Resenha | As Provações de Apolo – O Oráculo Oculto3 min de leitura

E lá vem mais mitologia. Assim que soube que o autor Rick Riordan iria lançar mais uma saga sobre mitologia grega fiquei curioso sobre qual seria o resultado da nova empreitada. A trama é uma continuação direta de “Percy Jackson e os Olimpianos” (Intrínseca, 2005) e “Os Heróis do Olimpo” (Intrínseca, 2010) e se passa seis meses após este último, tendo como foco principal Apolo. O Deus sol foi punido por seu pai, Zeus, e transformado em um mortal comum (com espinhas e gordurinhas na barriga). O jovem tenta, de todas as formas, descobrir uma maneira de reverter a punição e fazer as pazes com seu pai, recuperando sua posição e poderes de volta.

Aqui Percy e outros personagens já conhecidos do acampamento meio-sangue são meros coadjuvantes na trama que acompanhará Apolo na tentativa de descobrir o que aconteceu com os poderes de seu oráculo mais poderoso e como o ex-deus poderá voltar a cair nas graças do Olimpo.

O autor acerta na forma como conecta todas as sagas anteriores em uma mesma história. E o que em primeiro momento pode até soar forçado, começa a fazer total sentido ao sermos apresentados ao vilão, suas motivações e seu parentesco com os deuses. A conexão com os acontecimentos passados não só faz sentido como enriquece a trama já que mostra um planejamento maior por trás de tudo. A própria dimensão da história já deixa claro o quão importante será a redenção de Apolo para a vitória do Olimpo.

E é na redenção do nosso herói em formação que a história anda a passos lentos. Riordan continua um mestre na arte de criar ótimos personagens, onde aqui a sagacidade e sarcasmo de Percy são substituídos pelo orgulho e pelos devaneios de grandeza do Deus sol. Forçado pelas circunstâncias a agir como um semideus, Apolo por diversas vezes é obrigado a encarar as consequências de várias atitudes antigas e consequentemente refletir sobre o impacto que elas tiveram no mundo. O personagem algumas vezes dá a impressão de dar um passo para frente e dois para trás, pois em um momento admite que muitas das mazelas são culpa de sua soberba e orgulho e em outros já deposita no vilão a responsabilidade – que a algumas páginas atrás era dele mesmo.

O humor envolvido no pensamento e na lógica de Apolo são ótimos e rendem vários momentos divertidos para a trama, mas funcionam na contra mão do desenvolvimento do personagem, que demora a aprender que para voltar a experimentar as glórias divinas terá de entender qual a sua parcela de responsabilidade nos acontecimentos recentes.

Os ingredientes que fizeram do universo criado por Riordan um sucesso estão todos lá. Desde os personagens interessantes, as lutas com soluções absurdas, a representatividade cada vez maior (tem até brasileiro!), até a roupagem moderna dos deuses, marca característica do autor. A história ainda está apenas começando, pois serão cinco livros a compor todas as Provações Apolo. Para quem curte mitologia grega, humor e uma boa aventura, segue a recomendação e boa leitura.

Diego Vieira

Paulistano, formado em Marketing e viciado em séries. Ler é outro vicio que possui. Começou com Agatha Christie, passou por Sidney Sheldon e conheceu a obra de James Patterson, que influencia muitos de seus trabalhos em desenvolvimento. Comprou um kindle, mas não abre mão do livro físico e sempre tem um a mão. Ama contar histórias desde que aprendeu a falar e sonha viver disso. Acredita que qualquer situação pode gerar uma boa história, principalmente com uma dose de mistério e fantasia.

Últimos posts por Diego Vieira (exibir todos)

Comentários

comentários

Deixe uma resposta