Resenha | A Música do Silêncio3 min de leitura

O livro “A música do silêncio” (144 páginas), de Patrick Rothfuss, é um spin-off da popular e bem avaliada trilogia “As crônicas do matador de reis”; a qual também guardo como uma das minhas melhores leituras de anos anteriores. Porém, o apego em como a narrativa funciona nos livros anteriores, “O nome do vento” e “O temor do sábio”, pode acabar fazendo a leitura desse livro não ser tão agradável para quem o iniciar aguardando algo semelhante aos anteriores. O próprio autor começa dizendo que esse não é um livro normal e que entende se não gostar da história; isso se refletiu em toda a crítica, que ficou bem dividia. Quem gostou, gostou muito e quem não gostou, quer simplesmente queimar e pisotear as cinzas desse livro e fazer ele perder o próprio nome.

Nesse spin-off, vamos acompanhar um dos personagens mais cativantes e curiosos da trilogia, Auri. Vemos através de sua ótica, os seis dias de espera por um visitante, que supomos ser Kvothe, já que ela nunca chega a citar o nome da pessoa. E é esse ponto que pode ser a fonte do problema no livro. Todas essas andanças pelo subterrâneo da universidade podem acabar sendo chatas e monótonas para o leitor que não tenha um real interesse em ver a vida simples e confusa da Auri. Outro ponto é que por todo o livro a acompanhamos sozinha no subterrâneo, o que causa uma completa inexistência de diálogo e isso pode ser um problema para alguns, algo que não achei de todo ruim durante a minha leitura.

Toda essa solidão causa uma sensação de falta de conflito no decorrer da história. Apesar disso, toda a história não deixa de ser interessante. No decorrer dela percebemos todo um desenvolvimento dos conceitos daquele universo e que podem vir a ser úteis para um próximo livro; sendo perceptível ou não. Além disso, pode-se acompanhar algo que sempre considerei um dos pontos mais chamativos na narrativa de Patrick. Todo o conceito da importância dos nomes e uma humanização que ele faz com os objetos, algo que nunca vi em outras histórias; sem contar o próprio texto, que não perdeu toda a brilhante fluidez que há nos livros anteriores.

Outro ponto onde o livro também se sai muito bem é o seu acabamento. Há uma ilustração lindíssima na capa e outras ilustrações são inseridas no decorrer dos capítulos, o que torna toda a leitura e imersão mais interessantes.

Em geral, ainda recomendo a leitura desse livro, apesar da trama que alguns podem achar arrastada ou de destoar muito de tudo que você pode estar esperando do “Mundo dos quatro cantos”. Vejo esse livro mais como aquele momento em que o autor gosta tanto de algo em seu universo, que ele precisa escrever e se aprofundar mais naquilo, mesmo que isso acabe dando em nada e indo para o fundo de sua Nuvem/gaveta. O que, por sorte, não ocorreu e fomos apresentados a uma parte de Auri que não conseguiríamos ver na trilogia principal. Além disso, não posso deixar de falar dos dois livros da linha principal que foram publicados. Caso você ainda não os tenha lido, eles merecem estar na sua próxima lista do carrinho de compras.

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André Diniz

Nasceu em Anápolis, Goiás, mas viveu um breve tempo na Irlanda do Norte tentando receber uma carta de Hogwarts. No presente, está em Várzea Grande, Mato Grosso, caçando criaturas místicas das florestas. Apaixonado desde sempre por qualquer tipo de história, segue o lema de sempre buscar as boas para contar. Treinador Pokémon de longa data e um completo medroso para filmes de terror.
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