Conto | Um Lindo Dia de Sol4 min de leitura

Dali

Levantei lentamente e fui até a janela. Pós almoço. Senti meu rosto queimar com sol mas resolvi ver como estava o mundo lá fora pela primeira vez hoje. Da janela eu tinha vista para os prédios em volta do meu, inclusive para a piscina do prédio ao lado.

A paisagem estava calma, um dia ótimo para caminhar ou fugir para uma praia, coisa que eu faria se eu não tivesse trabalhado durante toda a madrugada. A maioria das janelas dos prédios estavam fechadas e só vi um vizinho num prédio ao lado olhando para os lados feito um doido, parecendo desesperado demais para um dia tão lindo.

Duas pessoas estavam na piscina do prédio ao lado. Achei incrível a piscina estar tão vazia num dia tão quente, mas os dois pelo menos estavam aproveitando. Um deles estava boiando na água de barriga para cima e sua companheira, uma menininha olhava-o com um sorriso no rosto, dando risada e fazendo comentários que eu não conseguia ouvir a distância.

Eu senti uma pontada de inveja lembrando de quando eu e uns amigos brincávamos de boiar na agua anos atrás e entrei para procurar algo para comer.

De lá

Tentando me livrar de todo o barulho que estava em casa fui até o meu quarto após o almoço para relaxar e respirar um pouco. Família grande mais aniversário da avó deu nisso. Fechei a porta e fui até a janela.

Sabia que aos domingos o prédio ficava mais vazio então teria alguns minutos entre mim e a paisagem, o que aqui era mais uma selva de pedra do que a natureza em si.

Assim que coloquei a cabeça para fora já me espantei. Vi na beirada da piscina uma pessoa debruçada sobre outra. Elas estavam de costas para mim e só consegui ver os membros de uma delas de debatendo na água. A pessoa na borda da piscina mexia os braços de cima para baixo de forma a manter a outra embaixo da água.

Me afastei da janela o mais rápido o possível assim que percebi uma diminuição dos movimentos da pessoa na agua para que o assassino não me visse e disquei 190.

Acolá

Hora de cumprir o ritual de todos os domingos à tarde. Dar uma volta lá fora, tomar uma, ou duas e voltar para assistir ao jogo na TV. Levantei da cama e dei uma olhada em como estavam as coisas lá fora antes de sair: a velha calma de sempre!

Respirei fundo e relaxei. A maioria dos prédios em volta sem uma vivalma aparecendo, a piscina do prédio ao lado vazia. Bora dar uma volta. Já estava fechando a janela quando uma dupla de amigos veio correndo até a piscina para se refrescar.

Um deles estava com uma prancha de bodyboard na mão e aquelas tornozeleiras presas no pé direito. Os dois estavam rindo felizes quando o cara da prancha escorregou e bateu a cabeça na borda da piscina. Ele afundou rapidamente e emergiu lentamente sendo puxado pelo seu amigo. Eu observei a situação em choque sem conseguir me mexer. Ele foi puxado até a borda mas por algum motivo seu amigo não conseguia puxa-lo, provavelmente a pequena prancha estava presa no fundo da piscina. Seu amigo o puxou várias vezes e o sacudiu, mas o surfista estava desacordado após o choque. Ele se levantou em pânico e vendo que seu amigo estava de barriga para cima saiu correndo para procurar ajuda.

Enquanto ele estava fora uma menina de uns doze anos apareceu e ficou observando-o na água. Ela devia pensar que ele estava dormindo já que tentou chama-lo e ria como se brincasse com um amigo.

Meu olhar cruzou com um cara do prédio ao lado que SORRIU ao olhar a cena e entrou em seu apartamento novamente! Eu decidi descer logo e ver se o amigo dele havia conseguido ajuda. Parece que essa tarde não estava sendo tão calma assim.

Epílogo

Uma quarta pessoa até pensou em ir até a janela naquela tarde, mas estava com preguiça e continuou deitada o resto da tarde. No outro dia ela conversou com um amigo num supermercado do bairro que lhe contou o que ele havia visto da janela.

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Diego Vieira

Paulistano, formado em Marketing e viciado em séries. Ler é outro vicio que possui. Começou com Agatha Christie, passou por Sidney Sheldon e conheceu a obra de James Patterson, que influencia muitos de seus trabalhos em desenvolvimento. Comprou um kindle, mas não abre mão do livro físico e sempre tem um a mão. Ama contar histórias desde que aprendeu a falar e sonha viver disso. Acredita que qualquer situação pode gerar uma boa história, principalmente com uma dose de mistério e fantasia.
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