, desde os clássicos infantis até os primeiros seriados, as HQs que lemos. Toda história bem contada que vem de fora tem um pé nessas estruturas narrativas. Depois que você começa a perceber isso e entende também, empiricamente, por instinto, você acaba entregando parte dessas ferramentas, não com consciência. O legal de você aprender a usar a técnica é fazer conscientemente as operações, saber para onde você está carregando o seu leitor, a sua recepção, quem está ouvindo, lendo, assistindo as suas histórias.

CH – Ainda sobre a questão anterior; você acha que as editoras e a forma como boa parte delas trabalha, tem sua parcela de culpa, mantendo o escritor nacional num patamar diferente do internacional?

AV – Não é uma questão de culpa, é uma questão de mercado. As editoras não são entidades filantrópicas, não estão aqui para fazer boa ação para os autores. Os autores têm a ideia de que é a editora contra eles. Não. As editoras querem publicar autores, querem publicar boas histórias, mas histórias que tenham chance de fazer essa conexão com leitores, histórias que tenham chance de ter êxito no mercado. Não é à toa que a gente está assistindo aqui em 2016 essa onda de youtubers nas livrarias. Porque os youtubers têm milhões de seguidores e quando colocarem os livros terão milhares de vendas. Não é todo seguidor de youtuber que irá comprar, mas vai ter uma venda expressiva. Hoje, vendeu mais que cinco mil unidades as editoras estão pulando de alegria. Estamos num ano difícil também para literatura, para o mercado livreiro no Brasil, então as editoras estão deixando suas apostas mais escassas. Cada ficha está valendo muito mais. Não é uma questão de culpa. As editoras vão escolher os melhores. Os melhores na questão de visibilidade, capacidade de venda, esses que são publicados. É difícil você achar a sua primeira chance. Por isso que é bom publicar no Wattpad, na Amazon. Comece a formar o seu leitor, uma hora você vai sentir que tem leitor indo atrás do que você escreve e as editoras irão perceber isso.

CH – Dentre os novos cursos para escritores brasileiros é possível notar que uma quantidade considerável é voltada exclusivamente para a escrita criativa. É possível dizer que faltam cursos direcionados para aspectos mais técnicos e de preparação de texto?

AV – É, o Brasil é bem carente em formação técnica para escritores e roteiristas. Para você encontrar cursos de boa qualidade para roteiristas, por exemplo, que é uma coisa bem mais técnica, é uma luta. Você tem escolas boas como a AIC, a Roteiraria, onde eu faço aulas com o José Carvalho. Mas são cursos bem especializados e de difícil acesso. Agora, dentro da literatura então, para o escritor, é escasso. Voltados para a parte técnica da escrita, para desenvolver o escritor profissional são dois trabalhos; uma para você encontrar e outra, para quem distribui cursos assim como os meus é encontrar escritores que percebam o quanto isso é importante, o quanto isso pode ser um diferencial para ele no dia-a-dia como escritor. Não é uma questão do tipo “isso aqui vai garantir que você seja publicado”. Não é isso que eu vendo, não é isso que eu falo. Isso vai ser uma ferramenta incrível para te dar mais poder como narrador. E aí qualquer concurso literário, qualquer edital, você vai se sentir mais preparado para concorrer com mais equilíbrio.

CH – Como vê o mercado atual para os novos escritores? Acredita que a autopublicação é o melhor caminho para a formação de público?

AV – Eu vejo que a autopublicação, o mercado atual, está cada vez mais amigável com autor novo. Você pode se testar sem investir fábulas. Você publicar mil exemplares hoje gasta – considerando tudo: revisão, um bom designer, o mínimo de assessoria de imprensa, uma orientação em assessoria de imprensa – de nove a catorze mil reais para fazer um bom trabalho e, dependendo do tamanho do seu livro, a qualidade que você quer que isso saia. Ainda assim você consegue chegar num valor atraente para arriscar. Mas distribuir mil livros físicos é que está o “X” da questão. Hoje as livrarias não pegam mais. Pode conseguir pôr numa distribuidora. Pode ajudar, mas se o seu livro não tiver uma arrancada promissora pode não dar em nada. Você se realiza. A gente, quando é escritor, quer ver o livro na prateleira, quer ver o livro físico. Super compreendo isso, e eu fiz o mesmo caminho numa gráfica. Mas era outro tempo, quando tinha dezenas de lojas de família, lojas pequenas no shopping. E eu tive onde colocar o meu livro. Então hoje a autopublicação está cada vez mais interessante porque algumas editoras de fato distribuem. Não são todas. Faça uma pesquisa criteriosa. Desconfie de quem promete demais. Quem fala sobre parceria. Já vai embora. O que cobram não é parceria. Eu conheço os números. É só você pesquisar em qualquer gráfica que você vai ver que não tem parceria nenhuma. Você está pagando a impressão do seu livro e pagando caro. Então pesquise. Tem muitos caminhos. Eu mesmo indico duas ou três editoras que eu tenho de confiança para quem quiser ser bem atendido e com um trabalho bem feito. O que eu vejo de melhor é, se você conseguir segurar essa ansiedade de ver o livro físico publicado, comece pelas opções digitais. A Amazon mesmo publica o livro físico por demanda. Por incrível que pareça não é um valor estratosférico. Mas você vai ter que tomar todos os outros cuidados da cadeia de produção que é uma boa revisão, diagramar o livro. A Amazon tem um facilitador nisso, tem um codec dela de diagramação que é incrível. É ótimo. Mas é padrão deles, você não vai poder personalizar aquela diagramação. Exceto, se você entregue um arquivo diagramado. Nem sei como isso funciona para falar a verdade. Mas é uma opção viável para qualquer autor. Não quer entregar de graça no Wattpad, põe na Amazon, põe para vender o seu livro.

CH – Você costuma prever grande crescimento do mercado de e-books nos próximos anos. Quais são suas expectativas em relação a essa mídia?

AV- Nem é uma previsão, é um fator lógico. Parece que eu estou prevendo o fim do livro físico. Não vai acabar o livro físico tão cedo. Não é isso. É que a resistência em ler no suporte digital está diminuindo. As gerações atuais de leitores, as crianças de 5, 10, 12 anos de idade, pré-adolescente, estão com cada vez menos dificuldade de ler no digital. Eu tinha essa dificuldade. Não aceitava tanto o trânsito para o digital. Tinha o apego ao livro físico, mas eu leio no Kindle hoje é uma delícia. Você lê por horas naquele aparelhinho e tem livro de qualquer tamanho ali dentro. É uma delícia. Para quem é leitor voraz mesmo; não tem por enquanto, dispositivo mais gostoso para ler.

CH – Essa é uma pergunta brincadeira: Queríamos que você fizesse uma sinopse de venda de um livro baseado em sua vida.

AV – Eu não sei. Não acho a minha história tão fantástica assim. É a história de um menino que jogava mal futebol. Ficava em casa lendo, literatura e enciclopédia. Percebeu que gostava das palavras e resolveu contar histórias de terror. E, mal sabia ele, que seu maior monstro ainda estava para chegar. As editoras dizendo “não”. Eu fico por aqui, porque eu ainda tenho muita coisa para fazer. Não sei como seria a venda dessa sinopse.

Fotos: Reprodução

Camila Servello Aguirre

Nasceu no interior de São Paulo e atualmente mora na capital, onde vive dividida entre suas duas maiores vocações: a veterinária e a literária. Embora fique maluca de pedra tentando se desdobrar entre ambas, não trocaria a caneta, muito menos a maloqueira Picanha, sua goldenlícia. Teve seu primeiro livro, “Os Cinco Demônios”, publicado em 2015 e já tem novos projetos em andamento. Atormentada por ideias, se diverte torturando o leitor com histórias cheias de reviravoltas.

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