Artigo | A Hora Certa de Publicar3 min de leitura

Recentemente li um romance de uma escritora jovem, adolescente, que nem atingiu a maioridade. Não irei citar nomes, pois não quero que as minhas palavras sejam tomadas como crítica. O que quero é abrir a discussão sobre a hora certa de publicar. Quando uma ideia se torna história e posteriormente livro? E mais, quando escrever deixa de ser hobby e deve ser encarado como profissão?

Nesta minha jornada como escritora, aprendi duas coisas que são primordiais: a primeira é que não há hora certa para sua história invadir as livrarias físicas e virtuais – mais para frente lhe direi o porquê – e a segunda, e levem isso para o resto de sua vida, é que se você quer escrever, ainda que, a princípio, não tenha grandes pretensões, você tem que encarar esse ato como uma profissão, com horário de entrada e saída, metas a cumprir e objetivos a conquistar. Com certeza estes são os melhores conselhos que posso lhe dar.

Voltando à minha mais recente leitura, e já visando explicar o tópico central deste texto, a impressão que tive foi a de que o texto ainda era muito cru, a história um pouco simplória, com pontas mal resolvidas e a todo momento ficava evidente a idade precoce da autora. Obviamente, na mesma hora, fiz uma pequena comparação com minha escrita. Só que a de dez anos atrás. A Camila de 2006 escrevia exatamente assim. O meu primeiro livro Os Cinco Demônios, começou a ser escrito quanto eu tinha a mesma idade da autora. Sua primeira versão era pobre na escrita, inocente e muito romantizada, quase infantil. Honestamente, se o houvesse publicado naquela época, hoje estaria muito arrependida. Felizmente, esperei esse tempo e amadureci o suficiente para melhorar a história. Claro, ainda hoje, quando paro para lê-lo, sinto uma pontinha de arrependimento, pois me considero uma escritora um pouco melhor do que há dois anos, quando o revisei pela última vez.

Qualquer escritor, se você perguntar, te dirá que mudaria alguma coisa em suas obras já publicadas. A grande maioria terá ao menos um tópico para modificar. Isso ocorre porque mudamos ao longo do tempo, adquirimos novas experiências e constantemente enxergamos o mundo de maneira diferente a cada novo dia. Escrever depende muito do que vivemos e do que acreditamos, das nossas concepções das coisas. Por isso, um livro nunca estará verdadeiramente pronto e quem o concebeu, dificilmente o achará perfeito.

Sendo assim, parece difícil que qualquer rabisco um dia seja publicado. Bem, por experiência própria, a gente sabe quando é a hora de submeter o nosso trabalho a um editor. Provavelmente será naquela hora que você não aguenta mais ler e reler a mesma história. E mais, acredito que todo livro, depois de pronto, necessita de um tempo para amadurecer, como o vinho. Então, amigo escritor, assim que sua história eletrizante receber o ponto final, dê um tempo a ela. Vá espairecer, ter novas experiências e retome-a depois de um tempo. Não precisa ser uma década de intervalo. Na minha humilde opinião, faltou que a jovem escritora houvesse dado um intervalo para amadurecimento da história e talvez dela mesma.

Não há nada de errado em publicar cedo, apenas tenha certeza de que a história está pronta do ponto de vista literário. Infelizmente, a hora certa não existe, mas o tempo, a experiência e o próprio livro lhe dirão qual o momento apropriado.

Camila Servello Aguirre

Camila Servello Aguirre

Nasceu no interior de São Paulo e atualmente mora na capital, onde vive dividida entre suas duas maiores vocações: a veterinária e a literária. Embora fique maluca de pedra tentando se desdobrar entre ambas, não trocaria a caneta, muito menos a maloqueira Picanha, sua goldenlícia. Teve seu primeiro livro, “Os Cinco Demônios”, publicado em 2015 e já tem novos projetos em andamento. Atormentada por ideias, se diverte torturando o leitor com histórias cheias de reviravoltas.
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