Artigo | Depression Quest

Por: Dyego Alekssander Maas

Se alguém ao seu lado estivesse passando por um episódio de depressão, você saberia dizer, com certeza, que esse é o caso? Saberia identificar os sintomas? Para muitas pessoas a resposta é não, e isso pode significar perder a oportunidade de ajudar alguém em necessidade. E é aí que entra o Depression Quest.

O objetivo dos desenvolvedores do jogo é duplo. Primeiro, ilustrar da forma mais clara possível com o que a depressão se parece, habilitando pessoas que nunca sofreram de depressão a entendê-la melhor. Segundo, fazer uma simulação tão real da depressão quanto possível, de modo que sofredores da doença venham a saber que não estão sozinhos, provendo assim algum conforto para essas pessoas.

Mas como pode um jogo ajudar alguém a entender algo tão complexo quanto a depressão? O Depression Quest não é um jogo qualquer. Ele assume a forma de uma história interativa, escrita por pessoas cujas vidas foram de alguma forma afetadas pela doença, direta ou indiretamente. O jogo tira vantagem do formato eletrônico de várias maneiras, proporcionando uma experiência altamente imersiva. Além disso, o jogo é gratuito e pode ser jogado através de qualquer navegador de Internet.

A narrativa na segunda pessoa funciona muito bem, levando o jogador a assumir seu papel na experiência. Nesta história, você é um jovem na casa dos vinte e poucos, tem namorada e um trabalhado do qual não gosta, mas que paga as contas. Até aí, tudo parece bem natural, com exceção da trilha sonora, que já de cara evidencia a atmosfera pesada que será apresentada ao longo do jogo.

Cada cena da narrativa é construída de forma a exemplificar como cada acontecimento e cada decisão impactam no desenvolvimento da doença. Cada uma delas tem o início ilustrado por uma fotografia. Assim como a textura ao fundo da página, a fotografia é sempre vista através de um filtro que lembra aquela estática em televisores antigos, efeito que combina estranhamente bem com a trilha sonora e colabora na construção da experiência.

A navegação entre uma cena e outra é feita através de links. Em algumas cenas, apenas a opção “Próximo” estará presente, convidando o jogador a seguir em frente. Em algumas cenas, o jogador será confrontado, forçado a tomar uma decisão. Cada escolha levará o jogador numa direção única. Em alguns casos, são escolhas claramente importantes, enquanto em outros a escolha pode parecer trivial, mas logo fica claro que nenhuma escolha é trivial quando se está sofrendo de depressão, e até escolhas triviais podem levá-lo a lugares escuros e desagradáveis, de onde é difícil sair.

Quando alguma mudança fica evidente, seja para melhor ou para pior, ao final da cena encontramos algumas frases destacadas sobre um fundo de estática, uma espécie de diagnóstico da sua situação atual. Imagine-se chegando a uma cena que termina com o seguinte diagnóstico:

“Você está deprimido. Você passa a maior parte do tempo dormindo, odiando a si mesmo, e possui muita pouca energia ou motivação.”

“Você não está vendo um terapeuta.”

“Você não está tomando remédios para depressão.”

Para piorar as coisas, você deve responder a pergunta: “o que você faz?“, e das quatro alternativas, duas estão riscadas. Elas não são mais uma opção, você simplesmente não é mais capaz, não tem mais força para isso. São esses momentos que nos fazem entender como é adentrar esse abismo e o quão valorosa qualquer ajuda pode ser para alguém nessa situação.

Quando analisamos um jogo, um fator muito importante a considerar é a rejogabilidade, ou seja, a medida do quanto vale a pena jogá-lo múltiplas vezes, e o Depression Quest se sai muito bem neste quesito, proporcionando a cada novo jogo uma experiência única. Se você se interessou pelo jogo, pode encontrá-lo gratuitamente aqui.

A depressão é uma das principais causas do suicídio, que acaba com a vida de milhares de pessoas todos os anos somente no Brasil. A conscientização é essencial para o combate à depressão e prevenção do suicídio. Durante todo o mês de setembro, a campanha do Setembro Amarelo visa disseminar nacionalmente informação sobre a prevenção do suicídio. Hoje, 10 de Setembro, é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Você pode saber mais sobre o assunto aqui.


Card alaranjado com a foto e a mini bio do escritor Dyego Alekssander Maas. A foto dele está do lado esquerdo, com o nome logo embaixo. Ao lado da foto, do lado direito do card, está escrito a mini bio do escritor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s